O jornalista Jez Corden publicou uma análise sobre o estado atual da divisão de jogos da Microsoft. A conclusão central é direta: no ano em que GTA 6 chega ao mercado, a Microsoft não terá estoque de Xbox Series X/S para vender. A memória já foi comprada pela Sony e por outras empresas e a nova liderança do Xbox não pode fazer nada a respeito.
A meta de 30% que destruiu o Xbox

Após a aquisição da Activision Blizzard, a Microsoft impôs ao Xbox uma meta de margem de lucro de 30%, algo que nenhuma plataforma de jogos na história alcançou de forma consistente. Internamente chamada de “margem de accountability”, essa meta teve consequências em cascata: cortes de estoque de hardware, jogos lançados em plataformas concorrentes como o PlayStation, alta de 50% no preço do Game Pass Ultimate (depois revertida após cancelamentos em massa) e a consideração de eliminar compatibilidade retroativa em futuras gerações.
“A Microsoft não adquiriu as unidades necessárias para atender à demanda, claramente porque o hardware em si não se traduz diretamente em margens altas”, escreve Corden. O problema não é falta de interesse dos consumidores, é uma decisão deliberada de não investir em estoque.
Documentos vistos pelo Windows Central revelaram que o Xbox chegou a considerar se tornar uma empresa “mais baseada em software do que em hardware” para atingir os números exigidos pela liderança da Microsoft. A geração atual de consoles foi sacrificada nesse processo.
A nova CEO do Xbox, Asha Sharma, tem feito movimentos corretos desde sua chegada e recuperado parte da confiança dos fãs. O problema é que o maior obstáculo de Sharma não é a Sony, a Nintendo ou a Valve: é a própria Microsoft e sua mentalidade de resultados trimestrais aplicada a uma indústria que opera em ciclos de anos.
Enquanto isso, a SteamOS avança como ameaça real ao domínio do Windows em jogos, a PlayStation segue dominante e o Google trabalha em uma versão desktop do Android com iniciativas próprias de jogos premium. O Xbox perdeu tempo, estoque e credibilidade perseguindo uma meta financeira que a própria indústria nunca validou.


