Afinal, por que quase todo Shonen tem um personagem com o arquétipo de Vegeta de Dragon Ball Super?

Sendo uma das mais bem-sucedidas franquias do gênero shonen, Dragon Ball influenciou inúmeras outras obras, que adaptaram e modificaram diversos dos seus elementos, especialmente em relação aos arquétipos de alguns dos seus personagens. Assim, caso você já tenha acompanhado uma meia dúzia de shonens, já deve ter notado que em quase todos eles temos pelo menos variação do arquétipo de Vegeta.

Geralmente, esses personagens se apresentam como rivais do protagonista, tendo uma personalidade completamente oposta e em alguns casos até apresentando aspectos de um antagonista. Mas à medida que a história avança, esse personagem vai se revelando cada vez mais complexo, trilhando um longo caminho de redenção e reconhecendo os seus erros, para finalmente trabalhar junto com o protagonista.

Dentre as mais populares obras do gênero shonen, temos diversos exemplos que se encaixam perfeitamente nesse arquétipo, como Bakugo de My Hero Academia, Sasuke de Naruto, Ikki de Cavaleiros do Zodíaco, Hiei de Yu Yu Hakusho e até mesmo Kageyama de Haikyu. No entanto, por mais que todos esses personagens citados se apresentem como deuteragonistas rivais dos protagonistas, existem inúmeras diferenças na construção e na personalidade de cada um deles.

Entretanto, algo compartilhado por todos eles é a enorme popularidade entre os fãs, que em alguns casos é até maior que a do protagonista, como no caso de Bakugo, que nas pesquisas de popularidade de My Hero Academia sempre aparece na frente de Midoriya.

O motivo para esse arquétipo de personagem ser tão popular pode até variar de obra para obra, mas em grande parte esses personagens apresentam justamente uma construção mais “realista”. Diferente dos protagonistas, que já no começo das histórias são apresentados como pessoas bondosas e corajosas que cultivam os mais nobres valores, os seus rivais na maioria das vezes são o oposto disso, sendo personagens quebrados que ainda estão desenvolvendo os seus valores e não possuem sempre um mesmo alinhamento.

Dessa forma, enquanto o protagonista é a utopia de um herói que já nasce praticamente pronto, o seu rival tem uma construção mais parecida com uma pessoa de verdade, com as suas falhas e acertos que vão moldando o seu caráter ao longo da história.

Usando novamente My Hero Academia como exemplo, por mais que muitos considerassem Bakugo extremamente irritante no começo da história, aos poucos vamos acompanhando uma progressiva evolução da sua personalidade, que não só é mais interessante narrativamente, como também faz bem mais sentido dentro do contexto da obra, já que todos os alunos ainda estão na adolescência.

Logo, além de criar um vínculo maior com o público, esse tipo de personagem torna a história mais interessante, e consequentemente é um arquétipo tão utilizado pelos autores, seja com as suas características mais clássicas, ou às vezes subvertendo as expectativas.

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João Victor Albuquerque

Formado em Sistemas de Informação, que no final da faculdade resolveu se meter nesse mundo do jornalismo. Apaixonado por joguinhos, filmes, animes e sempre atrasado com as séries.