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O final do mangá de Attack on Titan foi realmente ruim?

Respondendo de forma rápida, sim. Na verdade, o desfecho do mangá em si não foi tão diferente do que muitos já esperavam, mas o grande problema ocorreu na total descaracterização que alguns personagens sofreram nessa reta final, especialmente no último capítulo.

ATENÇÃO! O TEXTO ABAIXO POSSUI SPOILERS DO MANGÁ DE ATTACK ON TITAN!

Para explicar melhor, proponho um exercício de imaginação. Se lá em 2019, no capítulo 122, quando Eren efetivamente destruiu as Muralhas, alguém virasse para você e falasse o seguinte: “Essa história vai acabar com a morte de Eren, o genocídio de 80% da população e a libertação dos Eldianos da Maldição dos Titãs”. Você acharia esse final tão absurdo assim?

Acontece que desde aquela época, por conta de algumas declarações de Hajime Isayama, autor do mangá, muitos já especulavam que o final de Shingeki seguiria esse tom, mas talvez ninguém estava preparado para as toneladas de problemas que apareceram nesse último capítulo, começando literalmente nas suas primeiras páginas, com a desastrosa conversa de Armin e Eren.

No caso de Eren, trechos dessa conversa parecem literalmente de outro personagem, fora as suas sucessivas contradições, com ele respondendo “não sei” para metade das perguntas feitas por Armin. “Como assim, você não sabe?”, me perguntava ao ler o capítulo. Mesmo que Isayama quisesse deixar algumas questões em aberto, o pivô dessa história deveria ser capaz de responder de forma mais clara pelo menos as suas motivações. E veja bem, não estou dizendo que Eren não pode ser um personagem confuso e contraditório, mas desde que iniciou esse cruzada ele não demonstrou qualquer indício de dúvida ou incerteza sobre o que estava fazendo.

Além disso, quando olhamos para Armin, as coisas ficam ainda pior, pois ele que deveria ser a voz da razão ali, que foi o escolhido como o Comandante da Tropa de Exploração, que explodiu o Titã Fundador e lutou contra o Titã de Eren no final, simplesmente aparece aceitando tudo que Eren fez de bom grado. Na verdade, ELE O AGRADECE. Sim, talvez a fala mais absurda e patética desse último capítulo foi de Armin, ao literalmente agradecer por Eren ter se tornado um genocida por eles.

E aqui vale deixar claro que Armin até pode ser tão genocida quanto Eren, o problema é que minutos atrás ele estava lutando junto com a Aliança justamente para parar esse genocídio, e a própria Aliança, formada por duas nações rivais, foi criada por conta desse objetivo em comum. Ou seja, combinando com a mensagem no mínimo problemática de todo esse diálogo, a impressão passada é que toda a construção de Eren e Armin não adiantou de nada até ali.

Por fim, para além dessa conversa, o restante do desfecho é no mínimo aceitável, embora ainda sofra com erros antigos de Isayama, como o fato dele praticamente ignorar o restante do mundo para além de Paradis e Marley, o que contribui para que muitos leitores não percebam o real significado do genocídio cometido por Eren.

Sobre a segunda parte da última temporada de Attack on Titan, embora ainda não tenhamos uma data de estreia, o anime está planejado para retornar na temporada de inverno de 2022.

Confira também outras notícias de Attack on Titan:

Você pode assistir oficialmente as quatro temporadas de Attack on Titan com legendas em português através da Crunchyroll.

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