Quando Nintendo Switch Sports Resort foi anunciado, confesso que fiquei curioso de um jeito diferente do habitual. Eu nunca joguei nenhum jogo de esportes da Nintendo, nem Wii Sports, nem Wii Sports Resort, nem o Switch Sports de 2022, então esse foi meu primeiro contato de verdade com a série. Eu sabia que era uma das franquias mais queridas da Nintendo e que a promessa era de diversão em grupo com controles de movimento. A pergunta que ficou na minha cabeça era simples. Será que esse jogo funciona para quem nunca pisou na Wuhu Island?

Aqui não existe uma história no sentido tradicional, e ainda bem, porque o jogo não precisa disso. Você chega à Wuhu Island, cria seu avatar, passa por alguns tutoriais rápidos e, em poucos minutos, já está com os Joy-Con nas mãos pronto para jogar. A ilha funciona como um grande resort esportivo, com quadras, pistas e campos espalhados por todos os lados, e o único fio condutor é a ideia de se tornar o melhor atleta do lugar.
O coração do jogo está em seus 12 esportes, e vale ser sincero sobre a qualidade de cada um, porque ela varia bastante. Nove deles são modalidades competitivas tradicionais, que você joga em pé, com os Joy-Con nas mãos, imitando os movimentos do esporte real. São eles Tênis, Boliche, Golfe, Boxe, Tiro com Arco, Tênis de Mesa, Vôlei, Basquete e a Luta de Polegares.
O Tênis, o Boliche e o Golfe são os mais amigáveis para quem está começando. Você aprende em segundos e ainda sobra espaço para dominar detalhes, como o ângulo da raquete ou a inclinação do controle na hora da tacada. O Boliche ainda traz pistas com obstáculos e partidas simultâneas, o que evita aquela espera chata pela vez dos amigos.
O Boxe foi a modalidade que mais me cansou os braços, no melhor sentido possível. Tem uma barra de stamina que obriga você a pensar um pouco antes de sair socando o ar, mas confesso que, no calor da partida, a estratégia foi parar na gaveta rapidinho.
O Tiro com Arco merece destaque. Segurar um Joy-Con em cada mão, puxar a corda para trás e soltar a flecha é muito satisfatório, e a vibração do Switch 2 simula a tensão do arco de uma forma que realmente convence. Os mapas com vento e alvos escondidos deixam tudo ainda mais interessante.
Já o Vôlei e o Basquete são os mais complexos, com movimentos que mudam conforme a posição do jogador e tutoriais mais longos. Na minha experiência, eles só ganham vida de verdade quando você joga com amigos que se comunicam e coordenam as jogadas. Sozinho, ficam bem sem graça. O Tênis de Mesa tem uma proposta mais veloz e exige reflexo, e o Basquete me pareceu o mais travado de todos, com pouca liberdade de movimento.
E aí vem a Luta de Polegares, a novidade que mais me surpreendeu. Parece uma ideia absurda para um jogo de esportes, mas funciona muito bem. É uma disputa tensa, boba e viciante, e o gatilho ZL entra para dar aquela sensação física de pressão. Sem dúvida, foi uma das mais divertidas para mim.
Os outros três esportes formam uma categoria à parte, os chamados esportes de lazer. Skate, Lancha e Avião não são modos competitivos. A proposta aqui é explorar a Wuhu Island por terra, água ou ar, coletando alguns colecionáveis pelo caminho.
Os esportes de lazer foram, de longe, a parte do jogo em que menos tempo investi e a que menos me prendeu. O Skate usa o modo mouse do Joy-Con 2, deslizando o controle sobre uma superfície para simular o impulso, a Lancha lembra uma moto aquática, com os dois controles funcionando como guidão, e o Avião é controlado segurando o Joy-Con como um aviãozinho de papel. A ideia é original, e nos primeiros minutos até me diverti passeando pela Wuhu Island e vendo como os esportes se encaixam naquele cenário.
O problema é que, para mim, o interesse acabou ali. Como esses três modos não são tão competitivos e se resumem a explorar a ilha por terra, água ou ar enquanto você junta alguns colecionáveis, eu não vi muito sentido em continuar. Eu queria jogar os esportes competitivos, subir no ranking e encarar meus amigos, e depois de passear um tempo pela ilha eu simplesmente não encostei mais neles.
Não acho que seja um defeito grave, porque quem curte um ritmo mais calmo ou gosta de explorar cada cantinho pode se divertir bastante. Mas para quem, como eu, busca a competição, esses modos acabam sendo um extra que dá para ignorar sem sentir falta.

O jogo oferece várias maneiras de curtir essas modalidades, e é aqui que ele mostra sua melhor face. No coop local, você pode jogar todos os modos apenas com o par de Joy-Con que já vem no Switch, sem comprar nada adicional. A única exceção é o Boxe, que exige um par de Joy-Con para cada jogador. Se você pretende chamar amigos para uma luta, vai precisar de controles extras.
No online, é possível jogar contra amigos em grupos ou entrar em partidas com desconhecidos por meio de um matchmaking normal. Essa foi a forma que mais me manteve engajado depois de um tempo, porque cada adversário se comporta de um jeito diferente e as partidas nunca se repetem do mesmo modo.
Para quem prefere o modo offline, existe a opção de jogar só para praticar e se divertir ou de encarar a progressão no ranking de cada esporte. Subir até vencer o nível 1 de cada modalidade é um desafio gostoso no começo, mas confesso que a repetição acaba cansando. Depois de algumas horas no mesmo esporte, a sensação de que as partidas se parecem demais começa a aparecer.
Tudo o que você faz no game rende pontos que podem ser trocados por itens de personalização, e a variedade é boa, com roupas, acessórios e outras opções para deixar seu avatar do jeito que você quer. Você pode jogar com os Miis ou com os novos avatares do jogo, os Sportsmates, que têm bastante estilo. O único porém é que a compra funciona como uma pequena loteria, então você nem sempre recebe o item que está querendo. É um detalhe que incomoda um pouco, mas não chega a estragar a experiência.
Visualmente, o jogo é colorido, simpático e muito fluido. A Wuhu Island tem uma identidade forte, com cenários vibrantes e bem cuidados, e os personagens têm bastante expressão. Não é um jogo que exige o máximo do hardware, mas roda de maneira estável e sem engasgos, o que é essencial para um título em que tempo de resposta importa tanto. O ponto fraco é que alguns esportes acontecem sempre no mesmo cenário, o que cansa depois de algumas partidas.
O jogo conta com textos e menus em português do Brasil, o que facilita muito para quem está começando e para quem vai jogar com amigos ou familiares que não dominam inglês. Os tutoriais são claros e as explicações dos modos são simples de entender.
Mas e aí, o Switch Sports Resort vale a pena?
Para quem, como eu, nunca tinha jogado um jogo de esportes da Nintendo, o Switch Sports Resort foi uma ótima surpresa. Ele não é um jogo profundo, e a gente percebe isso rapidamente nas partidas solo. Mas, quando você tem pessoas ao lado, ele se transforma em um daqueles jogos que viram a festa da sala.
Se você procura algo para reunir amigos e família, essa é uma ótima pedida. Se espera uma experiência solo profunda, vai achar o conjunto todo um pouco raso.
Resumo para Preguiçosos
Switch Sports Resort reúne 12 esportes fáceis de aprender e muito divertidos para jogar com amigos, seja no coop local, online ou no ranking offline. A Luta de Polegares é a melhor novidade e o Tiro com Arco e o Boxe também me divertiram bastante. Sozinho, porém, o jogo fica cansativo rápido, e os modos de exploração com Skate, Lancha e Avião não me prenderam. É um ótimo jogo para reunir os amigos e familiares, mas raso para quem joga sozinho.
Prós
- Fácil de aprender e jogar
- Excelente experiência em grupo
Contras
- Pouca profundidade no modo solo
- Ranking offline repetitivo
- Itens de personalização em formato de loteria

