Quem nunca sonhou em dar drift com seu próprio trem? Denshattack! desafia os conceitos convencionais de videogame para tentar entregar uma experiência inovadora e divertida. Mas será que realmente vale a pena? É o que vamos descobrir na análise de hoje.
Uma premissa simples que esconde algo maior

A história de Denshattack! acompanha Emi Araki, uma entregadora de ramen que usa seu trem para fazer entregas pela cidade de Oita. Logo nos primeiros minutos de jogo, a vida pacata de Emi vira de cabeça para baixo quando ela conhece Fernando Tamashiro, um fotógrafo e fã de carteirinha da cultura Denshattack. Impressionado com as habilidades de Emi nos trilhos, ele a convence a se tornar uma Denshattacker profissional.
A partir daí, acompanhamos a jornada de Emi enquanto ela viaja de região em região, enfrentando campeões locais, aprimorando suas técnicas e melhorando seu trem para se tornar a melhor Denshattacker de todas. A narrativa em si é simples e direta, sem grandes reviravoltas ou drama pesado, mas compensa isso com personagens carismáticos e cheios de personalidade que tornam cada encontro memorável.
Conforme a história avança, mais detalhes sobre esse Japão distópico vão sendo revelados através de diálogos entre personagens e pequenos segmentos de TV que aparecem entre os capítulos. A forma como o jogo constrói esse mundo sem jogar tudo na sua cara de uma vez é surpreendentemente elegante, fazendo você montar o quebra-cabeça aos poucos enquanto se diverte com a gameplay frenética.
Minha única reclamação é que a conexão emocional com os personagens principais poderia ser mais forte. Emi é carismática e divertida, mas senti falta de mais momentos que aprofundassem sua motivação além de simplesmente querer ser a melhor. Os personagens secundários são todos legais e divertidos, mas acabam não saindo muito além de arquétipos bem executados. Nada disso prejudica a experiência, mas impede a história de alcançar um patamar verdadeiramente memorável.
Gameplay viciante que mantém a adrenalina lá em cima

Deixando a narrativa de lado, é na gameplay que Denshattack! realmente mostra suas garras e entrega algo genuinamente especial. Controlar o trem de Emi é uma experiência única que mistura elementos de jogos de skate, parkour e plataforma de forma completamente orgânica e extremamente satisfatória.
O jogo te joga direto na ação com velocidade alucinante desde o início. Você vai fazer drifts nos trilhos, pular de linha em linha, fazer grind em tubulações, andar pelas paredes, executar manobras absurdas no ar e muito mais. A sensação de encadear combos perfeitamente enquanto desvia de obstáculos perigosos em alta velocidade é simplesmente viciante, cada acerto parece uma pequena vitória que te motiva a continuar melhorando.
O controle é surpreendentemente intuitivo considerando a quantidade de coisas que você pode fazer. O analógico esquerdo controla o movimento enquanto o direito executa as manobras, com os botões adicionando camadas extras de possibilidades conforme você avança no jogo. No começo, tudo é relativamente simples: você consegue pular e fazer algumas manobras básicas. Mas Denshattack! não para de adicionar novas mecânicas e habilidades durante toda a campanha, fazendo com que fases que pareceriam repetitivas no começo ganhem vida nova com as ferramentas que você vai desbloqueando.
Essa progressão constante de habilidades é uma das maiores forças do jogo. Quando você acha que já dominou tudo e está confortável com o sistema, o jogo te apresenta controle de grind, wall riding, novas manobras e várias outras mecânicas que mantém a experiência sempre fresca.

A variedade não fica limitada apenas ao seu conjunto de habilidades. As próprias fases mudam constantemente de formato para te manter sempre alerta. Alguns níveis te desafiam a conseguir a maior pontuação possível antes do tempo acabar, outros colocam você em corridas contra trens rivais ou te jogam em arenas mais abertas com múltiplos objetivos para completar.
As lutas contra chefes merecem destaque especial. Cada rival que você enfrenta oferece uma batalha memorável e cinematográfica que parece ser o evento principal do capítulo correspondente. São momentos empolgantes que testam tudo que você aprendeu até ali e sempre deixam aquela sensação de “mais um!” quando você finalmente consegue vencer.
Fora da progressão principal, o jogo oferece bastante conteúdo extra na forma de colecionáveis e opções de customização para seu trem. Você pode caçar sprays escondidos pelas fases e desbloquear visuais novos conforme avança na história. Não é nada revolucionário, mas adiciona aquela motivação extra para revisitar fases antigas e explorar cada cantinho.
Visualmente, Denshattack! é um verdadeiro espetáculo para os olhos. O jogo adota uma estética punk-anime vibrante e colorida que casa perfeitamente com o tema maluco da proposta. Cada prefeitura que você visita tem sua própria identidade visual única, fazendo com que você nunca sinta que está jogando a mesma coisa repetidamente. Os efeitos visuais são excelentes, com cores vibrantes que explodem na tela sem nunca poluir demais ou dificultar a visibilidade.

A direção de arte é consistentemente forte do início ao fim, com designs de personagens memoráveis e cenários que misturam elementos futuristas com a estética tradicional japonesa de forma criativa. Toda a apresentação visual parece ter saído direto de um anime dos anos 90, mas com o polish e acabamento de um jogo moderno. É uma combinação que simplesmente funciona e torna Denshattack! visualmente distinto de qualquer outra coisa no mercado atual.
As animações também merecem elogios. Tudo flui de forma extremamente suave, com transições perfeitas entre as diferentes manobras que você executa. Mesmo com toda a velocidade e caos acontecendo na tela simultaneamente, o jogo roda perfeitamente no PS5 sem nenhum problema de framerate ou travamento. É claro que os desenvolvedores se preocuparam em otimizar a experiência para garantir que nada atrapalhasse a fluidez característica da gameplay.
A trilha sonora é outro ponto altíssimo do jogo. Cada track é cuidadosamente selecionada para elevar a sensação de alta octanagem de cada fase. As músicas durante as corridas e lutas contra chefes são especialmente marcantes, fazendo seu coração acelerar junto com a ação na tela. Mas até as músicas mais calmas nos menus e cenas mais tranquilas são excelentes e ajudam a criar a atmosfera única que o jogo possui.
Mas e aí, Denshattack! vale a pena?

Com cerca de 10 a 12 horas para completar a campanha principal, Denshattack! é uma experiência refrescante que mistura influências clássicas com ideias completamente malucas de forma surpreendentemente coesa. A gameplay viciante e em constante evolução mantém você grudado no controle do início ao fim, e o estilo visual único garante que essa seja uma aventura memorável.
Para quem valoriza gameplay acima de tudo, busca algo genuinamente diferente ou simplesmente quer um jogo que não tenha medo de ser absolutamente maluco e se divertir com isso, Denshattack! é uma recomendação fácil. É o tipo de jogo que me faz lembrar porque amo videogames em primeiro lugar: pura diversão sem desculpas, criatividade desenfreada e uma experiência que você simplesmente não vai encontrar em nenhum outro lugar.
Análise feita com uma chave para PS5 cedida pela publisher.
Resumo para Preguiçosos
Denshattack! é uma experiência viciante e refrescante que mistura elementos de skate, parkour e plataforma de forma única enquanto você controla um trem em alta velocidade. A gameplay em constante evolução e o visual vibrante punk-anime garantem diversão do início ao fim. Para quem busca pura diversão sem desculpas e algo genuinamente diferente, este é um dos jogos mais criativos e empolgantes disponíveis no PS5.
Prós
- Gameplay viciante que mistura skate, parkour e plataforma perfeitamente
- Progressão constante de habilidades mantém a experiência fresca
- Visual punk-anime vibrante com excelente direção de arte
- Trilha sonora empolgante que eleva cada momento
- Lutas contra chefes memoráveis e cinematográficas
- Roda perfeitamente no PS5 sem problemas de performance
Contras
- Curva de aprendizado inicial íngreme com muita informação de uma vez
- Conexão emocional com personagens poderia ser mais forte
