A Sony anunciou uma parceria estratégica com a Bandai Namco Holdings e a startup japonesa Gaudiy para desenvolver aplicações de inteligência artificial generativa no setor de entretenimento. A informação foi destacada por Destin Legarie no X durante a mais recente teleconferência de resultados da Sony, onde a empresa dedicou espaço considerável para falar sobre seus planos com IA.
Como parte do acordo, Sony e Bandai Namco investirão 10 bilhões de ienes na Gaudiy, impulsionando a empresa como plataforma central da colaboração. O objetivo declarado é desenvolver IPs japonesas globalmente e criar novos ecossistemas que combinem as tecnologias e os ativos de dados de cada empresa.
Cinco frentes de colaboração, com IA generativa como destaque
Our AI capabilities will evolve into a consumer centric experience that not only suggests the next game a player might enjoy, but also the next game play moment, subscription, accessory, or merchandise that best reflects their passion beyond the store. Our recently updated a…
— Destin (@DestinLegarie) May 8, 2026
A parceria se organiza em cinco eixos: expansão global de IPs japonesas, melhoria no processo de criação de conteúdo, integração dos ativos de dados das empresas, construção de um ecossistema seguro baseado em blockchain para fãs e criadores, e o desenvolvimento de aplicações de IA generativa para criar “novas experiências de entretenimento”.
Esse último ponto já tem iniciativas concretas em andamento, incluindo o uso de tecnologia de imagem por IA generativa dentro do universo oficial de GUNPLA, os kits de montagem de Gundam.
No lado interno, a Sony detalhou como a IA já está sendo incorporada em seus processos. Fluxos de trabalho repetitivos estão sendo automatizados, a produtividade em engenharia de software está melhorando, e ferramentas de IA estão acelerando áreas como garantia de qualidade, modelagem 3D e animação. A empresa mencionou especificamente uma ferramenta chamada Mockingbird, capaz de animar modelos 3D de dança a partir de captura de performance com rapidez. O sistema PSSR também foi citado como exemplo de aprendizado de máquina aplicado ao aprimoramento de qualidade de imagem.
A empresa foi cuidadosa em afirmar que o papel dos criadores permanecerá central, declarando que “a visão, o design e o impacto emocional dos jogos sempre virão do talento dos nossos estúdios e performers”. A IA, segundo a Sony, serve para apoiar, não substituir.
O discurso tranquilizador é padrão nesse tipo de anúncio, mas a escala do investimento e a abrangência dos cinco eixos da parceria indicam que a Sony está levando a IA generativa muito além de um projeto experimental. Combinar os ativos de IP da Bandai Namco, que incluem Gundam, Tekken e Dark Souls, com infraestrutura tecnológica da Sony e uma plataforma blockchain dedicada é uma aposta ambiciosa. O resultado disso para o consumidor final ainda é incerto, mas o movimento deixa claro que as grandes empresas japonesas do entretenimento não estão dispostas a ficar de fora dessa corrida.


