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Blazing Chrome – Review

A Joymasher é conhecida por ser uma desenvolvedora brasileira especializada em capturar a alma de alguns dos principais clássicos da época de ouro do NES, Master System, Mega Drive e do Super Nintendo, e Blazing Chorme está aqui para escrever mais um capítulo nesta história. Será que o jogo consegue captar a essência de Contra e de outros jogos de correr e atirar como ele promete?

Em Blazing Chrome, o mundo como conhecemos foi destruído por máquinas, e a humanidade está a poucos passos de ser completamente erradicada. Num esforço desesperado, um grupo de resistência tem como objetivo fazer um ataque certeiro contra a base do inimigo e não resolver o problema todo, mas pelo menos conseguir um alívio temporário na situação desesperadora em que todo mundo se encontra.

Para isso, você inicialmente conta com Mavra e Doyle, uma soldado da resistência e um robô que foi reprogramado para servir à humanidade contra as máquinas. Ambos os personagens são controlados da mesma forma, ou seja, correndo e atirando com uma metralhadora, mas depois de terminar o jogo pela primeira vez você libera mais dois personagens que funcionam com armas de curto alcance, mas de poder de fogo aumentado.

Começando com Mavra e Doyle, o gameplay com eles lembra bastante o de Contra e o de Metal Slug, ou seja, você anda, atira em oito direções, pode usar um rolamento para mover-se mais rapidamente, pega power ups conforme avança pelo cenário (que podem ser tanto de arma quanto bots que ajudam você aumentando sua defesa, poder de ataque ou velocidade) e, o mais importante de tudo, morre com qualquer ataque que encostar em você.

Por causa disso, o jogo acaba tornando-se bastante difícil e muito desafiador, afinal de contas, você tem que decorar os padrões de ataque os inimigos e a ordem em que eles vão aparecendo na tela para não ser pego desprevenido.

Apesar de prometer ser um jogo bem difícil, Blazing Chrome começa com uma fase relativamente fácil, para você aprender as mecânicas do jogo e ir sentindo o que ele tem a oferecer. Tudo isso muda logo na fase seguinte, que acaba sendo a fase em que você realmente aprende a jogar Blazing Chrome, pois ela acaba sendo bem mais difícil de se passar.

Nesta segunda, fase, aliás, o jogo conta com uma fase de moto logo no começo, onde você provavelmente vai lembrar-se de jogos como Battletoads, afinal você tem que atirar, pular de obstáculos e garantir que você chegue inteiro ao final do percurso.

Cada fase de Blazing Chrome tem uma temática diferente, e cada uma delas oferece alguma variação no gameplay bem interessante para fugir da mesmice de andar e atirar em tudo o que aparece pela frente em linha reta. Algumas dessas variações envolvem a já citada motocicleta, mas você também controla robôs e até mesmo uma fase em túnel 3D que lembra bem os jogos de tiro da era de ouro do Super Nintendo e do Mega Drive.

Todas as fases do game realmente parecem ter sido feitas por quem entende como um jogo do gênero deve funcionar, e apesar delas contarem com referências inteligentes aos jogos nos quais ele se inspira, há bastante coisa original aqui, e o jogo acaba realmente parecendo um sucessor espiritual dos jogos que ele presta homenagem, e não apenas um grande problema que temos não só em jogos, mas também em outras produções culturais da atualidade, o “muita referência e pouco conteúdo”.

Completadas as seis fases originais de Blazing Chrome, você libera uma série de extras que vão aumentar em muito a vida do jogo: um modo de boss rush, onde você tem 5 vidas, 3 continues e todos os power ups de arma para vencer todos os chefes do jogo em sequência, o modo mirror (que inverte os cenários do jogo e faz você andar da direita para a esquerda ao invés do contrário) e também os personagens que lutam com melee ao invés de armas.

Estes personagens acabam ganhando uma jogabilidade um pouco diferente de Mavra e Doyle, já que eles possuem um ataque de curta distância que tira mais energia, mas que faz você ficar completamente aberto aos tiros que os inimigos usam para te abater. Além deste ataque, você também conta com um poderoso golpe carregado que funciona como projétil, mas que demora um pouco para ser executado.

Com estes personagens, o jogo foge um pouco de Contra e passa a lembrar Strider, jogo clássico da Capcom para Mega Drive, que ganhou sequência no PlayStation, e que acabou sendo rebootado na geração atual de consoles para o PS4 e para o Xbox One.

Falando um pouquinho sobre a dificuldade de Blazing Chrome, há algo que precisamos esclarecer: sim, o jogo é bem difícil, mas ele é aquele tipo de difícil que faz você ir melhorando de tanto tomar porrada na cabeça. Eu demorei mais de 5 horas para terminar o jogo pela primeira vez, mas a segunda vez foi bem mais rápida, levando menos de uma hora, pois eu já sabia como o jogo funcionava.

Para elaborar esse review, eu joguei primeiro o jogo no modo normal, e depois no modo fácil, e eu acho que talvez eu devesse ter feito o processo contrário, porque teve algumas partes do modo normal que eu quase arranquei o cabelo da cabeça de tanto morrer, mas que teriam sido bem mais tranquilas por causa da quantidade de vidas e de algumas barbadas que o modo fácil te dá.

Além disso, o jogo não te dá automaticamente a conquista de ter acabado o jogo no modo fácil caso você termine ele no normal, então, para aprender a jogar Blazing Chrome, talvez seja melhor começar pelo modo mais fácil mesmo. Outro ponto que vale ser ressaltado é o fato de que é possível jogar Blazing Chrome localmente com mais um jogador, exatamente como era possível nos jogos clássicos nos quais a Joymasher se inspirou.

Graficamente, Blazing Chrome é simplesmente lindo. O jogo conta com um pixel art muito bem feito e com um estilo de arte soberbo, que realmente remete aos jogos da época do Mega Drive e do Super Nintendo. Um detalhe, entretanto, vale ser ressaltado, o jogo deu alguns slowdowns no Xbox One normal em telas mais movimentadas, lá pela fase 5, algo que talvez mereça mais algum polimento da parte da Joymasher, mas fora isso, eu realmente não encontrei nenhum problema.

A trilha sonora de Blazing Chrome também merece destaque por conseguir captar a alma dos jogos em que ela se inspira, e os efeitos sonoros com aquela compressão gigantesca da época do Mega Drive também ficaram muito legais.

Review elaborado com cópias do jogo para PC, Xbox One e Nintendo Switch, sendo a primeira fornecida pela desenvolvedora do jogo, a segunda pelo GamePass e a terceira comprada por nós.

Observação: Danilo Dias, artista da Joymasher, participou do Critical Cast em algumas oportunidades. Isto não influenciou em nada o nosso review do jogo.

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Resumo para os preguiçosos

Blazing Chrome é facilmente um dos melhores jogos independentes de 2019, capturando a essência de Contra, Metal Slug e de outros jogos de correr e atirar com maestria. Com um gameplay divertido e desafiador, o jogo vai fazer você reviver os melhores dias do Mega Drive e do Super Nintendo, numa época em que a gente perdia horas na frente do videogame jogando “só mais uma vida”.

Nota final

90
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Desafiador e extremamente divertido
  • Gameplay preciso e muito bem feito
  • Bela variação de desafio nas fases
  • Pixel Art simplesmente soberbo
  • Trilha sonora sensacional
  • Personagens e modos secretos que aumentam a vida útil do jogo

Contras

  • Alguns slowdowns em áreas mais movimentadas no Xbox One
Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.

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