O CEO da Take-Two, Strauss Zelnick, admitiu em entrevista à Bloomberg News que o nível de pressão em torno de GTA 6 é incomum até para os padrões da empresa. “Estar à margem, mas bem perto da linha de frente, é muito, muito empolgante. E assustador. Porque as expectativas são altíssimas”, disse ele. A Bloomberg também revelou que a Rockstar Games firmou um acordo de marketing com a Sony para o lançamento do jogo, embora Zelnick tenha negado que isso influencie a decisão de priorizar consoles antes do PC.
GTA 6 chega em 19 de novembro de 2025 para PS5 e Xbox Series S/X após mais de oito anos de desenvolvimento, com uma produção que envolveu milhares de profissionais e custos que colocam o projeto entre os mais caros da história dos games. O peso desse investimento se reflete nas projeções do mercado: analistas estimam que o título pode ultrapassar 25 milhões de cópias vendidas já no primeiro dia.
Um jogo onde até 10 milhões de cópias pode parecer decepção

O contexto que torna GTA 6 único também é o que o torna uma aposta de alto risco. GTA 5, lançado em 2013, já vendeu mais de 225 milhões de cópias, ficando atrás apenas de Minecraft entre os jogos mais vendidos da história. Com esse legado nas costas, qualquer número que seria extraordinário para qualquer outro título pode ser lido como desempenho abaixo do esperado pelos investidores.
Zelnick reconhece o peso disso, mas defende a estratégia da Take-Two de continuar apostando em grandes blockbusters mesmo com custos crescentes. “Os custos de desenvolvimento têm aumentado cada vez mais. Ainda não vimos esses custos diminuírem. Talvez diminuam. Talvez não. Esse é um jogo de alto risco, só para gente grande, e eu não vejo problema nisso”, afirmou.
Sobre a chegada ao PC apenas após o lançamento nos consoles, o executivo reforçou que a decisão é histórica dentro da Rockstar e não está atrelada ao acordo com a Sony. “Se o seu consumidor principal não estiver lá, se ele não for atendido primeiro e da melhor forma, você acaba não atingindo os outros consumidores”, explicou. Ele também reconheceu que o PC representa hoje entre 45% e 50% das vendas de grandes títulos, o que torna a janela de exclusividade consoles uma escolha de posicionamento, não de desconhecimento do mercado.
O que chama atenção no posicionamento de Zelnick é a combinação de confiança pública com humildade calculada. Ele não declara sucesso antecipado, incentiva as equipes criativas a perseguir suas visões e apresenta GTA 6 como algo genuinamente inédito, mas ao mesmo tempo enquadra tudo isso dentro de uma lógica financeira bem definida. Para a Take-Two, o jogo precisa ser um fenômeno, não apenas um grande lançamento.

