A Bit Reactor, estúdio responsável por Star Wars Zero Company, colocou cerca de 80% da sua equipe em licença não remunerada semanas antes do lançamento do jogo, segundo reportagem do Game File. A informação chega em contraste direto com o momento do estúdio, já que o título, lançado em 27 de agosto, tem sido amplamente elogiado pela crítica e pelo público
Um representante da Bit Reactor confirmou o afastamento da maior parte da equipe ao Game File, mas se recusou a detalhar o número exato de pessoas afetadas. Segundo esse representante, a decisão partiu exclusivamente do estúdio, sem qualquer participação da EA, publisher do jogo, ou da Disney, detentora da licença de Star Wars. A empresa afirmou esperar recontratar os funcionários afastados, com salários restaurados, caso o desempenho comercial do jogo permita.

O caso veio à público depois que Zachariah Scott, ex-artista técnico sênior da Bit Reactor que deixou o estúdio de forma conturbada em maio deste ano, publicado no LinkedIn que a empresa estaria escondendo a situação enquanto executivos da EA, da Disney e da própria Bit Reactor celebravam publicamente o sucesso do lançamento. Segundo o Game File, Scott conversou com quase uma dezena de funcionários da Bit Reactor no fim de semana seguinte ao lançamento, e todos relataram terem sido afastados cerca de três semanas antes do lançamento do jogo. Ele também se mostrou cético quanto à garantia de que todos os afastados vão de fato recuperar seus antigos cargos.
A situação financeira do estúdio, fundado em 2021 por profissionais vindos da Firaxis Games, conhecida pela série XCOM, veio à tona por meio de um processo judicial movido por Alison Kelly, ex-diretora de operações e cofundadora da Bit Reactor. Um documento do processo, protocolado em 12 de agosto, já mencionava que a empresa havia afastado a maioria dos funcionários e encerrado contratos com prestadores de serviço.

O processo em si trata de uma disputa à parte, sobre a própria posse do estúdio. Kelly alega ter sido afastada pelo cofundador Greg Foertsch e pede indenização superior a US$ 20 milhões, alegando que a Bit Reactor vale mais do que o dobro desse valor. Ela entrou com a ação inicialmente na Justiça federal, antes de refazer o processo no Condado de Baltimore, em Maryland, citando quebra de contrato e enriquecimento ilícito. Foertsch nega que Kelly tenha sido coproprietária do estúdio em algum momento e contesta a ação com alegações sobre o desempenho profissional dela, que a própria Kelly nega. O julgamento, inicialmente marcado para junho deste ano, foi adiado para o início de 2027.
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