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Ori and the Will of the Wisps – Review

Ori and the Will of the Wisps é o primeiro grande lançamento de Xbox One em 2020, e este jogo tem uma grande missão: ser tão bom ou melhor do que o seu antecessor, Ori and the Blind Forest. Será que ele consegue? É o que descobriremos nesta análise.

Em Ori and the Will of the Wisps, você novamente controla Ori, o pequeno roedor brilhante que encantou os donos de Xbox e PC no seu jogo anterior, e com uma nova missão: escapar de uma região completamente nova e tomada pela escuridão e salvar o seu novo amigo, Kun.

Para isso, você terá que explorar este novo mundo e vencer os diversos desafios que se impõem em seu caminho, mais uma vez naquele esquema metroidvania do qual já estamos acostumados.

Se você jogou o jogo anterior da franquia, você provavelmente sabe o que fazer por aqui: explorar, adquirir novas habilidades, alcançar locais que previamente eram impossíveis de ser alcançados, enfrentar grandes chefes e também participar de grandes fugas, afinal, você é uma pequena criatura numa floresta cheia de criaturas muito maiores do que você.

Todas estas partes do jogo são muito bem construídas em sua grande parte, mostrando a maturidade da equipe em trabalhar num gênero ao qual eles estão acostumados. As áreas inicias de Ori and the Will of the Wisps são em sua maioria bem fáceis e bastante intuitivas, e o único momento em que eu realmente tive problemas foi em entender que eu deveria usar a habilidade de redirecionar ataques dos inimigos para quebrar certas estruturas (eu sei, burrice minha).

Depois de um certo evento do jogo, que é chamado pela equipe de fim do Ato 1, você fica livre para avançar em três grandes áreas do jogo que até então eram impossíveis de serem alcançadas na ordem que você desejar. Em uma destas três áreas, em especial, eu acabei passando por maus bocados, e talvez o level design dela não tenha sido o mais ideal.

Para quem está curioso, eu estou falando de uma área onde a escuridão impera totalmente. Aqui, você tem que ser rápido e procurar as fontes de luz do local, caso contrário, o seu personagem morre em cerca de 3 segundos. Há certos pontos do mapa onde você tem que ser extremamente rápido e dar sorte para chegar no próximo ponto de luz, algo que eu estava falhando em ser, e infelizmente o jogo acabou dando um bug bem estranho pra mim nesse momento.

Ao começar a jogar Ori and the Will of the Wisps, logo você percebe que o jogo salva automaticamente sempre que você está seguro, ou deveria ser isso o que ele faz. O problema é que nessa área escura, o jogo me colocou mais de uma vez com o autosave num local escuro, então eu tinha que nascer em perigo de vida, sair correndo e talvez chegar na luz para me salvar.

Teve um momento em que o meu personagem ficou completamente preso num local escuro e eu não tinha o que fazer, o jogo havia entrado num loop de mortes que felizmente foi corrigido pelo próprio jogo, que foi me empurrando um pouquinho para o lado a cada morte e me colocando mais perto do local seguro, onde depois de umas 4 ou 5 mortes eu acabei chegando.

Felizmente, eu consegui contornar a situação dos locais escuros demais usando o arco e flecha que Ori consegue durante o jogo. Ao carregar o arco e flecha, você emite luz enquanto segura o ataque, então foi só carregar, pular pra frente, torcer pra não cair em espinhos, carregar o arco novamente e assim repetir, até desbloquear a habilidade que felizmente contorna o grande problema dessa área escura.

Digamos que essa não é a melhor solução do mundo, mas quando certas áreas acabam mal pensadas ou com soluções que não parecem tão evidentes assim, nós temos que usar o que temos, e foi o que deu pra fazer no momento. E sim, foi um saco passar dessa parte do jogo, ela realmente atrapalhou a experiência.

De resto, Ori and the Will of the Wisps é um jogo excelente e extremamente recompensador, cheio de áreas bem pensadas, segredos que valem a pena ser explorados, sidequests que dão recompensas significativas para a sua aventura (na forma de novas habilidades, buffs para os seus ataques, aumento no poder de ataque, vida, etc).

Praticamente nenhum dos chefes chega a ser realmente cansativo ou apelativo demais, nenhuma das áreas, exceto a supracitada, também é cansativa ou irritante, enfim, o jogo realmente é um dos melhores que eu já joguei não só no ano, mas na vida, e ele realmente mereceria uma nota entre 9 e 10, não fosse a série de problemas técnicos que eu enfrentei durante a minha análise dele.

Começando pela performance, Ori and the Will of the Wisps deixa muito a desejar. Mesmo no Xbox One X, o jogo é vítima de uma série de travamentos e pequenos lags enquanto você navega pelo jogo ou abre o mapa ou o menu de equipamentos. Como eu sou uma pessoa que vive consultando o mapa do jogo, era travada toda hora.

Além disso, principalmente no final do jogo, a temperatura do Xbox One X foi na lua. Tanto que na fase 2 do chefe final, o videogame começou a desligar mesmo recém sendo ligado, me forçando a mover o videogame para cima da mesa, e mesmo quando eu fiz isso, ele parecia uma turbina a jato.

Quando eu testei o jogo no meu notebook (um Core i7 de 9ª geração com uma GeForce 1660Ti, ou seja, mais do que o suficiente para rodar o jogo em 1080p), ele simplesmente se recusou a abrir, travando toda vez na tela de início do jogo, em que o Ori está correndo incessantemente.

Um colega do site conseguiu fazer o jogo rodar no PC dele, e disse que ele está com um problema de sincronia no áudio em relação o que acontece no jogo, e que acaba sendo bem chato.

Como eu acabei não conseguindo terminar o jogo antes do lançamento por um pequeno problema de saúde, resolvi testar o jogo no Xbox One normal que eu tenho desde o lançamento do console, para ver se a performance era aceitável nele e… infelizmente não é. O console sofre para rodar o jogo a 30 FPS mesmo em áreas vazias, ou seja, a diversão neste caso é severamente prejudicada.

Ah, e além de tudo isso, o jogo também volta e meia travava na tela inicial de carregamento, no “Game Start / Options”. Às vezes as opções apareciam rápido, às vezes levavam até um minuto pra aparecer.

Todos esses problemas provavelmente serão resolvidos nos próximos meses, é verdade, mas como uma análise do jogo deve ser sobre o que ele é, e não sobre o que ele promete ser, não há como ignorar todos esses pontos negativos.

Ah, e só pra completar, algo bizarro aconteceu no chefe final. Na última parte dele, o jogo simplesmente matou o chefe para mim ao invés de me fazer enfrentá-lo. Eu havia morrido umas três vezes, e na terceira vez, havia faltado um ataque para matar o chefe, mas ele me pegou primeiro. Depois disso, quando eu comecei de novo a lutar contra ele, o chefe perdeu toda a energia que tinha e morreu assim de graça para mim, me dando o final do jogo na sequência.

Aqui, vale ressaltar um detalhe, o final do jogo é realmente belo e triste, ou seja, basicamente a essência de Ori and the Will of the Wisps. É realmente impressionante como esse jogo consegue evocar emoções dentro de nós com a sua mistura de cores, animações e de trilha sonora. O jogo é realmente uma obra de arte.

Graficamente falando, Ori and the Will of the Wisps é a prova de que não é necessário fazer um jogo ultra realista para ele ser bonito. Todas as cores vibrantes e efeitos na tela, além de belas criaturas e muita ação. No Xbox One X, o jogo não decepciona ao entregar uma boa performance, ainda que ele dê suas engasgadas ao abrir o mapa e o menu e na transição entre uma área e outra do game.

A trilha sonora do jogo também merece um grande destaque, ela é simplesmente espetacular e ajuda em muito a criar o clima de obra de arte que o jogo é. As cenas emocionantes do jogo certamente não seriam as mesmas não fosse essa trilha, e ela é tão ou mais importante que os belíssimos gráficos que o game apresenta.

Mas e aí, Ori and the Will of the Wisps vale a pena?

Ori and the Will of the Wisps é um dos melhores jogos já lançados para o ecossistema do Xbox One e Windows 10. O jogo é realmente divertido, muito bem pensado, cheio de desafios inteligentes e acompanhado de gráficos e trilha sonora belíssimos e pode ser chamado de clássico instantâneo do Gamepass, mas com um grande porém: vários problemas de performance e bugs.

Infelizmente, o jogo está quase injogável no Xbox One clássico, tem alguns problemas de sincronia de áudio no PC e alguns engasgos no Xbox One X no momento em que este review está sendo elaborado. É provável que isso tudo seja corrigido nos próximos patches, mas como um jogo deve ser avaliado pelo que ele apresenta e não pelo que ele promete apresentar daqui a um tempo, isto também deve ser levado em conta.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One X, Windows 10 e Xbox One fornecida pela Xbox Brasil.

Resumo para os preguiçosos

Ori and the Will of the Wisps é um dos melhores jogos já lançados para o ecossistema do Xbox One e Windows 10. O jogo é realmente divertido, muito bem pensado, cheio de desafios inteligentes e acompanhado de gráficos e trilha sonora belíssimos, mas com um grande porém: vários problemas de performance e bugs.

Infelizmente, o jogo está quase injogável no Xbox One clássico, tem alguns problemas de sincronia de áudio no PC e alguns engasgos no Xbox One X no momento em que este review está sendo elaborado. É provável que isso tudo seja corrigido nos próximos patches, mas como um jogo deve ser avaliado pelo que ele apresenta e não pelo que ele promete apresentar daqui a um tempo, isto também deve ser levado em conta.

Nota final

85
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Belíssimos gráficos
  • Trilha sonora espetacular
  • Um mundo extremamente bem pensado e cheio de desafios
  • Sidequests que complementam o jogo de forma soberba

Contras

  • Uma área do jogo realmente tirou a minha paz com algumas escolhas de level design
  • Problemas de performance severos no Xbox One
  • Problema de sincronia de áudio no PC
  • Travadinhas chatas e picos de aquecimento no Xbox One X
  • Alguns bugs em que o jogo salva seu progresso em um lugar não tão seguro assim

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