Tom Warren, jornalista do The Verge, revelou detalhes de um evento interno realizado pela nova CEO do Xbox, Asha Sharma, com centenas de funcionários da divisão há duas semanas no estúdio D da Microsoft. Entre os vários pontos abordados durante o encontro, um chamou atenção especial: Sharma afirmou que a empresa vai “reavaliar a abordagem à exclusividade”, sinalizando uma possível mudança em uma das decisões mais polêmicas da história recente da divisão de games da Microsoft.
A declaração foi feita durante um evento interno realizado há duas semanas no estúdio D da Microsoft, onde Sharma reuniu centenas de funcionários para apresentar um novo plano de quatro frentes para o Xbox. Segundo fontes ouvidas por Warren, a questão dos exclusivos foi um dos pontos abordados diretamente pela executiva, reconhecendo que a estratégia atual gerou insatisfação entre os fãs mais dedicados da plataforma.
A origem do problema com os exclusivos do Xbox

Há mais de dois anos, a Microsoft surpreendeu o mercado ao anunciar que quatro jogos até então exclusivos do Xbox chegariam ao PS5 e ao Nintendo Switch. A decisão fazia parte do Projeto Latitude, uma iniciativa interna criada em resposta a metas de margem financeira estabelecidas pela CFO Amy Hood para a divisão Xbox. O objetivo era expandir as receitas da Microsoft para além do próprio ecossistema, levando seus jogos a mais plataformas.
O problema é que a iniciativa nunca foi comunicada com clareza. Nunca ficou definido publicamente quantos jogos seriam lançados fora do Xbox, quais critérios determinariam isso ou qual seria o limite da estratégia. Essa falta de transparência alimentou a insegurança dos jogadores que investiram no ecossistema da Microsoft, e o desgaste acumulou ao longo dos meses.
Sharma reconheceu esse peso durante o encontro interno. De acordo com Warren, ela está avaliando uma série de opções para os exclusivos Xbox, mas ainda trata o assunto com cautela e não está pronta para assumir compromissos públicos sobre mudanças concretas. “É uma questão espinhosa para os fãs”, escreveu o jornalista, especialmente pela falta de clareza que marcou os últimos dois anos.
A sinalização de recuo, ainda que cautelosa, chega em um momento em que Sharma também anunciou atualizações quinzenais para o console até o fim do ano, cancelou o Copilot para Xbox e reverteu o nome da divisão de Microsoft Gaming para simplesmente Xbox. Todas essas mudanças apontam para uma tentativa de reconquistar a confiança da base de jogadores que se sentiu abandonada.
A reavaliação dos exclusivos é, na prática, o teste mais difícil que Sharma vai enfrentar. Reverter ou limitar o Projeto Latitude significa contrariar metas financeiras estabelecidas pela cúpula da Microsoft, enquanto mantê-lo sem explicações claras continua corroendo a fidelidade de quem ainda acredita na plataforma. Os fãs do Xbox já ouviram promessas antes, e desta vez vão precisar de respostas concretas, não apenas de sinalizações.


