Três anos após o lançamento original, Lies of P chega ao Switch 2 em sua Complete Edition, prometendo toda a experiência completa com o DLC Overture incluído e otimizado para o hardware híbrido da Nintendo. Mas será que essa versão realmente vale a pena? É o que vamos descobrir na análise de hoje.
Já temos uma análise completa da versão de PC do jogo no lançamento que você pode ver aqui. Portanto, essa análise vai apenas pincelar o jogo por cima e focar mais no port para Switch 2.
Um conto sombrio de bonecos e mentiras

Lies of P pega o conto clássico de Pinóquio e o transforma em algo completamente diferente do que estamos acostumados. Aqui não temos um boneco inocente sendo enganado por raposas maliciosas, mas sim um combatente mecânico extremamente habilidoso enfrentando uma cidade tomada por bonecos homicidas. A premissa é simples: uma praga está transformando todos os bonecos de Krat em assassinos violentos, e você, como Pinóquio, é o único com livre arbítrio suficiente para investigar e acabar com isso.
A história em si não é nada revolucionário dentro do gênero, seguindo aquela estrutura clássica de Soulslike onde você vai descobrindo aos poucos o que aconteceu através de diálogos esparsos e descrições de itens. O jogo não entrega tudo mastigado, você precisa prestar atenção nos detalhes e juntar as peças do quebra-cabeça sozinho. Alguns vão adorar essa abordagem mais misteriosa, outros podem achar frustrante a falta de clareza em certos momentos.
Onde a narrativa realmente brilha é na construção de atmosfera e na adaptação criativa dos elementos do Pinóquio original. Ver como o jogo transforma personagens e conceitos do conto clássico em algo macabro e violento é genuinamente interessante. A Fada Azul, Gepeto, o Grilo Falante, todos aparecem aqui de formas completamente diferentes do esperado, e essa subversão constante das expectativas mantém a história fresca do início ao fim.
Combate fluido e desafiador

O sistema de combate foca principalmente em armas brancas, com você começando o jogo escolhendo entre uma espada, um sabre ou uma lâmina estilo rapier. Conforme você explora Krat, mais armas vão aparecendo, cada uma com características únicas que mudam completamente a forma de jogar.
O braço robótico de Pinóquio funciona como uma arma secundária, oferecendo habilidades especiais que vão desde disparar projéteis até criar explosões de área. Assim como as armas principais, você vai desbloqueando diferentes braços conforme explora o mundo, cada um com utilidades distintas que podem mudar drasticamente sua abordagem no combate. Alguns são melhores contra grupos de inimigos, outros funcionam bem para aplicar pressão constante em chefes.
Os chefes são o verdadeiro destaque do combate. Cada um possui padrões de ataque únicos que exigem observação e timing preciso para serem derrotados. Não são apenas sponges de vida gigantes que você fica batendo por dez minutos, são encontros bem desenhados que te forçam a dominar as mecânicas do jogo. Alguns são extremamente agressivos e não dão tempo de respirar, outros são mais lentos mas punem qualquer erro com ataques devastadores. A variedade entre eles é excelente e cada vitória parece genuinamente conquistada.
Visualmente os cenários são lindos, com Krat sendo uma cidade gótica cheia de detalhes macabros espalhados por todos os cantos. As ruas abandonadas, os teatros destruídos, tudo contribui para aquela atmosfera opressiva que o jogo busca. O problema é que essa beleza visual não se traduz em level design interessante. São corredores bonitos, mas ainda assim apenas corredores.
Complete Edition no Switch 2: portabilidade com concessões

Chegamos finalmente na parte técnica, que é provavelmente o que mais interessa para quem está considerando comprar essa versão. E a primeira coisa que preciso dizer é: esse é um port extremamente competente. Os desenvolvedores claramente se esforçaram para otimizar o jogo para o hardware do Switch 2 e o resultado é surpreendentemente bom.
O jogo oferece três modos gráficos quando jogando no dock: Qualidade, Balanceado e Performance. O modo Qualidade prioriza gráficos mais bonitos rodando a 30fps estáveis. Pessoalmente não recomendo para um jogo de ação como esse, mas a opção está lá para quem prefere. O modo Performance foca em manter 60fps sacrificando um pouco da qualidade visual, especialmente nas sombras e resolução. Já o Balanceado tenta ficar no meio termo, oferecendo gráficos decentes com uma taxa de quadros mais alta que o modo Qualidade.
Joguei a maior parte do tempo no modo Performance tanto no dock quanto portátil e a experiência foi excelente. Os 60fps fazem toda diferença em um combate que exige reflexos rápidos e timing preciso. Sim, as texturas ficam um pouco mais borradas e as sombras perdem definição, mas em momento algum isso prejudicou minha experiência. O jogo continua visualmente atraente e, mais importante, joga perfeitamente.
Um detalhe genial que poucos jogos implementam é a possibilidade de escolher perfis gráficos diferentes para o modo dock e portátil. Ou seja, você pode jogar no modo Balanceado quando estiver na TV e automaticamente mudar para Performance quando destravar o Switch 2, sem precisar ficar entrando em menus toda hora. É uma qualidade de vida simples mas que faz toda diferença no dia a dia.
No modo portátil o jogo também roda muito bem, mantendo os 60fps na maior parte do tempo. Existe uma leve queda de resolução comparado ao dock, deixando a imagem um pouco mais borrada, mas na tela de 8 polegadas do Switch 2 isso é bem menos perceptível.
Comparado às versões de PS5 e Xbox Series, obviamente existem concessões visuais. As texturas têm menos definição, as sombras são mais simples e existe um popping ocasional de elementos no cenário, especialmente em corredores longos com várias fontes de luz. Mas se você não ficar procurando diferenças lado a lado, dificilmente vai notar esses detalhes durante o gameplay normal.
DLC Overture incluído

A Complete Edition traz todo o conteúdo do DLC Overture, que adiciona aproximadamente 12 a 15 horas extras de gameplay se você for direto ao ponto, ou 20 horas se quiser completar tudo. A expansão funciona como uma precuela, revelando mais sobre o passado de Krat através de novos cenários como um zoológico abandonado e uma feira de horrores.
O DLC mantém a mesma qualidade do jogo base, com chefes memoráveis e algumas das melhores armas disponíveis no jogo. Também adiciona um modo boss rush após terminar a história principal, permitindo que você enfrente todos os chefes novamente em sequência ou individualmente, podendo inclusive ajustar a dificuldade de cada encontro separadamente. É uma adição legal para quem gosta de testar builds diferentes sem precisar zerar o jogo inteiro de novo.
Mas e aí, Lies of P: Complete Edition vale a pena?

Lies of P: Complete Edition para Switch 2 é facilmente o melhor Soulslike disponível no console e um dos melhores ports que já vi para a plataforma. O combate é excepcional, fluido e extremamente satisfatório, os chefes são memoráveis e o sistema de customização de armas adiciona profundidade suficiente para manter o interesse por dezenas de horas. A história, apesar de não ser nada revolucionário, funciona bem dentro da proposta e a adaptação sombria do conto de Pinóquio é genuinamente interessante.
O port em si é tecnicamente sólido, rodando consistentemente a 60fps no modo Performance tanto no dock quanto portátil, com concessões visuais aceitáveis considerando o hardware. A possibilidade de escolher perfis gráficos diferentes para cada modo de jogo é um acerto tremendo que mais jogos deveriam implementar. Ter todo o DLC incluído pelo mesmo preço de lançamento em outras plataformas também é um grande diferencial.
Análise feita com uma chave de Switch 2 cedida pela publisher.
Resumo para Preguiçosos
Lies of P: Complete Edition chega ao Switch 2 com um port tecnicamente impressionante que mantém toda a essência do combate fluido e desafiador do original. O jogo roda consistentemente a 60fps no modo Performance e inclui todo o conteúdo do DLC Overture, tornando essa a versão definitiva para quem busca portabilidade. Apesar do level design linear, o combate excepcional e a adaptação sombria de Pinóquio fazem dessa uma compra obrigatória para fãs de Soulslike no Switch 2.
Prós
• Combate fluido e extremamente satisfatório
• Port técnico excelente com 60fps estáveis
• Sistema de customização de armas profundo e divertido
• Chefes memoráveis e bem desenhados
• DLC Overture completo incluído
• Perfis gráficos independentes para dock e portátil
• Direção de arte caprichada e atmosfera opressiva
• Edição física completa confirmada
Contras
• Popping ocasional de elementos do cenário
• Puzzles simplistas demais
• Câmera problemática em espaços apertados

