Kingdom Hearts: Melody of Memory – Review

Por muitos anos, a franquia Kingdom Hearts era considera confusa e difícil de se iniciar pela maioria das pessoas, devido à grande quantidade de jogos cruciais para a história da saga sendo lançados em plataformas diferentes.

Não só isso, como uma das maiores críticas da franquia está no reuso dos modelos dos personagens e inimigos, que na maioria dos jogos são os mesmos dos utilizados em Kingdom Hearts 1.

Porém, tudo parecia ter se resolvido com a chegada da coleção All-In-One Package, que reúne os nove primeiros jogos da franquia em uma única coleção em HD, e o lançamento de Kingdom Hearts 3, que finalmente trouxe modelos atualizados e lindíssimos dos personagens da franquia.

Naturalmente, os fãs acharam que tudo começaria a seguir um rumo mais promissor, e os próximos jogos da franquia utilizariam a Unreal Engine 4 e os gráficos incríveis introduzidos com KH3, mas isto não estava nos planos de Tetsuya Nomura e da Square Enix.

Após o final super misterioso e interessante de Kindgom Hearts 3: Re:Mind, eu sinceramente esperava que o próximo jogo da franquia seguiria os sucessos de seu antecessor, mas ao invés disto, recebemos Kingdom Hearts: Melody of Memory, que assim como a maior parte da franquia, é um jogo divertido, mas que parece estar preso ao passado.

Kingdom Hearts: Melody of Memory é um jogo rítmico que tem como foco reviver toda a história da franquia através da trilha sonora original, que de fato é sensacional. Esta é uma ideia muito interessante, e o jogo realmente consegue nos levar em uma viagem super nostálgica pelos mundos e principalmente pelas músicas mais icônicas da franquia.

O jogo reconta de forma super resumida os acontecimentos de todos os jogos anteriores (com exceção de Union Cross, por algum motivo), e pequenos trechos de narração são liberados conforme terminamos certas fases.

Portanto, visitamos os mundos de todos os Kingdom Hearts (tanto os da Disney quanto os originais), enquanto jogamos as músicas mais icônicas de cada um deles e recebemos uma dose gigantesca de nostalgia.

Revisitar mundos como Traverse Town e Radiant Garden chega a aquecer o coração de tão nostálgico, enquanto outros mundos nos trazem uma surpresa agradável, como “Nossa, eu tinha esquecido completamente da barriga do Monstro”.

Começamos o jogo com apenas com a equipe de Sora liberada, e conforme chegamos nos mundos de certos jogos, outras equipes vão sendo liberadas, como a equipe de Aqua e a de Roxas. Todas os mundos do modo história podem ser completados com qualquer equipe sem restrições, e não há nenhuma diferença de gameplay entre eles, apenas mudança nas animações e nas magias utilizadas.

E apesar de poder utilizar sua equipe favorita durante o jogo inteiro ser algo muito legal, todos eles estão com seus modelos super ultrapassados. O Time Aqua utiliza os mesmos modelos de Birth By Sleep (um jogo de PSP), enquanto o time Sora utiliza os modelos remasterizados de Kingdom Hearts 1.

Esta decisão é extremamente retrógrada e desnecessária. A Square Enix possui modelos incríveis de todos estes personagens, mas optou por reusar modelos de dez anos atrás por algum motivo.

Eu entendo que o principal fator de MoM é a nostalgia, mas há maneiras muito melhores de induzi-la do que apenas reusar modelos ultrapassados durante o jogo inteiro.

Imagine o quão incrível seria ver os modelos de Sora e os outros irem evoluindo toda vez que você finalizasse as fases de um dos jogos da franquia, até chegarmos nas fases de KH3. Ao invés disto, estamos presos com os modelos do KH3 mesmo nas fases de KH2, e o pior de tudo, mesmo dentro das lutas contra os chefes.

Se você estiver com o time Sora, você enfrentará chefes como Xemnas de KH2 utilizando os modelos do primeiro Kingdom Hearts, e isto se repete durante o jogo inteiro.

Por algum motivo, Melody of Memory não foi desenvolvido na Unreal Engine 4, mas sim na Unity Engine, e a mudança é claramente perceptível. Enquanto as fases de todos os jogos antes do Kingdom Hearts 3 mostram o time de sua escolha derrotando Heartless, Nobodies e Unversed sempre que uma nota é corretamente pressionada, as fases de KH3 são apenas clipes mostrando as cutscenes do jogo enquanto a sua equipe voa ao redor dela.

Os únicos momentos onde os gráficos de Kingdom Hearts 3 são utilizados são nas cutscenes do fim do jogo, e algumas fases da reta final, que eu não comentarei neste review para não spoilar a experiência dos interessados.

Mas em relação a conteúdo, o que Melody of Memory tem a oferecer? No total, existem 150 músicas para se desbloquear e jogar, e a grande maioria delas é desbloqueada naturalmente ao se jogar o modo história. Algumas músicas específicas, chamadas de “Memory Dives”, precisam ser sintetizadas utilizando materiais dropados durante as fases normais.

Sim, este jogo rítmico focado nas músicas de Kingdom Hearts possui um sistema de crafting assim como os outros jogos da franquia. Nele, é possível sintetizar certas músicas como mencionado acima, assim como certos consumíveis que podem ser utilizados para facilitar a conclusão das fases  e itens colecionáveis como pôsteres, imagens dos personagens, inimigos, keyblades e etc.

Além das 150 músicas, também existem centenas de colecionáveis para se desbloquear e conferir na galeria, que vão desde imagens promocionais dos jogos até imagens das cutscenes mais importantes. Acima de tudo, Melody of Memory é um jogo feito para agradar os fãs, e age como uma ótima forma de consumir o material oficial e a trilha sonora da franquia Kingdom Hearts.

Em termos de gameplay, o jogo é relativamente simples, pressionar os botões no momento certo faz com que os personagens da sua equipe ataquem os inimigos em sua frente. Errar as notas faz com que você perca HP, que pode ser recuperado automaticamente se você iniciou a fase com poções selecionadas. Caso seu HP chegue a zero, é preciso recomeçar a fase do início.

Mesmo na dificuldade mais alta, MoM não apresenta muito desafio, pelo menos no modo história. No modo livre, há uma opção que introduz botões e mecânicas extras que precisam ser pressionados durante as fases, o que torna o jogo bem interessante.

Por falar no modo história, ele pode ser terminado em cerca de 6 horas, caso você faça o mínimo possível em cada um dos mundos. Existem apenas uma ou duas músicas por mundo, e cada uma delas conta com 3 desafios a serem cumpridos.

Estes desafios vão desde terminar a fase sem utilizar itens, à acertar todos os inimigos de um certo tipo, à conseguir um combo de X notas seguidas em uma determinada dificuldade. Eu fiz todos os desafios de todas as fases da história na dificuldade mais alta (Proud), e levei 18 horas para fechar tudo.

Um problema que eu encontrei na dificuldade Proud é que o ritmo das notas em certas fases é bem inconsistente. Enquanto a maioria das fases segue a risca o beat da música, o que torna a experiência mais simples e divertida de se aproveitar, outras quebram totalmente este padrão, seguindo instrumentos que estão tocando no fundo da música, enquanto outras simplesmente não seguem instrumento ou ritmo nenhum.

Isto não seria um problema tão grande se estas coisas acontecessem uma de cada vez, mas certas fazes combinam tudo isto que foi citado acima em intervalos de 5 ou 10 segundos, tornando impossível de adivinhar o que está para acontecer até que a nota chegue na sua cara.

No mais, Kingdom Hearts: Melody of Memory é um jogo feito para os fãs da franquia, e traz uma dose gigantesca de nostalgia na forma de músicas e mundos icônicos espalhados por quase 10 jogos diferentes. O gameplay é simplesmente, mas divertido, apesar de ser um pouco inconsistente na dificuldade mais alta, e os gráficos são uma verdadeira regressão após o show incrível que Kingdom Hearts 3 deu em 2018. E mesmo sendo um jogo aparentemente spin-off, Melody of Memory prepara o palco para tudo que está por vir nesta nova parte da saga, que tudo indica que começará em breve.

Review elaborado com uma cópia do jogo cedida pela desenvolvedora.

Resumo para os preguiçosos

Kingdom Hearts: Melody of Memory leva a história da franquia para frente enquanto regride para os gráficos e modelos de personagem que todos acreditavam estar extintos. O game é um presente para os fãs da franquia, trazendo doses enormes de nostalgia em uma coleção das melhores músicas dos 10 jogos lançados até hoje. O gameplay é simples e divertido, mas um pouco inconsistente nas dificuldades mais altas. Se você já terminou toda a saga Kingdom Hearts e quer algo novo, este jogo com certeza é para você.

Nota final

70
Saiba mais sobre os nossos métodos de avaliação lendo o nosso Guia de Reviews.

Prós

  • Mais de 100 músicas icônicas da franquia Kingdom Hearts totalmente jogáveis
  • Gameplay simples de se entender e divertido de jogar
  • Um balde de nostalgia para os fãs da franquia

Contras

  • Utiliza gráficos super ultrapassados ao invés dos modelos belíssimos de Kingdom Hearts 3
  • Muitas fases apresentam ritmos e notas inconsistentes nas dificuldades mais altas
David Brito

Fã de Roguelikes e J-RPGs, David passa a maior parte do seu tempo livre testando novos jogos e lembrando a todos o quanto ele ama a franquia Persona.

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