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Far Cry: New Dawn – Review

A franquia Far Cry foi colocada em um novo patamar pela Ubisoft com Far Cry 3, que acabou se tornando o ponto de referência de tudo o que foi feito da série após isso. Com Far Cry 5, a companhia conseguiu aproximar-se bastante do sucesso deste terceiro jogo, e agora temos New Dawn, que é uma continuação direta deste como com um projeto menos ambicioso, mas com uma abordagem completamente diferente: um mundo cyberpunk dominado por uma dupla de irmãs gêmeas implacáveis. Como será que esse novo capítulo, que veio menos de um ano após o anterior, se sai?

Apesar de Far Cry New Dawn ser uma continuação direta de Far Cry 5, você não precisa ter jogado o jogo anterior para aproveitar este game. Tudo o que você precisa saber é contado na cutscene inicial do jogo, que fala sobre como o condado de New Hope havia sido dominado pela seita apocalíptica e fundamentalista de Joseph Seed e como ela havia sido derrotada pelo Deputado, o protagonista do game anterior. Apesar de derrotados, a profecia de Joseph Seed acaba sendo verdadeira, e o mundo como conhecemos realmente vem a acabar, e 17 anos depois a vida renasce em tons de roxo e novas organizações surgem.

Ao tentar reconstruir a vida, os sobreviventes da guerra nuclear acabam descobrindo que o Condado de Hope agora é dominado por um grupo chamado “The Highway Men” que são liderados por uma dupla de gêmeas implacáveis: Mickey e Lou. Como de costume, você controla um personagem que deve devolver o Condado de Hope para o povo, e ir recuperando entrepostos e territórios paulatinamente, entre uma missão da história e outra.

Diferente de outros Far Cry, este na verdade acaba sendo bem mais curto, já que a campanha é composta de apenas 22 missões, e diversas delas meio que passam em questão de 5 ou 10 minutos. Exatamente por causa disso, a ideia do jogo para render é meio que forçar você a ter que ir conquistando os territórios de Hope County para poder avançar.

Logo no começo do jogo, após resgatar Tomas Rush, um dos líderes de Prosperity, a comunidade da qual você faz parte, ele pede para você fazer o upgrade da sua base, que basicamente consiste em você recuperar dois dos cinco especialistas (que te dão direito a fazer upgrades em itens como armamento, itens de cura e assim por diante) e ir conquistando as bases dos inimigos para ganhar Etanol, que é a moeda de troca para fazer upgrade nos itens da sua base e assim ter acesso a armas melhores, itens de cura mais efetivos e afins.

Essas bases em questão, ao serem tomadas, te dão uma quantidade baixa de Etanol. Para ganhar mais, você pode desistir da base e deixar os inimigos tomarem conta dela novamente, mas com reforços. Assim, você vai lá e toma a base outra vez e ganha mais etanol, e ainda uma terceira vez, quando eles trazem a artilharia pesada. Você pode fazer isso em cada uma das bases do jogo, e ele meio que recomenda isso para que você realmente consiga melhorar Prosperity até o final.

Com isso, o jogo acaba fazendo você ficar trancado na história em dois pontos chave dele, tudo para “render” e assim você não acabar a campanha em cerca de 5 horas. Ao todo, dá para terminar Far Cry New Dawn com cerca de 12 a 15 horas fazendo boa parte do que o game tem a oferecer, ou seja, até mesmo por isso a Ubisoft decidiu não cobrar os tradicionais 60 dólares pelo jogo (nesse caso, New Dawn sai por 40).

Mas e o tal mundo cyberpunk inspirado em Mad Max que a Ubisoft havia alardeado? Bom, ele até está no jogo, mas sinceramente? Parece mais uma skin cyberpunk do que qualquer tipo de mudança realmente efetiva dentro da dinâmica de Far Cry na qual estamos acostumados. Os inimigos mais parecem ter saído de uma competição de motocross, as bases realmente parecem de algum filme do tipo, as armas são bem bizarras, mas fora essas mudanças estéticas, não há absolutamente nada que remeta a um “Far Cry Mad Max” dentro do gameplay do jogo. Nesse sentido, por exemplo, Far Cry Primal fez um trabalho muito melhor em adaptar o gameplay para realmente fazer você se sentir dentro da era das cavernas, aqui, você praticamente não vê nenhuma diferença em relação a Far Cry 5, o que é bom por um lado, pois Far Cry 5 tem um gameplay divertido e que cansa pouco, mas acaba decepcionando dentro do hype criado pela própria companhia na hora de lançar um “sopro de vida e originalidade” dentro da franquia.

Falando um pouco sobre os antagonistas do jogo, a dupla de irmãs Mickey e Lou sofrem da “Síndrome de Pagan Min” dentro da franquia Far Cry, ou seja, elas aparecem no começo do jogo e depois disso elas só aparecem mesmo umas duas ou três vezes, e você só não esquece delas porque a cada nova base conquistada ou a um novo NPC resgatado, elas mandam alguma mensagem de rádio falando sobre como o que você fez não vai te ajudar em nada (apesar de ajudar sim), ou seja, elas poderiam aparecer mais na campanha, ainda que a campanha seja bem curta e boa parte dela revolva em torno de você melhorar a sua base.

Como não há uma moeda dentro do jogo como em outros Far Cry, New Dawn funciona por meio do escambo. Você encontra certos componentes como molas, circuitos, titânio e afins espalhados pelo mapa e também pode obtê-los trocando com os mercadores por peles dos mais diferentes animais que você caça pelo jogo. Alguns deles são animais do nosso mundo de verdade, e outros são animais que sofreram mutações genéticas graças ao holocausto nuclear, e que aguentam porradas bem grandes e oferecem um desafio secundário bem legal.

No fim das contas, às vezes a história do jogo parece até um pouco sem direção, já que em muitos momentos eu parei para me perguntar se o que eu estava fazendo realmente estava ajudando as pessoas de Prosperity, afinal, o real confronto contra as duas irmãs é bem curto e acontece só pro final do jogo, mas, exatamente pela Ubisoft ser uma mestre em fazer o jogador se sentir útil e recompensado por explorar o mapa e tomar novos objetivos, esse problema acaba ficando em segundo plano.

Ainda vale ressaltar que a companhia fez uma mudança interessante no combate do jogo, que agora exibe pontos de dano quando você atira em inimigos, animais e afins, meio que como um Borderlands da vida, algo inédito dentro da franquia. Apesar disso, não há exatamente um sistema de RPG em Far Cry New Dawn, ou pelo menos esse sistema não há para o personagem principal. Os seus capangas sobem até três níveis conforme o número de inimigos que eles matam, mas a sua progressão é feita tanto pela melhoria da base quando pelos perks que você vai desbloqueando conforme cumpre certos desafios.

Graficamente, Far Cry New Dawn é um belo jogo. Apesar de ser um projeto menos ambicioso do que Far Cry 5, a estética dos gráficos com cores neon acabou ficando muito bonita, e os visuais dos inimigos e dos próprios animais de Hope County ficaram bem feitos. A trilha sonora do jogo também é interessante, e o jogo ganha pontos por ter sido localizado.

Mas e aí, Far Cry New Dawn vale a pena?

Far Cry New Dawn é um bom Far Cry, ainda que seja bem menos ambicioso do que qualquer outro capítulo dentro da franquia. Vale ressaltar que se você está esperando um “Far Cry Mad Max” você provavelmente vai se decepcionar, já que este é apenas um Far Cry com visual Cyberpunk e não um Far Cry com gameplay Cyberpunk. Para completar, as vilãs do jogo são meio ausentes, e a campanha em si seria bem mais curta se o jogo não usasse de alguns artifícios pra fazer você ter que ir completando o mapa para avançar.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One X fornecida pela Ubisoft do Brasil

Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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