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Dragon Ball Z: Kakarot – Review

Dragon Ball Z é um anime presente na infância e adolescência de praticamente 9 entre 10 pessoas que cresceram nos anos 90 e 2000, então é natural que Dragon Ball Z: Kakarot chame a atenção de quem ficou dias e mais dias esperando pelos tais 5 minutos que restavam para Namekuzei explodir, por exemplo.

Mas será que esse novo jogo da Bandai Namco, cujo objetivo é recontar todas as aventuras de Goku e seus amigos, consegue ser o jogo definitivo da franquia de Akira Toriyama? É o que vamos descobrir hoje.

Em Dragon Ball Z: Kakarot, você controla Goku e seus amigos e tem como objetivo reviver as sagas do anime que dá nome ao jogo. O game começa mais ou menos da mesma forma como o anime, ou seja, com Goku e Gohan saindo para procurar comida e para que o nosso Saiyajin favorito aproveite para treinar um pouco escondido.

O jogo logo dá o ritmo mais lento que você vai encontrar durante toda a sua aventura. Quando eu digo ritmo lento, eu não estou exagerando, tem momentos em que o jogo é dolorosamente lento, e acaba se arrastando demais.

O motivo dessa lentidão toda na maioria das vezes acabam sendo as conversas em demasia e os caminhos que você precisa fazer para ir de uma sequência de luta até a próxima, mas as cutscenes acabam sendo as grandes vilãs mesmo em deixar o jogo bem menos dinâmico do que ele deveria ser.

Para vocês terem uma ideia de como as coisas são dolorosamente lentas, a saga dos Saiyajins, ou seja, a chegada e derrota de Raditz, e as chegadas e derrotas de Vegeta e de Nappa, me consumiram algo em torno de 5 horas, e isso que eu tive que acelerar as coisas em vários momentos pois eu não aguentava mais a enrolação e queria seguir adiante.

Esta é a saga mais rápida do jogo, agora imaginem o tempo que não custou para fazer as sagas de Freeza, Cell e Majin Buu. Além disso, entre cada saga, você tem uma espécie de “intervalo comercial” onde o seu personagem fica livre no cenário para fazer mais algumas quests opcionais (que geralmente envolvem você procurar itens no mapa ou derrotar algum inimigo) para ganhar pontos de experiência e itens que podem ser usados para melhorar seu personagem.

Como estamos falando de um jogo de Dragon Ball Z, um combate de qualidade é fundamental, e infelizmente o combate de Dragon Ball Z: Kakarot deixa a desejar. Para quem é veterano dos jogos da franquia, ele vai lembrar bastante o combate de Dragon Ball Xenoverse, mas uma versão simplificada dele.

Aqui, você conta com um botão de ataque, um botão de defesa (que pode ser usado nos contra-ataques também), um botão de carregar o Ki, um botão de raios de ki e um botão de assistência dos seus colegas. Na hora de lutar, o que você tem que fazer basicamente é apertar o botão de ataque até ver o seu inimigo beijar a lona. Funciona assim contra 95% dos adversários, ou seja, os que você luta em encontros aleatórios espalhados pelo cenário.

Contra os chefes, muda um pouco a figura. Talvez por causa de um sistema de combate tão simples, a Bandai Namco teve que transformar os chefes de Dragon Ball Z: Kakarot ou em completos cones ou em inimigos apelões que ficam usando especiais a todo momento.

Quando um inimigo usa um especial, ele não é paralisado pelos seus ataques, e assim você tem que bloquear o golpe do inimigo ou ser atingido por ele e você ficar paralisado. O problema é quando os inimigos resolvem só fazer isso e não tentam brigar com você com golpes normais. Há diversos chefes que ficam só assim, ainda mais quando estão com a vida perto do fim, onde eles resolvem apelar e só usar os golpes mais fortes deles.

No final das contas, o sistema de combate de Dragon Ball Z: Kakarot acaba fazendo um mau serviço em recriar as lutas épicas de Dragon Ball Z, e mais lembra os sistemas de combate de jogos de anime com qualidade duvidosa das gerações passadas, o que é infelizmente um desperdício de oportunidade.

Durante a luta, é possível usar itens de cura e de melhora de status, que podem ser comprados com dinheiro que você obtém ao vender itens que você pode pegar pelo mapa do jogo. Além disso, também é possível obter itens nas missões do jogo e também e mini missões especiais, como destruir torres do Exército Red Ribbon ou as naves espaciais do Exército de Freeza.

O mapa de Dragon Ball Kakarot é interessante em alguns pontos e monótono em outros. Ele é composto de grandes áreas que representam alguns lugares chave do jogo, como a Cidade do Leste, a Casa do Mestre Kame, a Casa de Goku e assim por diante.

Em cada uma dessas áreas, você vai encontrar inimigos para enfrentar, animais para caçar e peixes para pescar, e alguns itens escondidos. Além disso, você também conta com áreas para treinar e aprender novas técnicas e esferas de energia que servem para você melhorar as suas técnicas já existentes.

Essas esferas de energia são bolotas coloridas que ficam flutuando pelo cenário, e o seu objetivo é pegar quantas você conseguir delas. É possível obtê-las também ao enfrentar inimigos, e há chances de que você ganhe o suficiente apenas no combate, mas há certas técnicas que custam bastante, e também seguir por esses caminhos costuma ser o caminho mais rápido para o seu objetivo, então elas estão ali para que a sua atividade de ir de A a B seja recompensada.

Uma novidade interessante de Dragon Ball Z: Kakarot é o Fórum da Comunidade, um lugar onde você coloca peças dos personagens de Dragon Ball Z em certos tabuleiros e eles te dão bônus diversos para ajudar a sua aventura. O tabuleiro de combate, por exemplo, serve para dar bônus no combate, mas há outros tabuleiros como o de invenções, aventura e treinamento.

Além disso, também é possível ganhar bônus de combate temporário consumindo comidas. Essas comidas são obtidas com os animais que você caça, as frutas que você pesca e também, e você pode cozinha-las você mesmo ou pedir para a Chi Chi fazê-las para você. Nesse caso, é possível fazer banquetes, que dão bem mais bônus de batalha.

Como eu havia comentado anteriormente, o grande ponto forte de Dragon Ball Z: Kakarot é a quantidade de conteúdo que o jogo possui. Ele é um RPG gigantesco, que realmente se preocupa em contar como o anime se desenvolveu (ainda que corte algumas cenas, como o mais de 8 mil do Nappa) e também revelar alguns detalhes que não foram contados nem no anime e nem no mangá.

Ao todo, você pode esperar passar das 40 horas com facilidade, afinal de contas, o jogo realmente leva bastante tempo para prosseguir em vários momentos, e é daqueles que você precisa liberar a sua agenda por uma ou duas semanas (ou até um mês no caso do pessoal mais ocupado) para completar com parte dos opcionais feitos.

Graficamente, o jogo é bem bonito e recria os visuais característicos da franquia de Akira Toriyama com fidelidade. Não há muitas diferenças de visual entre o Xbox One normal e o Xbox One X, o que muda são os tempos de carregamento e um engasgo aqui e outro ali, algo que deve se repetir na comparação entre o PS4 e o PS4 Pro, mas mesmo que você jogue numa versão antiga do console, ou num PC mais antigo, você provavelmente não vai ter grandes problemas para fazer o game rodar satisfatoriamente.

A trilha sonora de Dragon Ball Z Kakarot é outro ponto positivo do jogo. Várias das músicas clássicas do anime tiveram uma versão orquestrada feita para o jogo, e o resultado disso é um banho de nostalgia. Além disso, a biblioteca de efeitos sonoros que estamos acostumados a ver nos combates de Goku e Vegeta também está aqui.

Porém, vale ressaltar um detalhe importante: o jogo só está dublado em inglês e em japonês, ou seja, nada da dublagem clássica que nos acostumamos a assistir no Cartoon Network, Bandeirantes ou TV Globinho. É uma pena.

Mas e aí, Dragon Ball Z: Kakarot vale a pena?

Dragon Ball Z: Kakarot é o clássico jogo de anime com combate de qualidade duvidosa e uma verdadeira tonelada de fanservice. Quem gosta de jogos de anime vai gostar, mas quem é fã de RPG provavelmente vai se cansar com o ritmo lento do jogo e com o sistema de combate extremamente simples.

No fim das contas, o potencial que o jogo tinha de ser a experiência definitiva dos fãs de Dragon Ball Z acaba sendo colocado fora. Quem sabe numa próxima oportunidade, não é mesmo?

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One e Xbox One X fornecida pela Bandai Namco do Brasil.

Resumo para os preguiçosos

Dragon Ball Z: Kakarot é o clássico jogo de anime com combate de qualidade duvidosa e uma verdadeira tonelada de fanservice. Quem gosta de jogos de anime vai gostar, mas quem é fã de RPG provavelmente vai se cansar com o ritmo lento do jogo e com o sistema de combate extremamente simples.

No fim das contas, o potencial que o jogo tinha de ser a experiência definitiva dos fãs de Dragon Ball Z acaba sendo colocado fora. Quem sabe numa próxima oportunidade, não é mesmo?

Nota final

70
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Belos gráficos
  • Toneladas de conteúdo e expansões nas histórias de alguns personagens do universo de Dragon Ball Z
  • Trilha sonora com versões orquestradas das músicas clássicas do anime

Contras

  • Sistema de combate simples demais
  • Inteligência artificial dos inimigos problemáticas: ou eles não fazem nada, ou ficam spammando magias na sua cara
  • Ritmo extremamente arrastado do jogo em vários momentos desnecessários
  • Mundo aberto pouco interessante
  • Sem dublagem em português
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