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Judgment – Review

Viver na década de 90 te fazia criar expectativas altíssimas sobre jogos que muitas vezes, não eram tão bons assim. Pelo menos até a Sega anunciar Shenmue, que mesmo antes de ser lançado já fazia todo mundo sonhar com um jogo mágico, formidável, “como se fosse a vida real”, lindo como as luzes de uma noite de verão.

Infelizmente, para decepção geral da nação, Shenmue não foi tão interessante como todo mundo esperava. Não me entendam mal, o jogo era ótimo e muito a frente do seu tempo. O problema é que por aqui, ninguém tinha um Dreamcast e os custos de produção do jogo foram muito maiores do que sua arrecadação. A série recebeu uma sequência posteriormente mas acabou morrendo muito antes de sequer pensar em terminar de contar tudo o que tinha prometido, e nós só vamos saber o que finalmente aconteceu com Ryo neste ano de 2019, quase 20 anos depois do lançamento do primeiro jogo.

Mas se Shenmue serviu para alguma coisa, foi para mostrar à Sega como fazer jogos que misturassem história, tramas confusas e pancadaria. De Shenmue nasceu Yakuza, e de Yakuza nasceu Judgment – ambos não são tão “profundos” em mecânica, mas são com certeza sucessores espirituais do clássico da Sega.

O melhor aspecto de Judgment é apresentar tudo que faltava em Yakuza – ou seja, descer o braço não resolve tudo. Na verdade resolve quase tudo, mas ainda assim você tem inúmeras outras novas mecânicas que “justificam” passar tanto tempo repetindo as mesmas coisas, no mesmo lugar.

Yakuza é um jogo repetitivo, mas que te prende pela história. Judgment por sua vez, aprofunda ainda mais a narrativa e consegue ser uma clara evolução do seu antecessor. O primeiro aspecto a ser destacado é a junção das mecânicas clássicas de exploração com a pegada de detive. Sendo assim, você vê sentido em explorar e prestar atenção nos detalhes de um cenário pequeno, mas ricamente construído e cheio de detalhes.

Os gráficos são na verdade, um caso a parte. De todos os jogos desta geração, ouso dizer que Judgment é um do mais bonitos. Os detalhes chamam a atenção do jogador mais atento, e a interação dos personagens com pequenas poças de água ou vidro dão um aspecto mais realista e ao mesmo tempo cinematográfico, principalmente quando estamos falando de jogar corpos através de uma janela, diretamente na viela abaixo.

Ao jogador, cabe a tarefa de encarnar Takayuki Yagami, um ex-advogado que resolveu trocar os tribunais pela vida da detetive, após livrar um assassino da cadeia. O problema é que após conseguir a absolvição, o cliente do nosso estimado protagonista acabou sendo acusado de outro assassinato, desgraçando a vida do pobre advogado. Yagami então, passa a ganhar a vida usando seus dons dedutivos para resolver pequenos casos como detetive particular, e é ai que começa a história.

Com o passar o tempo você logo nota que a história do nosso amigo detetive não fica muito longe do plot conhecido dos jogadore de Yakuza. Em Judgment você volta a lidar com a máfia japonesa e com todas as histórias malucas com as quais já estamos acostumados. A diferença é que dessa vez você precisa descobrir quem é o culpado, antes de distribuir socos por ai.

Para fazer seu trabalho você vai precisar aprender novas habilidades como seguir pessoas sem ser visto, abrir fechaduras, observar o cenário atrás de pistas e interrogar testemunhas importantes atrás de novas informações. No fim, Judgment parece uma grande mistura entre Yakuza e Ace Attorney, o que apesar de soar bizarro é extremamente recompensador.

Outra novidade diz respeito as side quests, que agora são ligeiramente diferentes do que estamos acostumados. Na maioria das vezes, o objetivo principal será resolver um mistério através das habilidades de Yagami – e claro, descer o braço em algumas pessoas no meio do caminho. Mas existem situações onde a principal arma é a sua capacidade de raciocínio.

Ainda existem as famosas missões de encontros aleatórios no meio da rua, mas o verdadeiro charme do jogo reside justamente na resolução dos casos. Alguns deles são bastante bobos e repetitivos, enquanto outros são mais profundos e contam com uma trama mais elaborada.

É tanta coisa pra fazer com os casos, atividades trivais como jogar shogi e fliperama, visitar cassinos, namorar, voar com seu drone, perseguir pessoas – e perucas – pelas ruas, fazer amigos e comer o máximo que puder pelos restaurantes de Kamurocho, que esquecer da trama principal não é nada difícil. Aliás, o enredo consegue ser, muitas vezes, mais confuso do que deveria. Mas como o objetivo da Sega foi tentar dar uma cara mais séria para Judgment, toda a história é “um pouco” mais pé no chão e suas conexões com casos secundários são muito mais trabalhadas.

A principal meta de Yagami é pegar um serial killer que vem aterrorizando as noites de Kamurocho. Conhecido como “O toupeira”, o meliante é conhecido por assassinar pessoas e arrancar seus globos oculares. Caberá à você investigar estes assassinatos e sua relação com algumas pessoas ao longo da trama, usando todos os recursos necessários para isso.

Como não poderia deixar de ser, a principal atividade do jogo são as brigas. Você vai descer o braço em muita gente durante o jogo, mas por incrível que parece, o sistema de combate me pareceu melhor do que Yakuza. Obviamente ele não é tão complexo quanto nos jogos anteriores, mas é justamente a sua simplicidade que me fez gostar tanto de brigar por ai. Não é necessário que você aprenda movimentos complicados para conseguir fazer movimentos interessantes, tornando a curva de aprendizado muito menor e a diversão muito maior.

São apenas dois estilos para dominar: um dedicado a confrontos individuais, e outro mais indicado para grandes grupos de inimigos. Saber o momento certo de trocar entre os estilos e mais ainda, saber o momento de fugir dos inimigos é crucial para sobreviver, principalmente se você estiver jogando em dificuldades mais avançadas.

A quantidade de atividades secundárias continua imensa, mas infelizmente elas não são pra todo mundo. Todas apesar de oferecerem algo novo, na maioria das vezes não chegam a agregar algo na campanha principal. Perder tempo nos arcades da Sega sempre é legal, mas o shogi por exemplo, não é tão divertido assim.

Por fim, dá pra dizer que Judgment é uma clara evolução de Yakuza, ao mesmo tempo que insere um novo tipo de jogabilidade. Como fã da série original, fico me perguntando o que teremos de novidade em Yakuza 7, já que agora o nível foi elevado exponencialmente.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PS4 Pro fornecida pela SEGA.

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Resumo para os preguiçosos

Judgment é um jogo que atendeu bem aquilo que se prestou: ser um spin-off da série Yakuza. Mas além disso, o game conseguiu inserir novas mecânicas que acabaram por faze-lo ficar ainda mais interessante que seus antecessores. As melhores e piores partes de Yakuza ainda constar aqui, mas dessa vez, com toda uma pegada investigativa.

Nota final

85
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Evolução das mecânicas de Yakuza, com novidades de sobra.
  • Enredo que justifica o acontecimento de investigações paralelas.
  • Sistema de combate simples mas eficaz.
  • Gráficos bonitos e boas atuações dos personagens.

Contras

  • Atividades secundárias ainda são na maioria das vezes, irrelevantes.
  • Repetitividade em alguns aspectos da jogabilidade.
João Víctor Sartor

João Víctor Balestrin Sartor é colaborador e sex-symbol do Critical Hits. Admirador das boas histórias, almeja de verdade escrever um livro algum dia. Divide seu tempo entre à leitura, jogatina, trabalho, engenharia e quando sobra tempo, vive.

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