Phantom Blade Zero é um dos exclusivos de PlayStation 5 mais aguardados do ano e faz parte do China Hero Project da Sony. A convite da S-Game, viajei até a China para jogar cerca de 5 horas do jogo antes do lançamento, conhecer o estúdio e ver de perto como ele foi feito. Mas será que o jogo está à altura da expectativa?
Antes de qualquer coisa, uma explicação importante: este é um preview, e não uma análise. A experiência foi feita em uma build de PC pré-lançamento, em um evento organizado pela própria desenvolvedora, e a análise completa só sai depois do fim do embargo. Dito isso, 5 horas são suficientes para entender bem o que o jogo quer ser, e o que eu vi me deixou muito empolgado.
Durante a viagem, também pude conhecer o estúdio da S-Game, passar pelo departamento de captura de movimentos e até participar de uma aula de kung fu. Pode parecer só um passeio, mas isso ajuda muito a entender o jogo, porque o combate de Phantom Blade Zero é inspirado em artes marciais de verdade, e essa influência aparece em praticamente cada golpe que você executa e que os inimigos executam contra você.
O combate é o coração do jogo

O sistema de combate é muito focado em aparos, bloqueios e contra-ataques precisos, e é extremamente recompensador quando você acerta o tempo certo. Em vez de ficar apenas esquivando e esperando uma brecha, o jogo te incentiva a ficar na frente do inimigo, ler o que ele está fazendo e responder na hora exata, o que gera uma sensação de domínio muito grande quando tudo dá certo.
Mas o que realmente diferencia Phantom Blade Zero de outros Souls-like é o estilo de luta não ortodoxo. Como a inspiração é o kung fu real, os inimigos possuem sequências de golpes imprevisíveis, com ritmos que fogem do óbvio, e você não consegue simplesmente reagir ao ritmo básico do combate. É preciso aprender os padrões das animações, observar com atenção e só então executar a resposta certa, e isso torna cada encontro muito mais interessante do que o “bate, desvia, bate” que a gente está acostumado a ver no gênero.
Quando o jogo não está apresentando problemas técnicos, o combate é ágil, dinâmico e exige reflexos bem apurados. Aqui vale um alerta: se você espera uma experiência mais cadenciada e previsível, como a de alguns outros jogos do gênero, é possível que Phantom Blade Zero te pegue de surpresa logo nas primeiras horas.
Chefes memoráveis e um skill check de verdade

O primeiro grande “skill check” do jogo é o chefe chamado The Hunt, e eu confesso que apanhei bastante dele. Foram várias tentativas até eu entender os padrões e conseguir executar os aparos e contra-ataques da forma correta, mas a sensação de finalmente derrotá-lo é exatamente o que a gente espera de um bom jogo do gênero: a graça está justamente em superar a frustração depois de várias derrotas, e Phantom Blade Zero entrega isso muito bem.
Os chefes que enfrentei durante o teste também me impressionaram pela variedade. Cada batalha oferece uma história e um desafio diferentes entre si, o que evita aquela sensação de que você está enfrentando a mesma luta com uma roupa nova. Isso é algo que faz muita diferença em jogos que dependem tanto de encontros contra chefes, e se o jogo mantiver esse nível até o final, estamos diante de um dos melhores elencos de chefes dos últimos anos.
Um arsenal criativo e um mundo que convida à exploração

Outro ponto que me chamou muito a atenção foi a variedade de armas. O diretor do projeto, SoulFrame, é um grande entusiasta de armamentos, e isso transparece claramente no arsenal do jogo: são muitas armas, cada uma com mecânicas e funcionamentos distintos, o que muda bastante a forma de lutar dependendo do que você estiver usando. A paixão e a criatividade da equipe de desenvolvimento aparecem tanto na construção do mundo quanto nas ferramentas que você tem para enfrentá-lo.
Falando em mundo, o design de níveis também me agradou bastante. O jogo recompensa a exploração e o mapa marca os locais que exigem itens específicos para serem abertos, o que permite que você retorne depois a áreas anteriores quando tiver o que precisa. É um sistema inteligente, que incentiva a curiosidade sem deixar o jogador completamente perdido e sem ficar te segurando pela mão a cada passo.
Graficamente, Phantom Blade Zero é um jogo lindo e visualmente impressionante, e a direção de arte é um dos grandes destaques da experiência desde os primeiros minutos. O problema é a otimização: a build de PC que testei estava bastante pesada, sofrendo com micro-stutters constantes mesmo rodando em um hardware potente, e isso chegou a atrapalhar o combate em alguns momentos, o que é especialmente ruim em um jogo que cobra tanto da sua precisão. Por ser uma versão pré-lançamento ainda há tempo para correções, mas é um ponto que vou acompanhar de perto na análise final.
O que ainda me preocupa

Dois pontos me deixaram com um pé atrás durante o teste. O primeiro é a economia do jogo: como os inimigos não renascem, conseguir materiais para melhorar suas armas acaba sendo um processo um tanto punitivo. Isso pode prender o jogador ao mesmo equipamento por muito tempo, dificultando a experimentação com outras armas e builds, o que é uma pena justamente num jogo com um arsenal tão variado. Eu espero que isso seja ajustado até a versão final.
O segundo é a punição excessiva de alguns chefes, que possuem golpes capazes de tirar metade da sua vida de uma vez só. Dependendo do equilíbrio da dificuldade no jogo completo, isso pode ser mais frustrante do que desafiador, e é outro ponto que eu quero ver com calma quando for fazer a análise final.
Mas e aí, o que esperar de Phantom Blade Zero?
Phantom Blade Zero me deixou muito empolgado. O combate é profundo e diferente de tudo o que eu já joguei no gênero, os chefes são memoráveis, o visual é de cair o queixo e a criatividade da equipe é evidente em cada detalhe. Os problemas de otimização e de economia me preocupam, mas são coisas que ainda podem ser resolvidas até o lançamento, e nada do que eu vi me fez perder a empolgação com o jogo.
O jogo chega no dia 28 de outubro para PlayStation 5 e PC, e eu volto com a análise completa assim que o embargo terminar. Se o que eu joguei se mantiver ao longo de toda a campanha, tudo indica que Phantom Blade Zero vai ser um dos grandes lançamentos do ano.


