A Xbox precisa desenvolver novas franquias duradouras para continuar competitiva, segundo Asha Sharma, CEO da divisão. Durante uma reunião interna recente, a executiva teria afirmado que a empresa “não vai sobreviver” se depender apenas de séries já conhecidas, justamente enquanto atravessa uma ampla reestruturação.
As declarações acontecem em meio ao anúncio de 3.200 demissões até o fim do ano fiscal. Além dos cortes, vários estúdios ligados à Xbox passaram por mudanças significativas. Compulsion Games, Undead Labs e Double Fine se tornaram independentes, enquanto dois acordos envolvendo a Ninja Theory foram encerrados. A Arkane, por sua vez, ainda passa por um processo de consulta interna.
Asha Sharma reconheceu anteriormente que a situação atual da Xbox não era saudável. Na reunião, ela teria defendido uma estratégia que combine o investimento nas principais franquias da companhia com a criação de propriedades intelectuais inéditas. A executiva afirmou que deseja transformar os grandes jogos da empresa em franquias globais avaliadas em bilhões de dólares, mas também ressaltou a necessidade de encontrar novas formas de alcançar públicos diferentes.
O discurso, porém, contrasta com o cancelamento de vários projetos recentes. Everwild, da Rare, foi arquivado no ano passado junto de Project Blackbird, um MMO desenvolvido pela ZeniMax Online Studios. Mais recentemente, Project Mara, projeto experimental de terror da Ninja Theory, também foi cancelado.
Mesmo com os cortes e a redução no número de projetos, a Xbox mantém parcerias importantes. A empresa será responsável pela publicação de OD, próximo jogo de terror de Hideo Kojima, e também de Physint, sucessor espiritual de Metal Gear Solid. O projeto teria buscado uma nova publicadora após a Sony decidir cancelá-lo.
A necessidade de criar novas franquias faz sentido para uma empresa que deseja crescer, mas o momento escolhido torna a mensagem difícil de ignorar. Sem uma estratégia clara para preservar projetos originais durante a reestruturação, a promessa de inovação corre o risco de permanecer apenas no discurso.


