O próximo jogo de John Romero voltou a avançar após a Romero Games encontrar uma nova editora para financiar e publicar o projeto. O estúdio havia perdido o apoio da Microsoft durante a onda de demissões e reestruturações da empresa, mas conseguiu preservar parte do trabalho realizado e reconstruir uma equipe menor.
A identidade da nova parceira ainda não foi revelada. Romero confirmou o acordo durante uma entrevista na Gamescom Asia, destacando que o financiamento permitirá a continuidade do jogo de tiro em primeira pessoa que estava em desenvolvimento.
Equipe foi reduzida de 110 para cinco pessoas
O impacto do rompimento com a Microsoft foi significativo para a Romero Games. O estúdio precisou cortar aproximadamente 110 posições, restando apenas cinco integrantes, incluindo o próprio Romero. Com a chegada da nova editora, dez funcionários que haviam sido demitidos puderam ser recontratados.
O projeto também não precisará ser refeito do zero. A arte, os gráficos, o código, o design das armas e outros materiais produzidos antes da mudança pertenciam à Romero Games, e não à Microsoft. Por isso, esses elementos puderam acompanhar o estúdio no novo acordo.
Apesar das dificuldades, Romero afirmou que se sente mais confortável trabalhando com uma equipe compacta. Para ele, um grupo menor reduz a quantidade de produtores e de interferências administrativas, permitindo que os desenvolvedores assumam mais responsabilidades diretamente.
“Estamos no tamanho certo. Não precisamos de um produtor agora, e não vamos contratar um. Quando você precisa de um produtor, já está grande demais”, afirmou Romero.
Jogo terá escopo reduzido
A equipe, porém, não conseguirá entregar exatamente o mesmo jogo planejado durante a fase apoiada pela Microsoft. Romero explicou que a versão original havia sido projetada para uma equipe de 110 pessoas, algo incompatível com a estrutura atual.
As expectativas e o planejamento foram ajustados para refletir a nova realidade. Os materiais já criados servem como ponto de partida, mas o escopo geral precisará ser reduzido para que o time consiga concluir o projeto.
Romero também afirmou que a nova editora não impôs metas criativas nem está tentando direcionar o jogo para uma fórmula comercial específica. Essa liberdade dá à equipe controle sobre a visão original, ainda que o resultado final seja necessariamente menor do que o projeto inicialmente imaginado.
A retomada mostra que o jogo não sobreviveu apenas por causa do financiamento: a propriedade do trabalho já produzido e a reconstrução gradual da equipe foram decisivas. Para um projeto que chegou a ficar ameaçado após uma demissão em massa, voltar ao desenvolvimento com autonomia criativa representa uma recuperação relevante, mesmo com um escopo mais modesto.

