Assassin’s Creed Valhalla – Review

A franquia Assassin’s Creed está chegando a mais um final de trilogia com Valhalla. Após explorarmos o Egito e a Grécia antiga, dois temas muito pedidos pelos fãs, agora é a vez de vivermos o mundo dos Vikings, mais um daqueles temas sempre requisitados. Mas será que o jogo vale a pena? É o que vamos descobrir hoje.

O começo do fim

Em Assassin’s Creed Valhalla, você controla Eivor, um personagem que pode ser tanto homem quanto mulher, assim como em seu antecessor. Felizmente desta vez, entretanto, a Ubisoft parece ter dado muito mais cuidado à personalidade deste protagonista do que em jogos passados.

Eivor, diferente de outros protagonistas, não está exatamente atrás de vingança, e sim de glória. Na verdade ele até está atrás de vingança, mas este é apenas um pequeno detalhe em toda a história do jogo. Em expedição na Inglaterra, Eivor tem como objetivo unificar a Inglaterra sob apenas um domínio, juntamente com seus companheiros vikings.

Para isso, nem sempre você vai parecer bem o mocinho dentro da história do jogo, e este é um ponto em que o jogo diverge bastante de outros games da franquia, onde você sempre foi um assassino honrado. Aqui, pilhar, saquear, matar e até mesmo torturar inimigos é algo que vai acontecer em sua jornada.

Além disso, você também encontrará não só com a ordem dos assassinos, e será iniciado nela, mas também com a dos templários, que, como em outros jogos passados da franquia, domina completamente a Inglaterra e agora cabe a você expulsá-los de lá condado após condado.

Mas por que estamos vivendo mais esta aventura? Bom, se você jogou a trilogia original de Assassin’s Creed, você deve lembrar que um cataclisma foi evitado e a Terra salva, ou assim nos contaram. Acontece que outro está para acontecer, e Eivor é peça fundamental para evitar que isso aconteça.

Voltando à saga de Eivor, Assassin’s Creed Valhalla é uma coleção do que deu certo na trilogia atual e um resgate a muitas coisas que você fazia antigamente em outros jogos. Como os Vikings não lutavam no mar, e sim usavam seus Dracares para incursões, por exemplo, o combate naval foi cortado deste jogo. Agora, os barcos servem para navegar pelos rios da Inglaterra e então invadir vilarejos para pilhar seus recursos. Esta mecânica de incursão é bem interessante, já que, como eu disse mais acima, nem sempre você vai parecer um paladino da justiça, e sim um bárbaro sedento por sangue e pelos bens dos outros.

Como o jogo se apresenta

As missões de incursão nas bases inimigas são muitas, e servem para você coletar recursos para outra parte da franquia que retorna depois de muitos anos: a construção do seu próprio assentamento. Ravensthorpe, a “Morada dos Corvos” é a cidade que Eivor e seus companheiros estão construindo, e você deve coletar recursos para ir colocando novas estruturas dentro da cidade. Cada uma dessas estruturas vai adicionando bônus na sua campanha, então é imprescindível voltar à sua base de operações e melhorá-la de tempos em tempos.

Como a sua missão é unificar a Inglaterra perante um rei só, já que a região está dividida em quatro reinos na época em que os eventos do jogo acontecem, Eivor tem que firmar alianças com outros territórios, e esta é uma parte fundamental do gameplay do jogo. Você deve escolher a região em questão, cumprir algumas missões para ela e então conquistá-la como aliados em sua causa. Este processo é parte fundamental da progressão do jogo, e você provavelmente vai gastar algumas dezenas de horas nele.

Por falar em horas, para quem estava com medo de uma campanha de 70 ou 80 horas como em Assassin’s Creed Odyssey, fique tranquilo que Assassin’s Creed Valhalla felizmente não é um jogo tão inchado como seu antecessor. Para isso, muitas sidequests que não contribuíam para muita coisa foram cortadas, e o jogo é bem mais centrado em sua missão de unificar a Inglaterra. Apesar disso, o jogo também não é tão curto assim, e você provavelmente vai gastar bem mais do que um final de semana em cima dele.

O novo e o velho se encontram

Como todo bom Assassin’s Creed, temos em Valhalla o confronto entre os Assassinos (aqui chamados de Ocultos) e os Templários (aqui conhecidos como Os Antigos). Assim como em Odyssey, você terá uma lista de alvos para dar cabo e então libertar a Inglaterra das garras da opressão. O sistema funciona exatamente da mesma forma, ou seja, você encontra um alvo, dá cabo dele, ganha uma pista do próximo e assim segue a vida até chegar na cabeça do movimento. Além disso, outro sistema que retorna deste jogo é o sistema de nêmesis, onde você é caçado por templários (aqui chamados de fanáticos) enquanto está andando pelo mapa.

Por falar em ser caçado, vamos falar um pouco sobre o combate de Assassin’s Creed Valhalla. Eu sinceramente achei este um ponto em que o jogo involuiu em relação ao seu antecessor. O combate ou é simplista demais, onde você não precisa de quase nenhuma habilidade para dar cabo dos seus inimigos, ou você leva um golpe e é morto. Enfrentar os soldados espalhados pelas missões é um trabalho quase que trivial, e você pode apertar o botão de ataque sem pensar muito e dar cabo de todo mundo.

O problema só é quando você dá de cara com um inimigo como um fanático que esteja muitos níveis acima de você. Num encontro desses, em que realmente parecia uma luta de chefes de Dark Souls onde cada ataque meu tirava um tico de energia do inimigo e ele me arrancava quase metade da barra de vida com um golpe, a luta acabou do jeito mais estúpido possível: o inimigo soltou uma bomba de fumaça no chão e me tirou a vida inteira com apenas um golpe no melhor estilo assassinato de hidden blade que acontece em jogos da franquia.

Por falar em Hidden Blade, ela e todos os outros apetrechos de assassino marcam presença em Assassin’s Creed Valhalla. É bem interessante como você se relaciona com a Ordem e a forma como Eivor vai aprendendo os costumes e habilidades dela. Você não conhece o Salto da Fé logo de cara, por exemplo, e conforme a história vai avançando, você aprende esta técnica, além de outras.

Progressão e equipamento

Falando um pouco sobre a progressão e equipamento de Assassin’s Creed Valhalla, ao invés de ficar comprando e vendendo equipamentos como em jogos mais recentes da franquia, aqui você vai encontrando equipamentos em baús especiais e então melhorando-os com os recursos que você coleta na pilhagem. Nenhum equipamento é incrivelmente forte, e você pode usar o machado do pai de Eivor por um bom tempo durante o jogo, por exemplo.

No sistema de progressão, temos uma árvore de atributos que vão sendo aumentados conforme você sobe de nível. A cada nível ganho, você recebe dois pontos de atributo para ir destravando nodos desta árvore e assim desbloqueando novas habilidades e ficando mais forte, mas eu acabei achando esse sistema de progressão bem mais lento que em outros jogos, de modo que você é forçado a seguir a campanha do jogo por bem mais tempo antes de ficar livre para explorar a Inglaterra da forma como você desejaria fazer.

Gráficos e som

Graficamente falando, Assassin’s Creed Valhalla é um belo jogo. Como eu não consegui jogar o game na nova geração, já que a versão de PlayStation 5 só ficaria disponível após o lançamento do game, eu joguei o jogo no Xbox One X, onde o jogo mesmo sem efeitos de Ray Tracing é bastante bonito. Um detalhe engraçado dos gráficos do jogo é o fato de que há vários pontos de luzes brilhantes em neon onde parece até que a Ubisoft quis dizer “olha só, aqui teria Ray Tracing se o seu console fosse da nova geração”, só que eles não parecem combinar muito com o resto do visual do jogo.

A trilha sonora de Assassin’s Creed Valhalla é bem competente, e a dublagem também está de acordo. Felizmente, é possível decidir se você quer jogar o jogo num idioma e ficar com as legendas em outro, então quem prefere jogar o jogo no idioma original e com legendas em inglês, como eu, pode fazer isso.

Antes de terminarmos, vale ressaltar que o jogo conta com alguns bugs que incomodaram durante o tempo em que eu testei o game. Em mais de um momento o personagem ficou preso esperando outro NPC ajudá-lo a abrir portas em incursões ou baús, por exemplo, e eu tive que deixar o jogo assim “pendurado” enquanto fui buscar algo na cozinha até ele perceber o que tinha que fazer. Além disso, há alguns bugs que não chegam a atrapalhar o progresso do jogo, como cavalos e personagens presos no cenário.

Mas e aí, Assassin’s Creed Valhalla vale a pena?

Assassin’s Creed Valhalla é uma espécie de consolidação dessa nova fase da franquia. Menos inchado que o seu antecessor e combinando o que há de melhor nestes dois jogos e ainda resgatando outros pontos famosos dos primeiros jogos da série, o game traz uma história interessante e bem menos “mocinhos versus caras malvados” do que em jogos mais recentes. Você vai pilhar, saquear, botar fogo em vilarejos e tudo mais em nome da glória e do seu caminho para o Valhalla. Se você gostou dos dois últimos jogos da franquia, você pode ter certeza que vai empenhar dezenas de horas em mais este Assassin’s Creed. Entretanto, se você não gostou, não há nada de muito novo que talvez faça você mudar de opinião desta vez.

Review elaborado com uma cópia do jogo para Xbox One X fornecida pela Ubisoft do Brasil.

Resumo para os preguiçosos

Assassin’s Creed Valhalla é uma espécie de consolidação dessa nova fase da franquia. Menos inchado que o seu antecessor e combinando o que há de melhor nestes dois jogos e ainda resgatando outros pontos famosos dos primeiros jogos da série, o game traz uma história interessante e bem menos “mocinhos versus caras malvados” do que em jogos mais recentes. Você vai pilhar, saquear, botar fogo em vilarejos e tudo mais em nome da glória e do seu caminho para o Valhalla. Se você gostou dos dois últimos jogos da franquia, você pode ter certeza que vai empenhar dezenas de horas em mais este Assassin’s Creed. Entretanto, se você não gostou, não há nada de muito novo que talvez faça você mudar de opinião desta vez.

Nota final

85
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Uma história madura e bem trabalhada
  • Personagens interessantes
  • Divertido sistema de incursão que faz você se sentir um viking
  • O jogo é mais focado que Assassin’s Creed Odyssey

Contras

  • O sistema de combate ou é fácil ou difícil demais, não tem meio termo
  • A progressão também ficou um pouco estranha, ou você mata os inimigos com 2 ou 3 ataques, ou eles te matam com 1
  • Alguns bugs que atrapalham em incursões, principalmente quando você precisa de um NPC para executar uma ação
Eric Arraché

Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.