Thomas Mahler, CEO da Moon Studios e diretor criativo da série Ori e de No Rest for the Wicked, lançou uma plataforma que pretende mudar a forma como as avaliações de jogos são calculadas. O VideoGamesCritic.com dá mais peso às opiniões dos jogadores do que às notas publicadas pela imprensa especializada.
Mahler apresentou o projeto em 2 de setembro de 2026, após desenvolver inicialmente o site como um banco de dados pessoal. A proposta surgiu de sua insatisfação com agregadores tradicionais, como Metacritic e OpenCritic, que refletem principalmente a recepção dos críticos. Em post no X, o executivo afirmou que as avaliações da imprensa não deveriam conseguir superar a opinião de quem comprou e jogou os títulos.
Pela metodologia do VideoGamesCritic, as avaliações dos usuários representam pelo menos dois terços da pontuação final de cada jogo. As notas da imprensa continuam sendo consideradas, mas não podem alterar o resultado a ponto de se sobrepor à percepção da comunidade.
A plataforma também atribui uma pontuação de confiança a sites, veículos e criadores de conteúdo. Esse índice leva em conta o quanto as avaliações de cada responsável coincidem com a opinião dos jogadores ao longo do tempo. Assim, os avaliadores são organizados em um ranking que favorece aqueles cujas notas mais se aproximam da recepção do público.
Outro ponto defendido por Mahler é a necessidade de acompanhar os jogos depois do lançamento. Para ele, uma análise publicada na estreia pode não representar a experiência oferecida meses ou anos mais tarde, especialmente em títulos de serviço contínuo que recebem atualizações. O site também considera a evolução das notas dos usuários, que podem mudar conforme melhorias, correções e novos conteúdos são adicionados.
O diretor afirma que o sistema foi criado com base em matemática, transparência e algoritmos públicos. Cada página deve mostrar como a nota foi calculada, sem depender de uma avaliação editorial única ou de um número apresentado sem explicação.
A iniciativa, porém, já nasce cercada de controvérsia. Mahler escolheu apresentar o serviço como “a única fonte de verdade para jogadores”, uma afirmação ambiciosa que desconsidera a variedade de critérios usados por diferentes veículos e críticos. Além disso, o executivo já enfrentou críticas da comunidade por comentários sobre personagens trans, por condenar review bombing e por pedir avaliações positivas para jogos da Moon Studios durante uma onda de análises negativas.
A ideia de dar mais espaço ao público responde a uma limitação real dos agregadores atuais, mas também expõe um problema: notas de usuários podem ser influenciadas por campanhas coordenadas. O desafio do VideoGamesCritic será provar que sua metodologia consegue equilibrar participação popular, contexto e confiabilidade sem transformar consenso em uma nova forma de distorção.


