Resident Evil 4 Ultimate HD Edition – Review

Resident Evil 4 é o maior episódio de uma das séries que mais se falou nas últimas duas décadas. O jogo apresenta uma ruptura com o gênero Survival Horror e introduz uma série de elementos que muitos outros jogos de ação iriam adotar com o passar dos anos. Apesar disso, o PC nunca viu uma versão a altura desse grande jogo. Felizmente, a Capcom resolveu reparar esse mau histórico, mesmo que tenha demorado 7 anos para isso.

Todo mundo aqui já deve estar careca de saber como Resident Evil 4 funciona. O jogo é o mesmo de 2005, ou seja, você é Leon e deve resgatar Ashley Graham, a filha do presidente dos Estados Unidos, que foi sequestrada e agora está numa vila espanhola que segue um culto estranho, conhecido como Los Iluminados. Por que diabos o chefe da nação mais poderosa da civilização ocidental mandaria um cara com uma pistola e ervinhas resgar a própria filha fica além da minha compreensão, mas esse é o ponto de partida do jogo.

Ao pegá-lo pela primeira vez no PC, eu notei uma coisa: como o jogo é diferente dos padrões que estamos acostumados atualmente. Antes de mais nada, o controle usado na época do PlayStation 2 e do Game Cube foi mantido, ou seja, você vai estranhar pra cacete os primeiros instantes do game, e a minha sugestão inicial é mude imediatamente o esquema de controle para o esquema 3. Isso, claro, se você usa um joystick de Xbox 360 para jogar, que fica sendo minha dica número 2, já que jogos como Resident Evil 4 ficam bem melhor de serem jogados no joystick.

Após essa dificuldade técnica inicial, o jogo acabou tornando-se bem jogável, apesar de um pequeno problema: Leon não anda e atira ao mesmo tempo. Como em 2005, ainda há uma força gravitacional muito poderosa que age no corpo do nosso agente americano toda vez que ele levanta os braços para mirar. Brincadeiras à parte, essa decisão de manter esse elemento do gameplay acaba fazendo o jogo ficar desafiador o suficiente, já que jogar sem isso seria um verdadeiro passeio no parque. Quer dizer, a maioria dos inimigos são lentos, então não chega a ser um grande problema ter que parar toda vez que você tem que atirar.

Para quem não jogou Resident Evil 4 ainda, o jogo pode parecer um pouco estranho se comparado a jogos em terceira pessoal da atualidade. Aqui, você tem uma barra de vida, precisa racionar os items de cura e também a munição, ainda mais no começo do jogo, onde ela é escassa pra caramba. Se você não for bom de tiro, e também não usar bastante o melee (seja na forma de facadas, seja no chute supersônico que o Leon tem que chega a arrancar cabeças), coisas podem acabar se complicando rapidamente.

Felizmente, Resident Evil 4 envelheceu bem o suficiente para ser um bom jogo ainda hoje em dia, apesar de o jogo ter um problema que eu encontrei em 2005 e que continua ainda hoje: a repetição. Resident Evil 4 infelizmente é um jogo repetitivo. Há poucas quebras de monotonia no jogo, então a sua tarefa na maioria das vezes é andar de uma sala a outra e meter bala em quem ousar cruzar seu caminho.

Às vezes o jogo vai te jogar algum Quick Time Event do nada para você resolver e isso pode ser até meio frustrante. Há uma cena lá pela metade do jogo onde você anda num trilho de trem que eu tive que repetir umas 5 ou 6 vezes porque eu acabava ou errando o QTE, ou apertando menos vezes do que o suficiente o botão X do controle para que o Leon seguisse sobreviver. Aliás, esse problema acaba revelando outra falha do jogo: às vezes ele te sacaneia bonito nos locais onde ele grava o seu progresso, fazendo você ter que voltar largos pedaços do jogo caso morra. Há uma boa distribuição de máquinas de escrever em boa parte do jogo, porém, quando elas faltam, elas vão te ferrar se você morrer, então fique atento com isso.

Mas o que essa versão traz de novo? Gráficos e um port bem executado. Os gráficos de Resident Evil 4 ficaram bem legais em 1080p, e a possibilidade de jogar o jogo com 60 frames por segundo é bem interessante, mas para isso, você realmente vai precisar de uma máquina mais ou menos atual, já que o jogo vai apresentar lentidão caso você jogue numa placa de vídeo próxima dos pré-requisitos mínimos, como foi o meu caso, infelizmente, e que me forçou a jogar algumas partes do jogo em 1366×768 ao invés da resolução nativa do meu monitor. A maioria dessas partes envolvia ou fogo ou fumaça, o que acaba dificultando a minha vida quando eu precisava usar alguma arma que envolvesse explosões, como granadas incendiárias.

No departamento sonoro, o jogo infelizmente não ganhou o mesmo tratamento que os gráficos ganharam. O jogo poderia muito bem ter ganho um esquema de áudio dinâmico semelhante ao que os jogos mais modernos têm. Toda vez que algum inimigo te detecta na tela, o som vem do mesmo lugar, então é difícil de saber de onde o inimigo vai aparecer. Isso pode parecer besteira à princípio, mas pode acabar salvando alguns segundos preciosos em alguns instantes onde o jogo realmente quer te sacanear, ainda mais para quem joga de fones de ouvido. No mais, a dublagem continua exatamente a mesma das outras versões e a música ajuda a criar o clima do jogo, que está bem mais puxado para a ação. Não que isso seja ruim, claro.

Para completar, só algo engraçado que eu não encontrei: um botão de sair. Sério, não há como sair do jogo a menos que você aperte ALT + F4. Não há também como voltar ao menu inicial do jogo. Pode parecer uma grande besteira, mas sério que ninguém lembrou de fazer essa parte?

Resumo para os preguiçosos

Resident Evil 4 Ultimate HD Edition é uma reparação história da Capcom à altura de um dos maiores jogos da sua história. O jogo ganhou belos gráficos e um port muito bem executado. Alguns aspectos do jogo poderiam ter sido melhorados, mas é bom ver que um jogo de 2005 ainda é jogável, e muito bom, conseguindo ser até melhor do que alguns títulos de ação da safra atual de games.

Nota final

85
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Finalmente o PC recebeu uma versão de verdade de Resident Evil
  • Detrás de ti, imbecil!
  • O jogo continua sendo muito bom, mesmo após 7 anos do lançamento

Contras

  • O jogo bem que podia ter ganho um som dinâmico de inimigos
  • Algumas partes acabam sendo maçantes demais
Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

Publicado por