O clima interno da EA teria chegado a um dos pontos mais baixos dos últimos anos após uma nova onda de demissões, o encerramento da BioWare e a pressão para adotar ferramentas de inteligência artificial generativa. Funcionários ouvidos anonimamente descrevem a situação como emocionalmente desgastante e afirmam que a moral está “terrível”.

O processo de cortes teria sido marcado por sigilo e falta de comunicação. Em alguns casos, trabalhadores só descobriram quais colegas haviam sido afetados depois que as próprias vítimas publicaram mensagens no LinkedIn. Reuniões realizadas pelo Zoom também teriam ocorrido com o chat desativado e os demais participantes ocultos, impedindo perguntas e conversas entre os funcionários.
A insatisfação aumentou após a confirmação do fechamento da BioWare, estúdio responsável por franquias como Mass Effect e Dragon Age. A decisão veio pouco depois da aquisição da EA, concluída em agosto por um grupo formado pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, a Affinity Partners, de Jared Kushner, e a Silver Lake.
Pressão por inteligência artificial

Funcionários afirmam que a liderança da EA tem demonstrado grande entusiasmo com Claude e outras possibilidades da IA generativa. Embora as ferramentas aparentemente ainda não sejam obrigatórias, gestores estariam transmitindo a mensagem de que os profissionais precisam se adaptar porque essa seria “a realidade do futuro”.
Segundo os relatos, a preocupação é que o uso da tecnologia se torne, na prática, indispensável para cumprir as tarefas. A situação seria ainda mais frustrante porque a orientação interna de “fazer menos, melhor” não teria reduzido a carga de trabalho. Na avaliação de um funcionário, a empresa continua exigindo o mesmo volume de entregas, mas agora com menos pessoas.
O sentimento de distanciamento da liderança também aparece nas críticas à comunicação corporativa. Um e-mail enviado sobre as mudanças organizacionais teria sido descrito como algo “escrito por um robô”, resumindo a percepção de que a empresa se tornou fria e cada vez mais focada em cortar despesas.
Cortes e dívida após a aquisição

A preocupação com novas demissões já existia desde o anúncio da compra da EA. O negócio movimentou US$ 55 bilhões e acrescentou cerca de US$ 20 bilhões em dívidas à empresa. Após a conclusão da aquisição, a EA teria informado a investidores que pretendia reduzir US$ 700 milhões em custos anuais, incluindo US$ 170 milhões classificados como “eficiências organizacionais”.
Esse contexto ajuda a explicar por que o encerramento da BioWare e os cortes recentes foram recebidos com tanta apreensão. Para os funcionários afetados, a combinação entre demissões pouco transparentes, cobrança por produtividade e entusiasmo com a IA reforça a sensação de que decisões financeiras passaram a ocupar o centro da estratégia da EA, enquanto as equipes lidam diretamente com as consequências.

