Darksiders é uma franquia que fez bastante sucesso na época do Xbox 360 e do PS3, nos dias áureos da THQ. Infelizmente a empresa não está mais entre nós na sua forma original, ainda que boa parte do espólio dela tenha sido adquirido pela Nordic, que acabou virando a THQ Nordic e agora nos presenteando com a continuidade da franquia Darksiders 3. Com uma proposta um pouco mais espartana que os jogos originais, será que Darksiders 3 consegue honrar a história dos Cavaleiros do Apocalipse?

Em Darksiders 3, você controla a Cavaleiro Fúria, que tem como objetivo principal ir atrás dos Sete Pecados Capitais, que foram soltos na Terra em meio à guerra entre Anjos e Demônios. Ainda que relutantemente, Fúria acaba aceitando essa missão, com a condição de que ela seja colocada como capitã dos Quatro Cavaleiros após cumprir esta tarefa.

Para cumprir essa tarefa, Fúria deve navegar pelo que resta da Terra num cenário apocalíptico de destruição completa, mortes, demônios, anjos e criaturas vagando por tudo, todos obviamente querendo impedir que você cumpra essa tarefa, mas não são só eles, afinal, os Pecados Capitais também meio que não vão querer ser mortos e capturados, então você tem uma boa quantidade de inimigos para se preocupar.

A primeira impressão que Darksiders 3 deixa é que estamos numa verdadeira viagem no tempo. Fazia muito tempo que eu não jogava um jogo que mais parecia ter saído da era do PlayStation 2 em termos de jogabilidade e de design de mapa. As fases do jogo são cenários mais ou menos abertos onde você tem que ir atrás do objetivo, ou seja, dos Sete Pecados, passando pelos inimigos que você encontra pelo caminho, fora áreas que você não consegue acessar inicialmente e tem que voltar após adquirir os upgrades certos para continuar na sua jornada.

Apesar de um mundo semi-aberto, a progressão do jogo é bastante linear. Você começa já em cima de um dos Pecados Capitais, e após vencê-lo, você ganha um item que sela a alma deles dentro dele, e então deve ir atrás dos outros seis, um de cada vez, em cenários diferentes.

Além dos inimigos, você ainda tem o desafio de às vezes não saber exatamente pra onde você tem que ir, apesar do jogo apontar com uma seta onde está o próximo objetivo, seja porque o cenário é confuso, seja porque ele realmente faz um péssimo trabalho em indicar que você deve entrar nos buracos.

Outro problema do jogo é que o componente de plataformas dele não funciona como deveria. Volta e meia Fúria tem que acessar obstáculos em lugares mais algos do que ela está e você tem que tentar uns 3 ou 4 pulos até a personagem conseguir agarrar-se na beirada que você quer que ela fique.

Para derrotar os inimigos do jogo, Fúria conta com o chicote dela inicialmente e outras armas que ela vai adquirindo conforme o jogo avança. Cada uma dessas armas tem o seu próprio moveset e combos, além de especiais próprios. Cada uma das armas pode ganhar upgrades, assim como Fury pode subir de nível e aumentar tanto o seu dano normal, arcano quanto sua vida, para assim sobreviver a mais ataques.

O sistema de combate do jogo infelizmente não é dos bons. O esquema de botões acaba sendo confuso (você segura o botão LT para focar num adversário, aperta RB para desviar, X ou Y para atacar e A para pular), e não há como mudar essa configuração, que acaba ficando meio confusa às vezes e pode acabar resultando em mortes porque você queria fazer uma coisa e o personagem acabou fazendo outra completamente diferente do esperado.

Os inimigos em geral não costumam apresentar um grande desafio sozinhos, o problema é quando eles enchem a tela e Fúria tem que enfrentar eles sozinha, e isso acaba acontecendo mais vezes do que deveria, trancando você em alguns pontos do jogo onde você acaba se irritando e só querendo passar o mais rápido possível para se livrar daquilo.

No geral, tanto o combate do jogo quanto o design de fases acaba lembrando jogos da época do PlayStation 2 e do começo de vida do PS3 e do Xbox 360, ou seja, um estilo de design que envelheceu mal, e que mais parece adequado para jogos de criança na atualidade do que para jogos AAA, em teoria, para um público mais maduro e acostumado com produções muito mais ambiciosas do que Darksiders 3.

Soma-se a isso a total falta de carisma da personagem principal do jogo. Eu não sei se a ideia da THQ Nordic foi fazer uma “Mulher Kratos” sem a mínima paciência para nada, mas isso, a total arrogância da personagem e a relutância dela em interagir com qualquer outro personagem acabaram tornando-na não numa “badass” e sim numa personagem chata pra caramba que acaba me fazendo rolar os olhos toda vez que ela tem que interagir com alguém.

Graficamente, o jogo não é bonito. Como eu comentei acima, a ideia de Darksiders 3 era ser uma produção menos ambiciosa do que as anteriores, e se o jogo conta com jogabilidade da época do PS2, os gráficos parecem mais os de um jogo de PS2 remasterizado para o PS3. Eu joguei a versão do jogo de Xbox One X dele e dei uma olhadinha na versão de PS4 Pro (enviada pelo pessoal da Eco Games) e mesmo nesses casos o jogo não está bonito. Falando um pouco sobre a trilha sonora do game, ela não prejudica em nada a experiência, e via de regra, os dubladores fizeram um bom trabalho na hora de interpretar os personagens.

Mas e aí, Darksiders 3 vale a pena?

Darksiders 3 lembra bastante um jogo da época do PlayStation 2 em todos os sentidos, seja na jogabilidade, seja nos gráficos, seja na trilha sonora. Ele definitivamente não é um AAA e provavelmente você vai adorar pela nostalgia ou achar um jogo insosso. Eu acabei ficando no segundo grupo.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One X enviada pela THQ Nordic.

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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