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Katana Zero – Review

Já fazia um tempo que eu não escrevia um review para o Critical Hits. Fase final de mestrado sempre é complicado, mas confesso que fiquei feliz em ter a oportunidade de voltar a ativa com um jogo tão bacana quanto Katana Zero.

A primeira vez que ouvi falar dele foi no ano passando, em algum desses vídeos que fazem um apanhado geral dos jogos que estão pra sair e blá blá blá. Na época não dei muita pelota, mas conforme fui sabendo mais sobre, meu interesse foi aumentando.

Se você quer uma descrição rápida do que é Katana Zero, eu poderia dizer que é como se você pegasse Hotline Miami, misturasse com Mark of the Ninja, e desse pequenos toques de Sekiro: Shadows Die Twice e Ghost in the Shell. O resultado não poderia ser melhor: um game consistente, com elementos de enredo que justificam os componentes de jogabilidade, e um história formidável, que te faz querer afundar cada vez mais nesse jogo maravilhoso.

Você encarna o papel de um estiloso e perturbado samurai, com uma baita habilidade física, capacidade de controlar o tempo e uma verdadeira compulsão em planejar seus movimentos. Toda a mecânica do jogo se resume ao jogador planejado os assassinatos – então ao invés de morrer, o game avisa: “Isso não vai dar certo!”, e você tem de começar tudo outra vez. Parece monótono, mas é extremamente divertido.

O jogo começa com você aprendendo a se movimentar pelo cenário e como utilizar alguns elementos ao seu favor. Logo de cara você percebe a similaridade com Hotline Miami, já que além de algumas mecânicas terem sido propriamente adaptadas para um cenário em 2D, outro detalhe marcante é o uso de uma trilha sonora sensacional para embalar sua jornada. Assim como em Hotline Miami, o objetivo é aniquilar todos os inimigos ao seu redor da maneira que você conseguir, mas é claro que conseguir alcançar esse objetivo com estilo é sempre muito melhor, e por isso dominar os controles é algo essencial. Mas o melhor de tudo é a jogabilidade, que torna esse processo desafiador e extremamente divertido ao mesmo tempo.

A dificuldade não é tão grande quanto Hotline Miami, mas alguns cenários vão te fazer sentir aquela velha e conhecida sensação de repetir, e repetir, e repetir de novo o mesmo processo até dar contar de vencer todos os adversários que tem pela frente, afinal de contas, apenas um tiro é suficiente para acabar com a sua vida. Mas é ai que brilha a mecânica mais legal do jogo: desacelerar o tempo. Com ela, até aquela parte chata que você não aguenta mais pode se tornar extremamente satisfatória, se você souber o que fazer. É bom ter em mente que desacelerar o tempo não torna o jogo mais fácil, mas te ajuda a encontrar soluções “não ortodoxas” para resolver os problemas a sua frente.

Em determinado momento do jogo você pode estar tão acostumado a sair distribuindo espadas nos inimigos, que pode esquecer de utilizar elementos do cenário ao seu favor, ou outros movimentos como a rolada e o pulo. Usando então, a habilidade de desacelerar o tempo – que vale dizer, não é infinita!, você consegue ver tudo com mais calma e visualizar aquilo que quer fazer.

Mas se você não é daqueles que gosta de rebater projéteis com a espada, também é possível tentar vencer os desafios de uma maneira mais comedida, utilizando elementos do cenário para camuflar-se e evitar os inimigos, ao invés de eviscerar-los. Existem situações inclusive, que o próprio jogo pede para que você elimine a menor quantidade possível de pessoas, mas fica a seu cargo obedecer ou não.

As suas escolhas inclusive fazem parte da jogabilidade, já que a forma como você lida com as situações que o game põe na sua frente, mudam completamente o curso da história. É possível conseguir vantagens apenas por tratar bem alguém que puxa papo com você, como também irritar seus empregadores por falar demais por ai. A forma como você trata seu terapeuta – que te ajuda a lidar com seu passado confuso e traumático, também altera a forma como as coisas se desenrolam a sua frente, aumentando o fator replay de Katana Zero exponencialmente.

Os cenários, inimigos, personagens e diálogos são outro ponto a parte. Tudo parece ter sido polido aos mínimos detalhes, e por isso, avançar no jogo é um verdadeiro deleite. Não é só usar a câmera lenta para fatiar seus inimigos, é querer saber mais sobre o enredo, a história do seu personagem e como ele foi parar nessa enrascada.

São tantos elementos diferentes utilizados no decorrer do jogo, que fica muito fácil associar Katana Zero com outros grandes jogos, animes, filmes e etc. O mais importante é que o jogo é divertidíssimo, te dá motivos de sobra para enfrentar os desafios que ele propõe, e ainda te oferece a oportunidade de repeti-los para tentar obter um resultado final diferente daquele que você já vivenciou. Por isso, Katana Zero é hoje, um daqueles games que conquistaram um lugar de honra no meu coração, e com certeza será uma das minhas recomendações mais recorrentes para quem procura uma experiência coesa, frenética, e repleta de bons personagens.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PC fornecida pela Devolver Digital.

João Víctor Sartor

João Víctor Balestrin Sartor é colaborador e sex-symbol do Critical Hits. Admirador das boas histórias, almeja de verdade escrever um livro algum dia. Divide seu tempo entre à leitura, jogatina, trabalho, engenharia e quando sobra tempo, vive.

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