Arashi Gaiden chega como uma proposta ousada ao misturar ação com elementos de jogos táticos baseados em turnos. Mas será que essa combinação realmente funciona na prática? É o que vamos descobrir na análise de hoje.
A história de Arashi Gaiden acompanha Shinji Arashi, um jovem ninja contratado por seu antigo mestre, Lobo, para lidar com diversos indivíduos que estão causando caos no Japão. Diferente de muitos jogos do gênero, a narrativa aqui não é o foco principal e nem tenta ser, ela existe como pano de fundo para contextualizar as ações do protagonista e dar algum significado para a jornada.
A abordagem minimalista da história funciona muito bem aqui. Arashi Gaiden sabe exatamente o que quer ser: um jogo focado em gameplay e desafios, onde a narrativa serve apenas como um tempero extra para dar contexto às suas ações.
O grande destaque de Arashi Gaiden está definitivamente na sua jogabilidade única. À primeira vista, parece um jogo de ação comum com alguns cortes e esquivas, mas a verdade é que estamos diante de um puzzle game disfarçado de aventura ninja. Cada movimento precisa ser cuidadosamente calculado, já que o jogo funciona em um sistema de grid onde suas ações têm consequências diretas.

Shinji se move em uma única direção por vez e percorre toda a linha até encontrar um obstáculo. Após cada movimento seu, os inimigos também podem se mover, criando um jogo de xadrez onde posicionamento é tudo. Logo no início, Shinji possui apenas habilidades básicas e precisa atravessar inimigos para eliminá-los. Conforme progredimos, novos poderes são desbloqueados e mudam completamente a forma de encarar os desafios. A Shuriken permite ataques à distância sem gastar um turno, a Flecha de Desvio pode ser colocada no chão para mudar a trajetória do movimento e por aí vai conforme você desbloqueia novas coisas e avança no jogo.
Cada uma dessas habilidades custa energia, que é limitada, forçando o jogador a usar esses recursos com sabedoria. Essa economia de recursos adiciona uma camada estratégica ao jogo, transformando cada estágio em um puzzle onde você precisa encontrar a solução mais eficiente possível. É extremamente satisfatório quando você finalmente descobre a sequência perfeita de movimentos para completar um estágio difícil.
O jogo é composto por sete estágios principais, cada um dividido em várias salas de desafio que ocupam uma única tela. A progressão só acontece quando todos os inimigos são eliminados ou, em casos específicos, quando certos interruptores são ativados. Ao final de cada mundo, um chefe espera para testar tudo que você aprendeu até ali.
Os inimigos também apresentam variedade mecânica interessante. Enquanto os básicos morrem em um único golpe, outros aguentam dois ataques e causam dano pesado se você terminar o movimento adjacente a eles.
A mistura de tempo real com turnos

Uma das escolhas mais ousadas de Arashi Gaiden é como ele mistura elementos em tempo real com a estrutura baseada em turnos. Enquanto precisamos esperar algumas animações de ataque dos inimigos, os chefes frequentemente ficam vulneráveis quando iniciam seus ataques, mas ainda podemos nos mover durante esse período. É possível evitar bombas se movendo rápido o suficiente, mas ficar parado em uma casa em chamas causa dano múltiplas vezes.
Porém, nem tudo são flores nessa fusão. A prioridade de ações nem sempre fica clara e você meio que tem que descobrir certas coisas no achismo. Isso não necessariamente é um problema a depender do tipo de jogo, mas sinto que Arashi Gaiden se beneficiaria de uma HUD melhor com as coisas mais bem explicadas.
Visualmente, Arashi Gaiden é um jogo bem apelativo para os olhos. A arte em pixel desenhada à mão é colorida e lindamente animada, A sensação de velocidade e violência casa muito bem com a proposta, tornando cada movimento satisfatório de assistir. A apresentação em 16 bits remete claramente à era do SNES, celebrando a simplicidade daquela época de design de jogos em cada um de seus níveis.
A duração total do jogo fica em torno de 5 horas, talvez menos se você pegar o jeito da curva de dificuldade e dominar o combate rapidamente. É uma experiência curta e doce, perfeita para ser aproveitada em poucas sessões e combina bem com portáteis como o Nintendo Switch, que foi onde está análise foi feita.
Na parte técnica, os únicos problemas que realmente encontrei enquanto jogava no Switch foram alguns bugs, com um em especifico me forçando a reiniciar o mapa e perder bastante progresso quando meu personagem simplesmente se negou a morrer e travou o jogo completamente.
Mas e aí, Arashi Gaiden vale a pena?

Arashi Gaiden é um jogo com uma proposta extremamente ousada que, quando funciona, entrega momentos de pura satisfação estratégica. A mistura de elementos táticos com ação ninja em tempo real cria uma experiência única que vale a pena ser experimentada, especialmente para fãs de puzzle games e desafios que exigem pensamento cuidadoso.
Se você é do tipo de jogador que tem paciência para lidar com algumas arestas técnicas em troca de uma experiência genuinamente única, Arashi Gaiden definitivamente vale seu tempo e dinheiro. Só não espere perfeição, espere um diamante bruto que brilha intensamente apesar de sua simplicidade e algumas imperfeições.
Análise feita com uma chave para Switch cedida pela publisher.
Resumo para Preguiçosos
Arashi Gaiden é uma experiência única que mistura puzzle tático com ação ninja, entregando desafios inteligentes e uma apresentação visual encantadora em estilo retrô. Quando funciona, o jogo brilha ao recompensar planejamento estratégico e execução precisa, criando momentos genuinamente satisfatórios. Porém, problemas técnicos, falta de polimento e clareza em certas mecânicas impedem que alcance seu verdadeiro potencial.
Prós
- Sistema de gameplay único
- Variedade constante de desafio
- Duração ideal para o tipo de experiência proposta (aproximadamente 5 horas)
Contras
- Bugs e problemas técnicos
- Falta de clareza na prioridade de ações
- Comportamento imprevisível de chefe
- Necessita de polimento adicional

