Três anos após atualizar os primeiros capítulos da série Metal Gear para os consoles atuais, a Konami lança o segundo volume de sua Master Collection. Ele era ainda mais aguardado do que o primeiro por trazer consigo a promessa de finalmente permitir que o quarto capítulo da série pudesse ser jogado fora do PlayStation 3.
Além de cumprir muito bem esse objetivo, a nova coletânea também traz consigo uma nova versão de Peace Walker, agora adaptada para o português brasileiro. Para completar o pacote, a empresa também investiu em uma adaptação de Ghost Babel, capítulo exclusivo do Game Boy Color que ganha a chance de conquistar um novo público. Mas será que vale a pena investir no lançamento?
Metal Gear Solid: Master Collection – Volume 2 traz quarto capítulo como destaque
Caso você não tenha interesse em jogar (ou revisitar) Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots, o Volume 2 da Master Collection pode não ser tão interessante assim. O antigo exclusivo do PlayStation 3 é realmente a parte mais importante da coletânea, ressurgindo com visuais e desempenho totalmente adaptados à atual geração dos consoles.
O trabalho da Konami nesse sentido foi bastante admirável, e transmite a sensação de que o jogo era exatamente assim em sua encarnação original. No entanto, basta voltar ao antigo console da Sony para notar que, nele, o game possui texturas e modelos com resoluções muito mais baixas.
A nova versão também se destaca pelos tempos de carregamento bastante curtos e por trazer uma adaptação muito bem-feita ao português brasileiro. Seus únicos pecados incluem algumas texturas de cenário cujo upscale não ficou tão bem-feito, e algumas áreas que parecem excessivamente escuras.
No entanto, isso não muda o fato de que a versão de Guns of the Patriots presente na Metal Gear Solid: Master Collection – Volume 2 é realmente a definitiva. Só tome cuidado com a nostalgia, porque alguns dos pontos do título, como seu gameplay e narrativa, não envelheceram muito bem.
Com uma estrutura bastante linear, o jogo fica em um ponto intermediário entre seus antecessores e o gameplay fluído de The Phantom Pain, que realmente é o auge da série. Já a narrativa é a provavelmente a menos interativa de um trabalho de Hideo Kojima. Em outras palavras, se prepare para intercalar curtos trechos de gameplay com longas cenas que, se bem feitas e interessantes, poderiam se beneficiar um pouco de alguma edição em sua verborragia.
Venha por um, fique por três games e alguns extras
A Metal Gear Solid: Master Collection – Volume 2 também inclui uma nova adaptação da versão HD de Metal Gear Solid: Peace Walker, que também ganhou legendas em português. Ao mesmo tempo que está bem adaptada aos consoles atuais, ela evidência mais as questões de upscale vistas em Guns of the Patriots.
Enquanto o resultado final é plenamente aproveitável, a Konami poderia ter dado uma nova camada de tinta no jogo para o relançamento. No entanto, quem busca por uma história intrigante da série e um gameplay divertido, embora um tanto limitado por suas origens no PSP, não deve ficar decepcionado.
Para completar o pacote, Metal Gear Solid: Ghost Babel continua um dos jogos mais interessantes de toda a série. Embora não tenha sido dirigido por Kojima, ele é uma reimaginação interessante do primeiro capítulo da série lançado para o PlayStation que sabe usar muito bem as limitações do Game Boy Color.
A versão contida no pacote só peca por não trazer uma modernização dos sistemas de controles da original, que usa combinações de Start e outros botões para compensar as limitações do portátil. Além disso, os pixels podem ficar um pouco estourados em monitores e televisões grandes, o que nos leva a crer que o Switch provavelmente é a plataforma mais adequada para revisitar o game.
A Konami também incluiu alguns extras digitais interessantes, como a trilha sonora dos games, um roteiro e um livro que revisita toda a história da série. A terceira opção é sem dúvida a mais interessante, mas aqueles que procuram evitar spoilers devem evitá-la caso ainda não tenham jogado algum dos capítulos da franquia.
Metal Gear Solid: Master Collection – Volume 2 vale a pena?
Enquanto a primeira Metal Gear Solid: Master Collection foi um convite à nostalgia, o Volume 2 é um resgate muito bem-vindo de um jogo preso no passado. Ao trazer Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots para plataformas modernas, a Konami garante que o final da história de Solid Snake e Big Boss finalmente vai poder ser conhecido por uma nova geração de fãs.
Enquanto alguns aspectos do título envelheceram um pouco mal, o trabalho de Hideo Kojima continua forte e é interessante ver o criador da série com liberdade para explorar todas as suas viagens e narrativas únicas. O restante do pacote também vale a pena, embora Peace Walker HD não seja uma novidade tão grande e Ghost Babel não seja o título de maior destaque da franquia.
Agora, resta à Konami decidir se vale a pena terminar de atualizar a franquia para plataformas atuais, garantindo o acesso a spin-offs como AC!D e Portable Ops. Mesmo que isso não aconteça, os jogadores devem ficar felizes de que agora, finalmente, podem acessar facilmente todos os principais capítulos dessa série que marcou época no mundo dos games.
Jogamos Metal Gear Solid: Master Collection – Volume 2 no PlayStation 5 com uma chave fornecida pela Konami.
Resumo para Preguiçosos
Metal Gear Solid: Master Collection – Volume 2 finalmente liberta Guns of the Patriots do PlayStation 3, trazendo consigo várias atualizações visuais muito bem-vindas. Os jogos extras também são positivos, mas não são exatamente a parte mais substancial do pacote. Caso você seja um fã da série, ou queira saber como sua narrativa termina, esse é um lançamento que não pode faltar em sua coleção.
Prós
- Finalmente torna Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots mais acessível
- Faz bons upgrades gráficos em Guns of the Patriots, embora seja mais discreto com os demais títulos da coletânea
- Legendas em português para Guns of the Patriots e Peace Walker
- Peace Walker continua um jogo relevante, e Ghost Babel é uma transformação divertida da série;
- O livro digital sobre a série é um extra de bastante qualidade
Contras
- Algumas texturas mereciam um upscale mais cuidadoso
- Faltou um menu que centralizasse os jogos e tornasse mais fácil alternar entre eles
- Poderia ter mais extras e materiais de bastidores ou de making ofs








