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One Piece: Pirate Warriors 4 – Review

One Piece é um mangá de enorme sucesso não somente no Japão mas também em todo o mundo, sendo a obra shonen que mais vendeu em toda a história e até mesmo entrando para o Guiness Book. Sabemos que o mangá e o anime de One Piece são um verdadeiro sucesso, mas será que seu novo jogo, One Piece: Pirate Warriors 4, também será? É o que vamos descobrir neste review.

One Piece: Pirate Warrios 4 inicia já nos mostrando Luffy e Kid lutando contra Big Mom no País de Wano e, quando estão prestes à derrotá-la, Kaido aparece e a manda para longe, fazendo com que a dupla de piratas passasse a lutar contra mais um Yonkou. Kaido, é claro, os derrota sem fazer o menor esforço e é aí que o jogo começa de verdade.

O jogo começa fazendo uma breve apresentação a respeito da história, com o mesmo narrador do anime nos mostrando Gol D. Roger sendo executado pela Marinha e dando início à Grande Era dos Piratas. Sem rodeios, o jogador começa sua aventura diretamente do arco de Alabasta, pulando toda a história do East Blue e o recrutamento de Zoro, Nami, Usopp e Sanji. Apesar de pular alguns momentos importantes como Skypiea, Thriller Bark e etc, o jogo faz questão de nos contar o que aconteceu em cada um destes arcos em rápidas cutscenes.

O jogo conta com 3 modos de jogo: O Log Dramático que conta toda a jornada dos Chapéus de Palha até o atual arco de Wano, passando por momentos importantes como Alabasta, Enies Lobby, Arquipélago de Sabaody, Marineford e por aí vai. O Log Gratuito, que permite jogar as missões principais já concluídas com qualquer personagem e por último o Log do Tesouro, que são missões separadas e divididas em 3 categorias: East Blue, Grand Line e Novo Mundo. Para liberar cada categoria, você deve obrigatoriamente completar todas as missões das categorias anteriores.

O ritmo aqui é igual aos demais jogos da franquia, com mapas enormes e abertos e recheados de inimigos que, sinceramente, não fazem a menor diferença, visto que são um bando de fracotes e que quase nunca tentam te atacar, servindo apenas como sacos de pancada mesmo.

Quando eu digo que os mapas contém muitos inimigos, é porque são muitos inimigos MESMO! Em questão de alguns poucos minutos, o jogador consegue derrotar mais de 3 mil inimigos com facilidade, e esses inimigos servem apenas para tomar porrada a fim de encher suas 4 barras de ataque especial.

Uma coisa que não pude deixar de notar em cada missão é o fato de que os inimigos são todos idênticos, com exceção de um ou outro que tem uma modelagem diferente, mas até aí tudo bem, afinal, seria impossível colocar milhares de inimigos diferentes na tela do jogador, mas a Omega Force (produtora do jogo) poderia ter dado uma caprichada um pouco melhor neste aspecto, mas isso não chega a atrapalhar em nada a jogatina.

Por falar em ataques especiais, cada personagem pode usar apenas 4 de cada vez, sendo usados com o botão R1 ou RB e triângulo, círculo, X e quadrado ou Y, B, A e X. Cada ataque leva certo tempo para carregar e, para carregá-lo, você deve socar alguns inimigos na tela, e é exatamente para isso que esses minions servem. O jogo não se limita a apenas 4 ataques especiais para cada personagem, onde cada um possui sua própria árvore de habilidades que podem ser compradas com beries e moedas especiais que são adquiridas ao completar missões, além de também poder aumentar sua barra de vida, força, vitalidade e etc.

Um dos pontos que mais me incomodou em Pirate Warriors 4 foram os mapas, afinal, ao mesmo tempo que é legal ter a liberdade de correr em um mapa grande e aberto, também é bastante chato ficar correndo de ponta a ponta para concluir certos objetivos obrigatórios, onde a maioria deles é: “vá até tal lugar, derrote alguns inimigos especiais, retorne”. Com o tempo esses objetivos dentro de cada missão ficam bastante massantes e chatos, afinal, o mapa possui milhares de inimigos mas o jogador precisa derrotar somente alguns capitães e seguir adiante. Em 90% das vezes eu apenas passei correndo pelos inimigos mais simples e fui atrás destes capitães pois eu não aguentava ficar socando qualquer um que aparecia na minha frente.

No combate existem apenas dois golpes comuns: o ataque básico e um ataque um pouco mais carregado, ou seja, o jogo se baseia em amassar os botões quadrado e triângulo ou X e Y, sendo limitado à apenas isso e aos ataques especiais que mencionei logo acima. Uma coisa que ficou de fora em Pirate Warriors 4 foi o Kizuna Rush que foi implementado no jogo anterior, onde o jogador podia executar combos mais poderosos por um curto período de tempo ou mandar um ataque devastador junto com os personagens de suporte. Este sistema permitia você criar um combo com outros 3 ou 4 personagens e lançar um ataque muito mais forte em apenas um instante, mas a produtora decidiu deixar esse recurso de fora desta vez.

E por último, um dos detalhes dos combates contra bosses e minibosses foi a implementação de uma espécie de “escudo”, fazendo com que batalhas importantes durassem mais tempo, afinal, é preciso esgotar o escudo de um inimigo para então finalmente lhe causar um pouco de dano. Uma coisa que é um pouco chata é que eles têm um curto tempo de recarga, ou seja, você passa mais tempo quebrando o escudo de um inimigo do que, de fato, lhe causando dano.

Quanto aos personagens jogáveis, estes às vezes não usam as mesmas roupas que são de determinados arcos do mangá e do anime. Por exemplo, no arco de Alabasta, vemos Zoro usando a mesma roupa do arco do East Blue e Nami é sempre vista com uma regatinha e shortinho. Isso não chega a ser um problema, mas para aqueles fãs mais chatos como eu, esse seria um detalhe bem interessante pois mostraria que o estúdio foi atento aos detalhes mas parece que apenas tiveram de preguiça de desenhar alguns figurinos clássicos. Ainda assim, há mais dois ou três figurinos adicionais para cada personagem e que podem ser selecionados sem maiores problemas depois que desbloqueados.

A cada uma missão ou duas o jogador também desbloqueia novos personagens que podem ser usados no Log Gratuito. Enquanto alguns deles podem ser usados imediatamente, outros são desbloqueados somente após serem cumpridos alguns requisitos, fazendo com que o jogador entre numa espécie de farm para desbloquear tal personagem. Há também um modo online, mas diferente de outros jogos onde os jogadores são colocados uns contra os outros, em Pirate Warriors 4 você pode ajudar outro jogador em apuros em alguma parte da aventura ou simplesmente descer a porrada junto com alguém apenas por diversão. Além disto, se o jogador em apuros for você, outros jogadores podem entrar no seu jogo para irem salvar sua pele. Um detalhe, porém, é que eu não consegui jogar online com ninguém por problemas de conexão, mas ainda assim há essa opção e ela é muito bem-vinda, apesar de que trocar porrada com alguém seria igualmente legal.

Agora partindo para os pontos negativos do jogo, nós infelizmente temos muitos deles e que não podem passar despercebidos e sem receber alguns comentários.

O primeiro ponto que me desagradou foi a falta de “vida” que os personagens têm dentro do jogo. Pirate Warriors 4, assim como os demais jogos da franquia, contam com uma animação bastante básica onde: ou o personagem fica parado e apenas mexendo a boca com quase nenhuma expressão facial ou ele faz certas ações extremamente exageradas como, por exemplo, alguma cara de surpresa. Além do mais, os movimentos labiais dos personagens nem sempre estão sincronizados, onde algumas vezes este personagem já terminou de falar algo e vemos que a boca continua mexendo. Não somente isso, em certas cenas vemos algum personagem dando um longo grito e, ao invés de ficar com a boca aberta, ele a movimenta como se estivesse falando normalmente. É claro que esse não é um detalhe que chega a estragar o jogo, mas é notável ver que a desenvolvedora podia ter dado uma caprichada nestas animações.

E por falar em animações com um pingo de capricho, temos essa excelente cena vista durante uma das missões em Marineford:

Ao mesmo tempo que eu chorei de rir ao ver essa cena, eu também fiquei bastante preocupado, afinal, essa animação foi realmente péssima, me fazendo lembrar das cenas de Chapolin onde os atores usavam um boneco de pano para representar alguém caindo. Como eu disse, são pequenos detalhes que não chegam a estragar o jogo, mas que fazem com que seu brilho desapareça.

E por último mas não menos importante, o Pirate Warriors conta com legendas em português, algo muito bem-vindo para todos os fãs, mas nem tudo que reluz é ouro, afinal, em certos momentos o jogo decidiu jogar uma legenda em espanhol aleatória somente porque sim.

E não, essas legendas em espanhol não apareceram somente uma ou duas vezes durante minha jogatina, mas tantas e tantas vezes que eu decidi parar de contar e deixar por essas mesmo, esperançoso que este erro seja corrigido em uma futura atualização.

Mas e aí? Vale a pena tirar o escorpião do bolso e pagar R$250 no jogo? A resposta claramente é não. Não apenas pelo fato de ser um valor elevado para nós brasileiros, mas também porque o jogo não oferece tanto conteúdo para cobrar o mesmo preço que uma produção AAA. Apesar dos problemas e escorregões que o jogo apresenta, Pirate Warriors 4 é um jogo bonito, com gráficos fiéis ao mangá, jogabilidade simples e uma trilha sonora que, mesmo sentindo falta da clássica trilha do anime, também se enquadra bem dentro do jogo. Alguns fãs assim como eu podem sentir falta de elementos chave dentro do jogo, mas ainda assim vale a pena arriscar (mas seria melhor aproveitar uma promoção).

Review elaborado com uma cópia para PlayStation 4 fornecida pela Bandai Namco.

Resumo para os preguiçosos

One Piece: Pirate Warriors 4 busca ser o jogo mais ambicioso da franquia até agora, nos apresentando momentos marcantes da história assim como também adaptando os arcos de Whole Cake e do País de Wano. Porém, essa ambição acaba sendo ofuscada pela repetitividade da fórmula vista desde Pirate Warrios 1, colocando milhares de inimigos na tela e grandes cenários somente para causar comoção, afinal, estes inimigos sequer são importantes para as missões.

O jogo é um grande “vá até ponto A, derrote alguns inimigos especiais, retorne, agora vá para o ponto B fazer a mesma coisa”, mostrando a falta de criatividade em certos momentos da campanha principal, além de pular alguns arcos importantes como Thriller Bark, por exemplo.

O jogo não chega a ser ruim, mas a falta de carinho na hora de criar as animações dos personagens, a repetitividade e também algumas legendas aleatórias em outro idioma acabam estragando a experiência do jogador e principalmente dos fãs da franquia. Se você quiser comprar este jogo, sugiro que o compre em alguma promoção. Se você não gosta de jogos com mecânicas repetitivas, então Pirate Warriors 4 não é para você.

Nota final

65
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Mecânica simples
  • Gráficos fiéis ao mangá
  • Dezenas de personagens jogáveis
  • Vozes originais
  • Legendas em português

Contras

  • Mapas complicados e difíceis de entender
  • Ausência de momentos importantes da obra e de alguns arcos
  • Animação fraca
  • Em certos momentos, o jogo apresenta legendas em espanhol sem motivo algum
  • Preço salgado
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