Hitman nunca foi uma franquia que me chamou a atenção pois eu não costumo ser um fã de jogos onde o stealth é o foco, mas desde que a IO Interactive fez o reboot de Hitman, a franquia pareceu bem mais interessante para mim. Apesar de um grande jogo, o reboot de Hitman tinha no seu principal problema o formato episódico em que o game foi lançado. Felizmente, Hitman 2 não comete esse erro e lança o jogo completo de uma vez, mostrando aos fãs como o jogo pode ser excelente se jogado de uma vez só.

Em Hitman 2, você continua direto do ponto onde a história do primeiro jogo encerrou, ou seja, o Agente 47 agora parte numa missão para caçar o Shadow Client, que passava as missões para ele no jogo anterior, e também para finalmente revelar mais informações sobre o próprio passado.

Quando falamos em continuação direta, basicamente falamos que Hitman 2 é quase que uma expansão do primeiro jogo. A jogabilidade é praticamente a mesma, o que ganhamos aqui são novos mapas e mais alguns alvos para assassinarmos.

Essa sensação de expansão é dada também pelo fato de que Hitman 2, em seu pacote Gold, vem com o pacote completo de fases do primeiro ano de Hitman, para o caso de você nunca ter terminado o primeiro game, afinal, é aconselhável que você tenha jogado este jogo antes de partir para o próximo.

Caso você nunca tenha jogado o reboot de Hitman, falaremos um pouco agora sobre jogabilidade dele. Como você já deve imaginar, o principal objetivo em Hitman é conseguir cumprir seus contratos de assassinato. Para isso, você tem uma série de opções, sejam elas as scriptadas pelo próprio jogo, sejam elas criadas por você.

Em toda fase, você contará com as Histórias dos Episódios, ou seja, algumas formas scriptadas que o jogo te dá para conseguir o seu assassinato de uma forma diferente do que entrar num esconderijo sorrateiramente, matar o alvo e sair de lá de fininho (ou entrar, matar todo mundo incluindo o seu alvo).

A ideia dessas histórias e passar-se por outra pessoa e conseguir acesso ao seu alvo de alguma forma discreta, ou matá-lo em plena luz do dia e fazer essa morte parecer um acidente. Essas são as formas mais fáceis de conseguir os assassinatos, já que o jogo basicamente carrega você pelo braço até os locais onde você deve estar para cumprir as missões.

Essas histórias dentro de cada assassinato são, via de regra, bem divertidas, e há sempre pelo menos duas maneiras de matar cada um dos seus alvos, o que significa que, caso você realmente queria ver tudo o que o jogo tem a oferecer, o ideal é terminar uma fase diversas vezes. O jogo, aliás, te incentiva a fazer isso, já que além de conquistas para cada uma das fases sendo esmiuçadas, entre uma fase e outra o jogo sugere quais histórias você deve completar antes de seguir para a próxima.

Como um jogo que incentiva a sutileza, Hitman até conta com um sistema de combate, mas o ideal mesmo é que você seja furtivo e letal e nunca entre em combates diretos, já que todos os locais onde os assassinatos devem ser feitos são cheios de seguranças, e um combate logo chama a atenção deles para cima de você.

Um dos pontos mais legais do jogo é que ele realmente pensa em todos os detalhes, já que não basta você apenas matar o seu alvo, você pode também esconder o corpo dele para que ninguém o encontre (assim como os corpos de eventuais vítimas que você tenha que fazer para atingir esse objetivo), além de tentar apagar todas as pistas de que você esteve no lugar, como destruir fitas de vigilância, eliminar testemunhas e assim por diante.

No geral, as fases de Hitman 2 apesentam uma boa construção, seja de possibilidades, seja no layout, e não devem em absolutamente nada para o seu antecessor. Além disso, caso você esteja achando o jogo fácil demais (e ele realmente é bem fácil na dificuldade profissional), você pode aumentar a dificuldade para o modo expert, onde as coisas realmente ficam realmente complicadas e ultra realistas.

Como eu comentei acima, a repetição é a palavra chave de Hitman 2, já que além das fases do primeiro jogo, inclusas na versão gold, e das diversas quantidade de modos em que você pode completar as fases do segundo jogo, você ainda tem a possibilidade de criar contratos em fases já jogadas para tentar matar pessoas aleatórias, ir atrás de alvos elusivos (aqueles alvos que ficam disponíveis no jogo por algum tempo, o primeiro deles, aliás, é o Sean Bean, o Nerd Stark de Game of Thrones), e ainda jogar os modos Sniper Mode (o nome é bem sugestivo, né?) e o modo Infection.

Graficamente, Hitman 2 não chega a ser um espetáculo visual. A primeira fase do jogo, aliás, mostra como o game parece ter tido o seu orçamento reduzido em relação ao primeiro jogo, e a falta de cutscenes entre uma fase e outra também são evidências disso (você apenas vê uma série de ilustrações com os diálogos entre os personagens), mas no Xbox One X, o jogo roda a belos 4K nativos e sem engasgos ou travamentos. A trilha sonora do jogo é coadjuvante, mas as dublagens são muito bem feitas.

Mas e aí, Hitman 2 vale a pena?

Hitman 2 é uma excelente coleção de quebra-cabeças que vai fazer os fãs do gênero passarem horas e mais horas jogando as mesmas fases para destrinchá-las da melhor forma possível. O jogo não apresenta inovações em relação ao primeiro título, ou seja, se você gostou dele, você certamente vai gostar de mais do mesmo, ainda mais que é um mesmo de excelente qualidade, mas se você não gostou do jogo anterior, não há nada de novo aqui que vá fazer você querer dar a esse game uma nova chance.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One X fornecida pela Warner Bros do Brasil.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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