A Nintendo tinha um plano para a linha do tempo de The Legend of Zelda muito antes de qualquer fã imaginar. Em entrevista à revista sueca Superplay em 2003, Shigeru Miyamoto confirmou a existência de um documento interno que conectava todos os jogos da franquia, mas fez questão de minimizar sua importância: “Para ser honesto, eles não são tão importantes para nós. Nos importamos mais com o desenvolvimento do sistema de jogo.”
A revelação ressurgiu recentemente e gerou discussão entre os fãs da franquia, especialmente considerando que a linha do tempo oficial só foi publicada em 2011 no livro Hyrule Historia, quase uma década depois dessa entrevista.
Um documento secreto e uma filosofia de design

O documento mencionado por Miyamoto em 2003 é o mesmo que o produtor da série Eiji Aonuma descreveu em 2010 como algo acessível apenas a ele, a Miyamoto e ao diretor de cada título. A confirmação de que o material existia há tanto tempo não necessariamente torna a linha do tempo mais elegante, considerando que a versão publicada divide a série em três ramificações distintas a partir do final de Ocarina of Time, uma solução que dividiu opiniões na época.
A postura de Miyamoto em relação à narrativa em jogos sempre foi consistente. Na mesma entrevista de 2003, ele reforçou que o mais importante é o jogador se envolver com o jogo, e que o enredo nunca deve se tornar tão central a ponto de prejudicar a clareza da experiência.
É uma filosofia que explica bastante sobre como Zelda foi construído ao longo das décadas: cada jogo funciona de forma independente, e a linha do tempo existe mais como exercício interno do que como estrutura narrativa essencial. O fato de que comunidades inteiras no YouTube ainda debatem cada detalhe do lore da franquia talvez seja a prova de que, mesmo o que não é prioridade para seus criadores, pode se tornar algo enorme para quem joga.


