Cyberpunk 2077 – Review

Quando a CD Projekt Red anunciou Cyberpunk 2077 pela primeira vez, The Witcher 3 sequer havia sido lançado e ninguém imaginava que o jogo acabaria demorando tanto para ser lançado definitivamente.

Foram anos de espera – a maioria deles sem muitas informações. Meses de agonia devido adiamentos, notícias preocupantes e muito, mas muito hype.

Será que valeu a pena? Tá na hora de descobrir.

Como tudo começa

Em Cyberpunk 2077, você controla V, um mercenário que quer fazer seu nome em Night City, cidade onde o game se passa. Para não dar spoilers da história, o que você precisa saber é que não tem muito tempo restante para salvar a si mesmo, e agora tem um parceiro não desejado que vai lhe acompanhar 24 horas por dia: o lendário mercenário Johnny Silverhand.

Para isso, você tem uma campanha de cerca de 20 horas pela frente, caso jogue apenas as missões principais, mas também conta com uma miríade de missões secundárias e tarefas, numa cidade onde as possibilidades são imensas.

Cyberpunk ou Cyberbug?

Não dá pra começar uma análise de Cyberpunk 2077 sem mencionar a maior polêmica do lançamento: os bugs. Apesar da maioria dos jogadores de PC não estarem sofrendo tanto com bugs esquisitos nas VGAs mais recentes, o jogadores dos consoles não podem dizer o mesmo.

Quando se fala em bug, geralmente se pensa em algo inocente que pode – ou não, afetar ligeiramente a sua experiência. Porém no caso de Cyberpunk 2077 as coisas as vezes fogem do controle. Na verdade a minha primeira experiência com o jogo trouxe tantos bugs em sequência que eu sinceramente me questionei se não seria melhor fechar o jogo, esperar mais três meses para que a CD Projekt Red lançasse todos os patches necessários, para ai sim poder ter a experiência condizente com aquilo que eu espero do jogo.

Vale dizer que não precisou tanto. Enquanto escrevo este texto já foram lançados dois grandes patches que corrigiram a maioria dos problemas no PC.

No PlayStation 5, versão onde menos testamos o jogo, ele teve alguns problemas de travamento onde o jogo simplesmente fechava na nossa cara e azar o nosso. Já na versão de Xbox Series X, o jogo apresentou menos problemas no Modo Performance, onde, apesar de parecer “feio”, ele não chegou a apresentar grandes bugs, ainda que de vez em quando tivesse um NPC voando por aqui e outro por ali.

Tão futurista quanto o RPG de mesa

Caso você não saiba, Cyberpunk 2077 se baseia numa franquia de livros de RPG de mesa muito famosos, criados por Mike Pondsmith em 1988. A ideia por trás do projeto era justamente tentar trazer o máximo de elementos dos livros originais para o jogo, criando quase que uma experiência de RPG de mesa digital.

E a proposta funciona. Por mais que o jogador saiba que tudo em Cyberpunk possui um script, ao analisar as possibilidades de criação e evolução de personagem podemos perceber que elas são bem variáveis e permitem que o jogador tenha a liberdade de fundamentar seu próprio caminho.

Como jogador de RPG de mesa veterano, confesso que esse foi um dos pontos mais interessantes que percebi em Cyberpunk 2077. Saber que o jogo me permite analisar a situação e tentar encontrar saídas diferentes de acordo com as habilidades que tenho no momento, é que me motiva a continuar buscando novas missões, experiência, dinheiro e reputação nas ruas sujas de Night City.

Mas e o que isso tem de novo?,

Talvez a proposta não soe como novidade, e de fato não é. Podemos citar outros jogos de sucesso que apresentam a mesma proposta e permitem que o jogador resolva a mesma situação de formas diferentes. Contudo, Cyberpunk triunfa por fazer isso de maneira sutilmente melhor do que qualquer outro. Tão sutil, que a maioria dos jogadores de hoje em dia talvez nem perceba a existência desta possibilidade.

A verdade é que algumas coisas mudaram desde 2012, e os jogos começaram a apresentar novos estilos onde a satisfação por realizar algo é oferecida sequencialmente, quase que num fluxo constante de ação e adrenalina. Morreu, perdeu, renasceu. E tudo começa de novo.

Cyberpunk 2077 acaba tentando se fundamentar em um alicerce um pouco mais “antigo”, que de forma alguma se encontra obsoleto, mas que talvez por isso não corresponda mais as expectativas da maioria dos jogadores que esperava uma experiência totalmente diferente dentro dos combates do jogo, ou um sistema de evolução mais claro, sequencial e impressionante.

As vezes parece que a equipe de desenvolvimento passou tanto tempo focando no gameplay, que simplesmente esqueceu de otimizar alguns detalhes não tão importantes, mas que são fundamentais para uma experiência fluída. Os menus do jogo por exemplo, são uma verdadeira bagunça até você se acostume. E tudo ficava ainda pior no dia do lançamento enquanto tudo estava bugado o suficiente para uma simples troca de arma tornar-se uma tarefa quase impossível.

O mais impressionante de tudo isso é que aquilo que tinha tudo para ser o aspecto mais esquisito do jogo, aparentemente funciona muito bem. Estamos falando da sincronização labial, que recebeu um tratamento especial para todas as linguagens apresentadas no jogo.

Vez ou outra você vai se deparar com um personagem que desanda a falar sem abrir a boca. Mas no geral o sistema funciona realmente muito bem! É a primeira vez que consegui jogar um jogo totalmente dublado – uma vez que a falta de sincronização labial sempre me incomodava, e confesso que a experiência tem sido realmente incrível!

Tem tudo que os outros tem, só que um pouco melhor (às vezes)

Cyberpunk 2077 também parece ter bebido da fonte de outros tantos jogos para fortalecer seu gameplay, criando uma miríade de possibilidades impressionante.

Podemos citar como exemplo os hacks a distância e encadeados que lembram muito a série Watch Dogs, ou o sistema de combate fluído que permite a troca rápida de armas – sem sistema de cover – similar ao de Borderlands.

Quem jogou a série Deus Ex também pode acabar sentindo uma certa familiaridade ao andar pelas noites de Night City. O clima, o jornais incessantes com notícias trágicas… tudo dá uma sensação de novidade, mas com um gostinho de que “já vi isso em algum lugar”.

Novamente não vemos nada de muito novo nesses quesitos, mas é impressionante ver tudo funcionando ao mesmo tempo e de maneira que ao menos parece, melhor – ou tão bom quantos – os conceitos originais.

Cyberpunk 2077 ainda adiciona alguns elementos bem interessantes ao jogo que não são essenciais, mas fazem a diferença. Você não precisa de um veículo para movimentar-se pela cidade uma vez que o sistema de viagem rápida funciona muito bem, mas andar por ai de carro ou moto é tão mais legal que você pode acabar preferindo ir na raça mesmo.

O sistema de roupas e armaduras também é um pouco esquisito no começo, uma vez que trata-se de um RPG, e portanto, ele é essencial. Contudo, é estranho pensar que um tênis all star possa te dar mais defesa que um coturno de couro após ser aprimorado. Mas essa é uma das belezas que só o mundo dos vídeo games nos oferece.

O mapa não é tão grande quanto The Witcher 3, mas é com certeza mais impressionante. Mesmo uma pequena porção de área esta sempre repleta de vida e verticalidade, o que significa que você pode sempre encontrar mais coisas se decidir subir por uma escada escondida, ou subir numa sacada apoiando-se no ar condicionado.

Também é necessário mencionar como é impressionante ver toda essa verticalidade termina em alguns locais que são totalmente possíveis de se explorar, o que significa que nem todas as portas representaram barreiras invisíveis para o jogador. Talvez você não possa abrir todas no começo do jogo, mas tá ai uma bela desculpa pra voltar depois.

E as novidades?

Algumas novidades de Cyberpunk 2077 não são tão novas assim como mencionamos acima. Porém outras são realmente inovadoras e únicas como a sincronização labial.

Mas não é só isso que o jogo traz de novo. Primeiramente podemos mencionar que a forma como a história principal é contada parece mais cinematográfica do que nunca, e que é uma pena que não vejamos a mesma qualidade em algumas missões secundárias.

A interação com NPC’s em geral em Night City também merece destaque, uma vez que você pode estar andando pela rua e simplesmente encontrar a oportunidade perfeita para interromper um assalto a mão armada e arrecadar dinheiro. Pra saber o perigo que cada meliante pode representar, basta utilizar o scanner que permite ao jogador analisar quase tudo no cenário.

Só que a maior novidade no plot de Cyberpunk 2077 é justamente, o jogo ter um enredo muito, mas muito parecido com Tales from the Borderlands – no que diz respeito a ter alguém vivendo dentro da sua cabeça o tempo todo.

Essa pode ser o ponto mais impactante ou o mais decepcionante para o jogador mais desavisado. Contudo, por serem jogos completamente diferentes e com propostas distintas, essa similaridade acaba funcionando bem para Cyberpunk 2077.

Mas se é tão bom, por que tanta reclamação?

O maior problema de Cyberpunk 2077, é que ele se tornou um jogo difícil de se definir. O jogo não é ruim, de forma alguma. É incrível em alguns pontos, mas demorou tanto para sair que a maioria dos conceitos inovadores que vimos em 2012 hoje em dia já não impressionam tanto assim.

Sendo assim, é compreensível que alguns jogadores tenham encarado o “todo poderoso e quebrador de paradigmas” Cyberpunk como mediano somente, e não tenham gostado disso. O hype em cima do jogo também pode ter afetado a relação do público com o produto final, mas ainda assim, acredito que o jogo é um marco incrível na indústria dos games.

Cyberpunk 2077 me fez reconectar com um jeito de jogar que gosto bastante e que não via disponível há muito tempo. Ao mesmo tempo, parece ter pego vários conceitos disponíveis por ai, aprimorando-os até o talo, misturado tudo e me oferecido uma experiência que por enquanto não foi totalmente acertada nos mínimo detalhes, mas que já é suficiente para me fazer sentir que valeu a pena esperar.

Gráficos e som

Graficamente, Cyberpunk 2077 deveria ser um jogo lindo, mas para isso, você precisa estar na versão de PC para que este visual seja entregue. Caso você jogue o jogo no PlayStation 4 e no Xbox One, infelizmente o jogo não chega nem perto disso, perdendo feio até mesmo para jogos bem mais antigos do que ele. Nas versões melhoradas destes consoles, ou seja, PlayStation 4 Pro, PlayStation 5, Xbox One X e Xbox Series X, o jogo roda melhor e mais fluído, mas também não chega a ser o espetáculo visual prometido. Como a atualização para a próxima geração ainda não tem previsão de lançamento, os donos de console realmente foram colocados de lado em detrimento da versão de PC.

Já a trilha sonora de Cyberpunk 2077 é realmente muito boa. O jogo é cheio de músicas licenciadas e também um monte de composições originais que ajudam bastante a criar o clima futurístico que Night City precisa. As cenas de ação também são povoadas por músicas que vão dar aquela adrenalina a mais. Além disso, o jogo também conta com uma das melhores dublagens em português já vistas até hoje, e o sistema de sincronização labial que a CD Projekt Red colocou no jogo ajuda a aumentar a imersão bastante nesta dublagem, já que agora o personagem realmente mexe a boca quando está falando.

Review elaborado com cópias do jogo para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X. A cópia de Xbox foi fornecida pela CD Projekt Red, as outras foram adquiridas por nós.

Resumo para os preguiçosos

Cyberpunk 2077 é um amalgama incrível de conceitos distintos, em um jogo ousado que tem tudo para sugar a sua vida por horas a fio. O problema é que muito tempo se passou desde que o jogo foi anunciado pela primeira vez, e alguns deles hoje já estão quase que ultrapassados, e não possuem mais o mesmo apelo com o público.

Por isso, o todo poderoso jogo da CD Projekt Red que tinha tudo para ser tão grande ou maior do que The Witcher 3, vai acabar sendo lembrado por dividir a opinião dos fãs nesse quesito. Por aqui, vamos te dizer que Cyberpunk 2077 é um grande jogo, que apresenta uma intensa e vívida cidade, com uma das experiências mais vívidas que já experimentamos, porém que sofre com bugs, problemas de performance e uma série de dificuldades técnicas que inviabilizam considera-lo como um sucesso completo, principalmente se levarmos em conta as versões do PS4 e Xbox One.

Nota final

75
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Night City é intensa e vívida
  • Mapa vertical com várias possibilidades de exploração
  • Criação e desenvolvimento de personagem possibilitam a personalização de experiências únicas para cada jogador.
  • História e enredo
  • Mistura conceitos inovadores já conhecidos de maneira nova e repaginada.

Contras

  • Bugs constantes em todas as versões – mas principalmente no PS4 e no Xbox One
  • Sistema de criação de personagem poderia ser melhor – considerando que é um jogo de RPG
  • Performance deixa a desejar
João Víctor Sartor

João Víctor Balestrin Sartor é colaborador e sex-symbol do Critical Hits. Admirador das boas histórias, almeja de verdade escrever um livro algum dia. Divide seu tempo entre à leitura, jogatina, trabalho, engenharia e quando sobra tempo, vive.

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