Call of Duty: Modern Warfare 4 – Análise – Vale a Pena – Review

Call of Duty: Modern Warfare 4 chega com uma missão clara: fazer a gente voltar a gostar de Call of Duty. Depois de alguns anos de campanhas esquecíveis e de uma fórmula que já estava dando sinais de cansaço, a Infinity Ward volta ao comando da série com um jogo que tenta ser mais ousado, sem abandonar o que faz da franquia o que ela é. Mas será que ela conseguiu?

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Um soldado armado avança por uma zona de combate escura, com um prédio em chamas ao fundo.

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Em Call of Duty: Modern Warfare 4, a história começa com a Coreia do Norte lançando uma invasão em larga escala que ameaça a estabilidade do mundo todo. Você acompanha um esquadrão de jovens soldados sul-coreanos lutando para sobreviver enquanto as linhas de frente desmoronam, e, ao mesmo tempo, o Capitão Price toca uma campanha pessoal, nas sombras e longe de qualquer autorização, fugindo de quem o caça. Cedo ou tarde, as duas histórias se encontram, e o conflito se espalha pelo mundo, passando por lugares como Paris, Mumbai e Nova York.

Vou direto ao ponto: a campanha de Modern Warfare 4 é a melhor que a série entrega em anos. E boa parte disso vem da variedade. Quem acompanha Call of Duty há muito tempo conhece bem a sensação de jogar uma campanha que parece feita no piloto automático, com a mesma estrutura de sempre: chega num lugar, atira em todo mundo, sai de lá e repete. Aqui o jogo tenta fugir disso o tempo todo, e consegue.

Um Operador se move por uma rua urbana densamente povoada, repleta de placas, destroços e ação de combate.

O jogo não se contenta em ser um corredor de tiro atrás do outro: ele alterna entre momentos mais calmos, missões frenéticas, perseguições e até uma missão em “mini mundo aberto”, onde você tem objetivos principais e secundários para ir atrás do seu jeito. Isso quebra o ritmo da maneira certa, e eu raramente senti que estava fazendo a mesma coisa duas vezes seguidas. Os momentos mais tranquilos dão espaço para a história respirar, as perseguições deixam o coração acelerado, e quando o jogo decide que é hora de pisar fundo, ele pisa. É uma montanha-russa bem montada, e a sensação de que cada missão tem uma identidade própria é o que mais pesa a favor da campanha.

Price encara o futuro em um ambiente urbano desafiador.

A história também merece destaque. Ela cai nos clichês de sempre da série, mas ainda assim é uma boa história, com boas interpretações que seguram o drama mesmo quando o roteiro segue o caminho mais previsível. As partes em que você vive um soldado norte-coreano são realmente boas e mostram um lado do conflito que a série raramente se arrisca a mostrar.

E é muito legal, depois de tanto tempo, ver Call of Duty se posicionar de novo, depois de tantos anos com jogos que inventavam países e fingiam que o mundo não tem lugares muito ruins de verdade. Aqui o jogo assume um conflito com cara de real, e isso dá um peso diferente a cada missão.

Two armed Operators move between a damaged bus and stacked tires in a vehicle-strewn combat zone, advancing through debris and overgrown vegetation while covering different angles.

O gunplay, como esperado, é muito bom, e o mais importante: não existem aqueles momentos realmente frustrantes que apareceram em outras campanhas da série. Nada de parede de inimigos injusta ou checkpoint que parece uma pegadinha. Quer dizer, quase nada. Teve um ponto específico da campanha em que o autosave me traiu e me jogou numa situação em que eu precisava fazer TUDO perfeitamente para não morrer, senão eu teria que recomeçar a missão inteira. É um defeito pequeno no meio de uma campanha tão boa, mas que dá raiva na hora, e vale o aviso: quando o jogo deixar, salve manualmente se tiver essa opção.

Fora da campanha, temos o modo DMZ, que volta como um modo à parte e se passa em Hajin, uma cidade fictícia coreana devastada por um acidente em um reator nuclear. Aqui o jogo muda de cara: você escolhe missões, entra num mundo compartilhado com outros jogadores e precisa decidir se vai arriscar tudo ou sair vivo com o que conseguiu.

Os Operadores se deslocam por uma zona de combate externa acidentada.

Se um operador cai, ele perde o equipamento e fica desaparecido, e trazê-lo de volta custa dinheiro, o que deixa cada decisão com mais peso. O clima também muda ao longo da partida, passando de sol para neblina, chuva ou neve, e isso ajuda a deixar tudo menos previsível. É uma jogabilidade bem diferente do resto do pacote e, na minha opinião, um novo motivo para muita gente voltar a Call of Duty. Só um detalhe importante: o DMZ não é gratuito, você precisa ter comprado o jogo.

Já o multiplayer é apenas bom. A base funciona, o gunplay continua sólido e o modo cumpre o que promete, mas os mapas não me empolgaram, e a Activision já entregou mapas melhores em outros jogos da franquia. Não é um multiplayer ruim de forma alguma, só que ele está longe de ser o grande destaque desse lançamento, e quem esperava uma reinvenção vai sair com a sensação de “ok, é bom e só”.

Two armed Operators sit inside a dimly lit transport vehicle, carrying tactical equipment and weapons while preparing for a mission during transit.

Graficamente, Modern Warfare 4 é belíssimo. Cenários, iluminação, animações e o detalhe dos ambientes deixam o jogo com uma cara de produção gigantesca, e as missões em locais diferentes ajudam a mostrar isso. A dublagem é ótima, e o jogo também conta com dublagem em português do Brasil, o que é sempre muito bem-vindo. A trilha sonora acompanha bem a ação e ajuda a dar o tom em cada tipo de missão.

Mas e aí, Call of Duty: Modern Warfare 4 vale a pena?

A heavily armed soldier in dusty combat gear crouches with a rifle in a war-torn forest, surrounded by charred trees, smoke, flying embers, and fiery orange light.

Vale, e muito, principalmente pela campanha. Call of Duty: Modern Warfare 4 entrega a melhor campanha da série em anos, com variedade de gameplay, ritmo, uma história que, apesar dos clichês, é boa e tem a coragem de se posicionar sobre um conflito com cara de real, e um visual impressionante, além de um DMZ que adiciona um tipo de jogabilidade novo e um bom motivo para os jogadores voltarem à franquia. O multiplayer é só bom e o autosave pode te trair em um momento ou outro, mas nada disso tira o brilho do pacote. Se você largou Call of Duty por cansaço, esse é o melhor momento para dar uma segunda chance. E se você joga só a campanha, ela sozinha já justifica a compra.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PS5 fornecida pela publisher.

Resumo para Preguiçosos

Call of Duty: Modern Warfare 4 coloca o jogador no meio de uma invasão norte-coreana que ameaça o mundo, alternando entre um esquadrão de jovens soldados sul-coreanos e o Capitão Price, que age por conta própria nas sombras. A campanha é a melhor da série em anos, com variedade de gameplay, missões calmas, frenéticas, perseguições e até uma missão em mini mundo aberto com objetivos principais e secundários. A história, apesar dos clichês, é boa e tem boas interpretações, e as partes em que você vive um soldado norte-coreano são ótimas. O gunplay é muito bom e a campanha não tem momentos realmente frustrantes, com exceção de um trecho em que o autosave me deixou em uma situação em que qualquer erro significava recomeçar a missão.

O modo DMZ traz uma jogabilidade nova ao jogo e um bom motivo para os jogadores voltarem a Call of Duty, enquanto o multiplayer é apenas bom, com mapas que ficam abaixo do que a Activision já entregou antes. Os gráficos são belíssimos, a dublagem é ótima (inclusive em português do Brasil) e a trilha sonora também agrada. No geral, é um excelente Call of Duty, principalmente para quem busca uma campanha de verdade.

Prós

  • Melhor campanha da série em anos, com missões variadas e até uma em mini mundo aberto
  • História boa apesar dos clichês, com boas interpretações e ótimas partes controlando um soldado norte-coreano
  • Gunplay muito bom, sem momentos realmente frustrantes
  • Gráficos belíssimos, ótima dublagem (também em PT-BR) e boa trilha sonora

Contras

  • Multiplayer apenas bom, com mapas abaixo do que a Activision já fez
  • Autosave pode te colocar em uma situação injusta e te obrigar a recomeçar a missão
Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.