David Hayter, a voz icônica de Snake em Metal Gear Solid, revelou em entrevista ao canal Fall Damage que gravou boa parte do jogo sem compreender completamente o que estava dizendo. “Entendo basicamente a história de Metal Gear Solid. Entendo tudo? Absolutamente não”, afirmou o ator, acrescentando que essa confusão era presente mesmo durante as sessões de gravação.

Hayter descreveu situações em que questionava o significado de determinadas falas e recebia como resposta apenas um “apenas diga”. Longe de encarar isso como crítica, ele defendeu a abordagem: “É isso que faz Metal Gear ser Metal Gear. Há mais informação, mais desenvolvimento de personagem, mais detalhes na história do que você consegue absorver, não importa quantas vezes jogue.”
Uma narrativa densa que divide opiniões há décadas
Metal Gear é frequentemente acusado de ter uma história nonsense, mas a franquia principal tem uma linha narrativa central razoavelmente acessível, especialmente considerando que se desdobra ao longo de sete jogos canônicos. O problema, que até os fãs mais dedicados reconhecem, começa a se agravar a partir de Metal Gear Solid 4, quando retcons questionáveis e reviravoltas cada vez mais elaboradas complicaram a coesão da série.
A declaração de Hayter, no entanto, captura algo genuíno sobre o apelo da franquia. A densidade narrativa de Metal Gear não é um defeito disfarçado de virtude: é parte do que faz o mundo criado por Hideo Kojima parecer vivo e repleto de camadas, mesmo que ninguém, nem mesmo quem viveu o personagem por décadas, consiga absorver tudo de uma vez.


