A Ubisoft entrou de cabeça no mundo dos MMORPGs de Tiro em Primeira pessoa em 2016 com The Division, e ainda que o jogo tivesse sido bem recebido a princípio, parecia que ele deixava alguma coisa a desejar, principalmente no que dizia respeito ao endgame. Após várias atualizações, a companhia conseguiu entregar um produto que agradasse aos fãs que ainda restavam, mas será que o próximo jogo da franquia conseguiria fazer esse serviço todo de cara? É o que The Division 2 vem responder.

Em The Division 2, você não está mais em Nova York, e sim em Washington, sete meses após a epidemia do primeiro jogo. A capital americana agora foi tomada pelo caos e por diversos grupos armados estão saqueando as ruas, tomando o poder e instaurando o verdadeiro caos na cidade. Cabe a você e a outros agentes da Divisão restaurar a ordem e salvar possíveis vítimas.

Para isso, The Division 2 começa mais ou menos de maneira semelhante ao jogo anterior, com você libertando a base principal e partindo daí. A diferença deste jogo é que agora você deve libertar outras bases, e aí o jogo meio que entra numa receita de bolo que segue os seguintes passos: você vai para uma área nova da cidade, cumpre a missão principal do jogo, liberta o novo acampamento e de duas uma, ou você começa a fazer as missões secundárias da área, como missões de verdade, com começo meio e fim, ou eventos aleatórios ou ainda procurando os pontos de tecnologia da Divisão para melhorar suas habilidades.

Conforme você segue esses passos, a instalação da região começa a ganhar melhorias, como uma horta, ou uma forma de coletar água da chuva. Cumpra missões o suficiente numa área e a base dessa área é melhorada ao máximo. Terminou isso ou já tem nível o suficiente para a próxima missão principal do jogo? Siga para a próxima área de Washington e repita o processo.

Como dá pra ver, repetitividade é uma constante em The Division 2, e isso não seria um problema se essa repetitividade se não fosse uma grande questão que me tirou a paz enquanto eu jogava esse jogo: navegar pelo mapa é uma tortura. Andar do ponto A ao ponto B numa cidade tomada pelo caos é algo perigoso, ok, o problema é que quando você morre fora de uma missão em The Divsion 2, você tem que renascer num ponto de controle já desbloqueado, e se você não tem nenhum por perto, azar o seu, volta sei lá eu quantos metros.

Isso é um problema por dois motivos, o primeiro deles é a grande perda de tempo que você acaba tendo graças a isso (eu chuto que uns 25 ou 30% do tempo que eu gastei no jogo foram perdidos nisso) e o segundo problema é que se você começou uma atividade aleatória de mapa, ou caiu de para-quedas nela, azar o seu, vai ter que começar de novo.

Caso você esteja jogando em grupo, ou usando o matchmaking do jogo, é possível ser revivido por colegas caso eles estejam perto, e eu meio que acabo recomendando fortemente que você faça isso, porque morrer e ter que andar tudo de novo e refazer tudo o que você estava fazendo acaba sendo algo realmente muito chato. Ainda mais quando você sem querer acaba dando de cara com um grupo de inimigos que automaticamente já está te flanqueando e você morre em três ou quatro rajadas de metralhadora.

Como o combate do jogo segue o estilo cover shooter em terceira pessoa (vulgo Gears of War para quem precisa de uma referência), ficar flanqueado por qualquer inimigo que seja, ou estar fora da proteção quando o tiroteio começa é certeza de que você vai empacotar rapidamente, e aí, meu amigo, não tem choro, o negócio é renascer, perder um tempão no mapa de novo e torcer pra não dar de cara com os inimigos mais uma vez.

Não que os inimigos do mapa sejam fortes demais, mas essa escolha de forçar o jogador perder tempo parece ter sido feita só pra “fazer o jogo durar”. Se você tivesse a opção de reviver a uns 30~40 metros de onde você morreu sem ninguém dar respawn (como em outros jogos mais ou menos concorrentes como Destiny 1 e 2) não haveria essa quebra no ritmo de jogo, e andar pelo mapa certamente acabaria sendo uma tarefa bem mais agradável.

Fora esse grande problema, que eu acabei não percebendo tanto assim no primeiro jogo da franquia pois boa parte dele foi jogado em grupo, enquanto que nesse eu joguei boa parte dele sozinho e me arrependendo amargamente disso, The Division 2 não chega a apresentar grandes motivos para ser um jogo que brilha.

A maioria das missões mais ou menos são a mesma coisa. Ande até A, atire feito um maluco, ative um botão aqui e outro ali, mate os inimigos que aparecem, evite que tal item seja destruído e repita de montão isso. O jogo não parece nem uma grande evolução do primeiro, e sim uma melhora incremental do seu antecessor com algumas modificações como mais Dark Zones e coisas do tipo.

O problema principal desse tipo de estrutura é que, sinceramente, parece que você não vê a história avançando direito. Parece que o que você está fazendo mesmo é só cumprindo uma lista de tarefas pra se sentir ocupado e pronto. Além de ver um acampamento improvisado ficando mais bonitinho, parece que você está fazendo pouca diferença realmente no que está acontecendo na cidade.

Graficamente, The Division 2 faz uma excelente apresentação de Washington. O jogo é realmente bonito, e tanto a arquitetura da cidade quanto a destruição que ela acabou sendo tomada ficaram muito bem representados. A trilha sonora do jogo meio que se perde no tiroteio e acaba ficando em segundo plano, mas a dublagem está bem feita.

Mas e aí, The Division 2 vale a pena?

The Division 2 em muitos pontos mais parece uma expansão do primeiro jogo do que uma sequência de verdade. O jogo tem alguns problemas graves (pelo menos para mim) que acabaram tornando uma experiência solitária em algo bem chato. Se você for jogar, faça um favor a si mesmo e convença outros amigos a jogarem com você, senão a jornada não será tão divertida assim.

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