Mouse: P.I. For Hire – Análise – Vale a Pena – Review

Existe um tipo de charme que é difícil de explicar com palavras, mas impossível de ignorar quando ele está na sua frente. Mouse: P.I. For Hire é um desses jogos que você abre, olha por cinco segundos e já entende exatamente o que a Fumi Games estava tentando fazer, mas será que vale a pena? É o que vamos descobrir na análise de hoje.

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A história de Jack Pepper e a cidade de Mouseburg

Mouse: P.I. For Hire – Análise – Vale a Pena – Review

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Você assume o controle de Jack Pepper, um rato detetive particular dublado por Troy Baker. Jack é um ex-herói de guerra reconvertido em investigador que acaba tropeçando em um caso muito maior do que aparentava. É o tipo de premissa clássica do noir: o cara que só queria fechar o mês no azul acaba no meio de uma conspiração que envolve corrupção, assassinatos e todo tipo de escória da cidade de Mouseburg.

O tom da narrativa acerta em cheio o equilíbrio entre o humor slapstick que o estilo visual pede e o noir policial que a premissa propõe. A história não se leva a sério demais, mas também não vira uma paródia vazia. O roteiro usa os clichês do gênero com consciência, como se soubesse exatamente o que está fazendo, e isso resulta em algo que entretém sem ser previsível o tempo todo.

Mouseburg tem uma sensação de cidade viva e com história própria. Jornais espalhados pelos cenários falam de greves de trabalhadores, partidos políticos emergentes e escândalos locais, construindo um senso de lugar que vai além do que é necessário para o jogo funcionar. É o tipo de detalhe que mostra que os desenvolvedores se importaram com o universo que criaram.

Mouse: P.I. For Hire – Análise – Vale a Pena – Review

Mas vamos ser diretos: a razão pela qual Mouse: P.I. For Hire virou um dos jogos mais comentados antes do lançamento é a direção de arte. O jogo é inteiramente desenhado à mão, quadro a quadro, no estilo rubber hose que definiu os cartoons da década de 1930, aquele mesmo visual de borracha maleável dos primeiros Mickey Mouse, onde os personagens se amassam, esticam e deformam com uma fluidez impossível.

A comparação inevitável é com Cuphead, e ela é justa. Por anos, o jogo da Studio MDHR foi o único exemplo de como usar uma estética de animação retrô de forma tão comprometida e bem executada a ponto de virar uma identidade completa. Mouse: P.I. For Hire não imita o Cuphead, mas entra na mesma conversa com autoridade. A Fumi Games não usou o estilo só como enfeite, ela construiu o jogo inteiro em torno dele.

Cada reação dos inimigos é animada de forma distinta dependendo da arma usada. Queime um inimigo e ele vira uma pilha de cinzas que desmorona no chão. Use outra arma e ele derrete como se fosse cera. Chame de detalhes, mas são esses detalhes que elevam o trabalho artístico de muito bom para verdadeiramente especial. O preto e branco com grão de filme contribui para a imersão, e os backgrounds são tão expressivos quanto os personagens em primeiro plano, com personagens secundários e NPCs reagindo ao que acontece ao redor com animações que parecem tiradas diretamente de um curta de 1934.

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A trilha sonora também é boa e agrega muito na experiência. O big band jazz que acompanha a ação é original e funciona tanto como atmosfera quanto como ritmo para os tiroteios. É o tipo de música que você não percebe o quanto está contribuindo para a experiência até imaginar o jogo sem ela.

No gameplay em si, Mouse: P.I. For Hire é um boomer shooter em primeira pessoa com influências claras do Doom de 2016, especialmente no que diz respeito ao ritmo de movimentação. Jack corre rápido, pula duas vezes, faz wall runs, usa um gancho e dasha em qualquer direção, e o jogo deixa bem claro que ficar parado é uma má ideia. A movimentação é fluida e responsiva, e existe aquela sensação satisfatória de controle que bons shooters precisam ter.

O arsenal é variado: pistola, shotgun, uma arma futurista, dinamite, armas de longo alcance, opções de melee e power-ups que incluem desde uma versão caricata de espinafre que torna Jack temporariamente invulnerável até upgrades de dano puro. Cada arma tem uma identidade própria e o jogo recompensa alternar entre elas de acordo com a situação. Além das armas, Jack pode dar chutes para afastar inimigos e socos que causam uma quantidade de dano surpreendentemente decente.

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Os encontros de combate são projetados para manter o jogador em movimento constante, priorizando alvos e gerenciando posicionamento. Pode virar caótico quando grupos grandes aparecem ao mesmo tempo, mas esse caos faz parte do charme. A dificuldade padrão é acessível, com os inimigos sendo relativamente pouco agressivos. Quem quiser um desafio de verdade vai precisar subir a dificuldade, e aí o jogo muda de cara de forma bastante significativa.

Os levels têm uma progressão linear com espaço para exploração, e o jogo recompensa quem sai do caminho principal com colecionáveis, segredos e rotas alternativas. A verticalidade dos ambientes usa bem o kit de mobilidade do Jack, e cada área introduz algo novo em um ritmo que respeita o tamanho do jogo. Uma mecânica que se destaca bastante é a de usar a cauda do Jack como uma gazua para abrir cofres e fechaduras, navegando pelo mecanismo de travamento em um minigame simples mas muito bem integrado ao universo do jogo.

Entre fases, o jogador retorna ao hub central onde pode conversar com NPCs para conseguir pistas, participar de minigames, fazer upgrades de equipamento e organizar pistas em um mural de investigações. Esse loop de base entre ação e investigação dá um respiro bem-vindo entre os combates e cria uma sensação de progressão mais orgânica.

O que incomoda

Um ponto negativo de Mouse: P.I. For Hire é que o combate, apesar de sólido e bem executado, pode cair em uma certa monotonia nas seções intermediárias. Os encontros seguem um padrão parecido ao longo do jogo, e embora os bosses quebrem essa rotina com mecânicas próprias e bem pensadas, as fases do meio têm momentos onde a ação começa a parecer repetitiva. Não é algo que compromete a experiência, mas é perceptível para quem está jogando.

O desempenho técnico, por outro lado, não dá motivo para reclamação. O jogo roda na Unity, uma engine que historicamente não inspira confiança em otimização, mas a Fumi Games claramente trabalhou bem nesse lado. Em PCs modernos a experiência é consistentemente boa, sem quedas de frame preocupantes mesmo em momentos mais intensos.

Mas e aí, Mouse: P.I. For Hire vale a pena?

Mouse: P.I. For Hire – Análise – Vale a Pena – Review

Mouse: P.I. For Hire é um dos lançamentos mais bem executados do ano justamente porque sabe exatamente o que quer ser. Não tenta ser um jogo enorme, não promete nada que não entrega, e o resultado é uma experiência muito bem amarrada do começo ao fim. A direção de arte é genuinamente excepcional, o combate funciona e a narrativa entretém com um carisma que poucos jogos conseguem sustentar.

Se você tem qualquer afinidade com animação retrô, noir, ou shooters em primeira pessoa com personalidade, Mouse: P.I. For Hire é recomendação direta. É o tipo de jogo que aparece poucas vezes, com uma identidade visual tão forte e tão bem executada que justifica a existência do projeto só por isso, e que ainda assim tem gameplay suficiente para sustentar a viagem.

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Resumo para Preguiçosos

Mouse: P.I. For Hire é um shooter em primeira pessoa com direção de arte rubber hose dos anos 30 executada com um comprometimento impressionante. O combate é fluido, o arsenal é variado e a narrativa noir tem o charme certo para manter o interesse do início ao fim.

A maior crítica é que ele pode ficar bem repetitivo em certos momentos, mas com cerca de 11 horas de campanha, é um excelente jogo para quem curte shooters com personalidade.

Prós

  • Direção de arte executada com maestria
  • Movimentação fluida e combate satisfatório
  • Narrativa noir charmosa com excelente equilíbrio entre humor e seriedade
  • Bom desempenho técnico, inclusive em hardware menos potente

Contras

  • Combate fica repetitivo nas seções do meio da campanha
Valteci Junior
Valteci Junior
Me chamo Valteci Junior, sou Editor-chefe do Critical Hits, formado em Jogos Digitais e escrevo sobre jogos e animes desde 2020. Desde pequeno sou apaixonado por jogos, tendo uma grande paixão por Hack and slash, Souls-Like e mais recentemente comecei a amar jogos de turno e JRPG de forma geral. Acompanho anime desde criancinha e é um sonho realizado trabalhar com duas das maiores paixões da minha vida.