Rockstar é acusada de impor crunch e usar bônus para pressionar funcionários

A Rockstar Games, estúdio por trás da franquia GTA, tem sido alvo de acusações graves por parte de membros do seu sindicato. Em entrevista ao site Game Developer, três integrantes do Rockstar Game Workers Union (RGWU) afirmaram que a empresa mantém práticas prejudiciais aos funcionários, entre elas desigualdade salarial, jornadas excessivas de trabalho, o chamado crunch, e o uso de bônus como forma de pressão. As fontes falaram sob anonimato, por medo de represálias.

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Um ponto importante de contexto é que esses funcionários não fazem parte do grupo demitido pela empresa em 2025, que trava uma disputa judicial por suposta perseguição sindical. São trabalhadores atuais, filiados ao sindicato, que hoje buscam o reconhecimento oficial da entidade pela Rockstar.

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Boa parte das críticas gira em torno da falta de transparência sobre salários, bônus e promoções. Segundo os relatos, uma fatia considerável da remuneração vem de bônus que variam muito de um ano para outro, sem justificativa clara. Uma das fontes afirmou que, quando o valor é alto, pode representar um bom ganho, mas que na maioria das vezes o resultado decepciona, deixando o funcionário com bem menos do que esperava. A explicação, segundo o relato, costuma ser vaga e inconsistente entre departamentos e até entre colegas de uma mesma equipe.

Esse modelo, na visão dos entrevistados, funcionaria como ferramenta de controle. Como as decisões sobre bônus e progressão ficariam inteiramente a critério da empresa, os funcionários se sentiriam pressionados a se moldar às vontades das chefias. As fontes afirmam ainda que a diferença salarial entre homens e mulheres teria aumentado nos últimos anos, com iniciativas de correção supostamente abandonadas.

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A acusação mais delicada envolve o crunch. Segundo o sindicato, a prática seria tão comum que a Rockstar embutiria nos contratos padrão no Reino Unido uma cláusula de exclusão das Working Time Regulations, legislação que limita a cerca de dez as horas extras semanais que um empregador pode exigir. A entidade afirma ter feito uma campanha para informar os funcionários de que podiam voltar a aderir à proteção a qualquer momento. Para uma das fontes, parte do problema é que não existe uma definição consensual de crunch, e a empresa passaria a considerar que oferecer uma compensação limitada pelas horas extras já descaracterizaria a prática.

Procurada pelo Game Developer, a Take-Two Interactive, dona da Rockstar, rebateu as críticas. Em nota, a empresa afirmou que busca oferecer às equipes ambientes de trabalho de alto nível e oportunidades de carreira, com uma cultura voltada para trabalho em equipe, excelência e gentileza, além de políticas competitivas de remuneração e benefícios. Segundo a companhia, o resultado é uma taxa de retenção de funcionários bem acima da média do setor. A Take-Two confirmou ainda ter recebido o pedido de reconhecimento do sindicato e disse que vai agendar uma reunião.

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Apesar das divergências, os representantes afirmam que a intenção é construir um diálogo com a liderança. Eles também sustentam que a organização sindical já traz frutos, citando aumentos salariais médios inéditos em estúdios sindicalizados desde outubro e mudanças de políticas após anos de frustração.

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João Victor Albuquerque
João Victor Albuquerque
Apaixonado por joguinhos, filmes, animes e séries, mas sempre atrasado com todos eles. Escrevo principalmente sobre animes e tenho a tendência de tentar encaixar Hunter x Hunter ou One Piece em qualquer conversa.