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My Friend Pedro – Review

Você gosta dos filmes de John Woo? É fã de ballet? E jogos de tiro 2D? Se a resposta para estas três perguntas for sim, seja bem-vindo ao seu novo jogo favorito: My Friend Pedro — e se for não, pode ser que você também goste do jogo, afinal, quem não gosta de ballet em um jogo de tiro 2D?

My Friend Pedro é o lançamento mais recente da desenvolvedora DeadToast e da Devolver Digital, um jogo que leva a palavra “diversão” a outro nível aliando jogabilidade fluida que domina o jogador a uma atmosfera viciante que traz aquele sentimento de “só mais uma fase” (e quando percebemos, três horas se passaram).

Quer saber mais sobre o jogo? Primeiro, é importante que você assista a esse trailer:

O trailer é um resumo de toda a campanha de pouco mais de quatro horas de My Friend Pedro. O game baseia-se principalmente na matança e movimentação do personagem e, apesar de possuir história e alguns diálogos, estes ficam em segundo plano e são completamente esquecíveis.

Em My Friend Pedro o jogador controla um homem desconhecido que usa uma máscara e está claramente sob efeitos de alucinógenos, afinal, ele conversa com uma banana flutuante chamada Pedro que o ensina a matar e, por vezes, o leva a um mundo de sonhos.

Guiado por Pedro, nosso (herói?) enfrenta o mundo do crime, mafiosos e assassinos de aluguel sem muitos argumentos para promover carnificinas. Por muitas vezes o objetivo parece apenas progredir do ponto A ao ponto B para progredir, e isso não é nem um pouco ruim.

Sem dar muita importância à história, o game foca os esforços quase que inteiramente na jogabilidade que possui três pilares: movimentação, tiros e interação com o cenário.

Apesar de ser um jogo 2D, My Friend Pedro se aproveita melhor das mecânicas de movimentação do personagem do que muitos jogos 3D atuais. Além de ser capaz de movimentar-se para frente, trás, cima e baixo, o personagem é um exímio acrobata capaz de dar saltos, piruetas e outros movimentos acrobáticos enquanto atira nos inimigos, deixando livre à imaginação do jogador de que formas os inimigos serão mortos (sim, dá pra matar inimigos durante um salto mortal de costas).

Não obstante, o personagem também é capaz de desviar de balas apenas girando para os lados incessantemente. E, claro, consegue manter-se atirando enquanto desvia de balas.

Some todas as opções de movimentação citadas acima com a habilidade de desacelerar o tempo e crie a imagem mental de um jogo super divertido onde você pode matar uma sala cheia de homens armados dando mortais em câmera lenta usando uma bala para cada um deles. Parece divertido? Calma que fica melhor.

Atirar com as mecânicas de movimentação de My Friend Pedro é um deleite, uma vez que efeitos cinematográficos podem ser aplicados a todas as mortes que acontecem na tela, mas nem sempre isso é um mar de rosas.

As armas disponíveis variam ao longo do jogo, conforme os inimigos aparecem mais fortemente armados e o jogador é capaz de pegar as armas deles. Apesar de ser a mecânica principal do jogo, as armas não possuem munição infinita, o que serve para dar certo toque de realismo e desafio ao jogo.

Além de dominar a movimentação para fazer ataques mais belos, o jogador deve estar atento para recarregar suas armas quando necessário, desviando das balas que vêm ao seu encontro enquanto isso.

Há uma boa diversidade de armas durante a campanha de My Friend Pedro, apesar de o jogo não ser nenhum Borderlands. Cada uma oferece experiências diferentes que devem agradar jogadores diferentes, por exemplo, a escopeta é mortal para tiros de perto, já as berettas duplas permitem que o jogador divida a sua mira e atire em uma pessoa com cada arma.

Já acha a jogabilidade divertida e versátil? Espera que tem mais.

Agora imagine essa cena: você se joga de um prédio com um salto mortal e enquanto cai de cabeça para baixo em câmera lenta, estende seus braços para os lados, com suas berettas carregadas e aperta os gatilhos para atirar em não dois, mas seis (!) inimigos que estão nos andares dos prédios aos lados, já que cada um dos seus tiros ricocheteará em frigideiras que estão caindo do prédio junto com você sabe lá Deus por que.

My Friend Pedro oferece opções de interação com cenários que deixam qualquer Injustice e Mortal Kombat recente no chinelo. O jogador pode usar frigideiras e placas de trânsito para ricochetear tiros, pode chutar facas, bolas de basquete, estômagos e crânios de inimigos mortos e, por que não, fazer tudo isso enquanto anda de skate pelo cenário.

São várias as opções, uma mais insana do que a anterior, que não fazem sentido algum mas que tornam a jogabilidade tão divertida e eletrizante que o jogador pouco se importa com as coisas impossíveis que estão acontecendo, ele só quer um pouco mais — e o jogo tem sempre mais.

As opções de interação vão se expandindo ao longo da campanha, até que começam a se mesclar nas fases (meio que para fazer o jogador mostrar que aprendeu tudo o que foi ensinado). Chegará uma hora em que você pode saltar do seu skate, chutar um galão de gasolina, atirar nele explodindo inimigos, chutar os órgãos dos inimigos mortos matando mais inimigos e sair andando na paz do Senhor em seu skate — claro, tudo isso em câmera lenta.

Os três pilares descritos acima são o que usei para definir My Friend Pedro, mas o verdadeiro trunfo do jogo é a forma como ele une toda essa bagunça em cenários 2D e jogabilidade fluida que permite que o jogador realize cada movimento com extrema naturalidade.

Essa fluidez da jogabilidade e facilidade de realizar ações aparentemente complexas em sequência que desencadeiam eventos en toda a tela que podem ser percebidos em detalhes devido ao recurso de câmera lenta é onde está a magia do game — e, com certeza, o que conquistará a cada um dos jogadores que investir um tempo nele.

My Friend Pedro está longe de ser um jogo perfeito: há alguns problemas de performance e pouca variedade de inimigos, mas são problemas completamente perdoáveis diante das qualidades que o título possui.

No Nintendo Switch houve alguns engasgos que apesar de perceptíveis não atrapalharam a experiência de jogo, mas o principal problema do jogo na plataforma da Nintendo é o mapeamento de botões. Como não há como remapear botões, alguns comandos (como mirar e chutar em sequência) são quase impossíveis de se executar com os botões minúsculos dos Joy-Con.

Isso prejudica muito a experiência do jogador de tal forma que me senti obrigado a mudar para o Pro Controller. Aí sim tive uma experiência realmente prazerosa que me fez começar o jogo de novo jogando da forma “certa”. Portanto, fica o aviso: se você não possui um Pro Controller, compre My Friend Pedro no PC para ter uma experiência verdadeiramente boa com um jogo que de apoia em grande parte nas mecânicas de movimentação e comandos feitos com vários botões.

My Friend Pedro é completamente localizado para Português do Brasil e já está disponível para PC e Nintendo Switch.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Nintendo Switch fornecida pela publisher.

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Resumo para os preguiçosos

My Friend Pedro é um jogo que alia com muito sucesso jogabilidade fluida e repleta de variações e facilidade de realizar comandos complexos em sequência que geram na tela matenças cinematográficas que conquistam o jogador e fazem ele querer sempre mais. A forma despretensiosa como o jogo lida com a história, digamos que descartável, e algumas das mecânicas absurdas que possui é outro ponto positivo.

Aviso importante: é recomendável jogar My Friend Pedro no PC. Adquira-o no Switch apenas se você possui um Pro Controller, assim não terá sua experiência prejudicada.

Nota final

85
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Movimentação bem variada para um jogo 2D
  • Diversidade de armas que alteram a jogabilidade
  • Opções inimagináveis e hilárias de interação com cenário e objetos
  • Jogabilidade fluida
  • Viciante

Contras

  • Problemas de performance
  • Pouca variedade de inimigos
  • Experiência com Joy-Con do Nintendo Swich é muito prejudicada
Rafael Oliveira

Rafael Oliveira faz análise de jogos, filmes e séries regularmente para o Critical Hits, além de postar notícias e artigos esporadicamente. Acha que Shadow of the Colossus é o melhor jogo já feito, é fanboy de Steins;Gate e tem um lugar especial no coração para Platformers, RPGs e Metroidvanias.

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