Depois de treze longos anos, Kingdom Hearts III finalmente foi lançado, mas será que ele conseguiu atender as expectativas dos fãs? Descubra nos parágrafos abaixo.

Kingdom Hearts III foi lançado no dia 25 de Janeiro no Japão e no dia 29 no resto do mundo, com a promessa de fechar de uma vez por todas o arco atual da franquia. Grande parte da história do game gira em torno de Sora tentando recuperar o Power of Waking, um poder necessário para encontrar os últimos Guerreiros da Luz e enfrentar a Verdadeira Organização XIII uma última vez.

A história de KH3 começa com diversas pontas soltas que deveriam ir sendo fechadas conforme o jogo avança, até culminar na batalha final contra a Organização, porém não é bem isso que acontece. Ao invés disso, a história principal é praticamente esquecida até o jogador terminar de visitar todos os mundos da Disney, e só a partir daí a história volta a ser o grande foco, e todas as pontas soltas que mencionei acima são fechadas quase que ao mesmo tempo, em uma sucessão de cutscenes e breves trechos de gameplay que culminam no final do jogo.

Apesar da história manter o mesmo padrão de qualidade da franquia, ela poderia ter sido muito melhor trabalhada se fosse progredindo a cada mundo da Disney que o jogador finaliza. O final deste arco realmente foi feito às pressas para caber em apenas um jogo, e o resultado infelizmente não foi dos melhores. Apesar da história acabar bem, ela poderia ter sido muito melhor.

Mas o que faz o jogador continuar entretido por quase 30 horas sem uma história principal focada e bem trabalhada? No caso de Kingdom Hearts III, isto se resume em dois fatores que foram perfeitamente combinados: O gameplay e os mundos da Disney.

Kingdom Hearts sempre foi um dos Action-RPGS mais fluídos do mercado, e KH3 conseguiu elevar isto a um outro nível. Não só temos acesso a maioria dos movimentos clássicos de Sora desde o começo, como também podemos utilizar duas das novas mecânicas de combate desde cedo. Estas mecânicas são as transformações das Keyblades de Sora e os Attraction Commands.

Em KH3, cada uma das Keyblades usadas por Sora tem uma (ou duas, dependendo da Keyblade) transformação única que muda completamente o combo básico de Sora, e algumas mudam até mesmo a forma em que as magias são lançadas. Enquanto algumas Keyblades se tornam armas de longa distância que dobram a quantidade de magia usadas pelo jogador, outras se tornam armas corpo a corpo devastadoras, como um martelo ou uma lança.

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Estas transformações conseguem trazer uma boa variedade para o combate principal do jogo, e conseguem se encaixar bem com o estilo de jogo de cada jogador (minha preferida é a Wheel of Fate, caso alguém queria saber). Já os Attraction Commands são um comando especial que invoca uma das atrações do Disney World para o combate, em um verdadeiro espetáculo de cores e efeitos.

As atrações variam de acordo com o terreno em que o combate está se passando, e causam uma quantidade massiva de dano a todos os inimigos na área, além de tornar Sora invulnerável na maioria dos vezes. Apesar das atrações serem muito bonitas de se ver e impressionantes em um primeiro momento, elas logo se tornam repetitivas , além de praticamente quebrarem o jogo, já que o simples fato de tornar Sora invulnerável remove completamente a dificuldade de um combate, mesmo na dificuldade mais alta. Os jogadores que desejam um desafio maior devem tentar usar as Atrações o mínimo possível, ou simplesmente deixá-las de lado (como eu fiz).

Mas o Kingdom Hearts III não se resume apenas a isto. O jogo possui a maior variação de gameplay de toda a franquia. Durante a campanha, os jogadores encontrarão os combates de ação, combates em FPS (tiro em primeira pessoa), batalhas navais em alto mar, além de certos momentos onde o gameplay se torna o de um jogo rítmico, e outros momentos onde o jogo se torna um On-Rails Shooter.

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Cada mundo da Disney introduz um novo estilo de gameplay que é intercalado com o gameplay normal, e a variação é ótima para não deixar nenhum dos estilos ficar cansativo. Mas apesar de ser divertidíssimo, o gameplay de Kingdom Hearts III às vezes acaba parecendo mais um filme animado do que um jogo, por causa das inúmeras animações e efeitos visuais que são utilizados durante os combates.

Alguns jogadores podem ter a sensação de que estão mais assistindo Sora e seus amigos derrotarem os inimigos do que de fato jogando o game, que muitas vezes se resume a apertar X/A e Y/Triângulo inúmeras vezes até a batalha acabar. Isto fica mais em evidência conforme o jogo se aproxima do fim, quando uma das lutas requer que o jogador pressione o botão Y/Triângulo 300 seguidas vezes para vencer a batalha.

Os mundos da Disney presentes em KH3 são os mais bem recriados e executados de toda a franquia. Enquanto alguns mundos seguem a história de seus respectivos filmes, outros trazem uma história completamente original que acaba englobando os vilões do jogo. Os mundos estão enormes e incrivelmente fiéis, com destaques para Arendelle (mundo de Frozen), O Caribe (Piratas do Caribe) e o Reino de Corona (Enrolados).

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Os gráficos e a trilha sonora estão simplesmente espetaculares. A Square Enix operou milagres na recriação dos personagens da Pixar, chegando a recriar cenas exatamente iguais ao filme da Disney com uma perfeição assustadora.

Por fim, Kingdom Hearts III é um ótimo RPG de Ação que com certeza agradará todos os fãs de longa data da franquia, além de agradar todos os fãs de filmes da Disney. Apesar da história não ser tão bem trabalhada quanto poderia ser e o jogo ser um pouco fácil demais, o gameplay e a ambientação variada conseguem prender o jogador por várias horas seguidas sem o cansar. Com gráficos incríveis e uma trilha sonora que ficará grudada na sua cabeça, Kingdom Hearts III faz valer os treze anos que ficou em desenvolvimento.

Review elaborado com uma cópia do jogo para PlayStation 4 fornecida pela Square Enix.

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