A situação dentro do Xbox tem sido preocupante, com rumores de fechamento de estúdios como Ninja Theory, Compulsion Games e Double Fine Productions, além da possibilidade de mais demissões. Nesse contexto, Thomas Mahler, CEO da Moon Studios responsável por Ori, comentou sobre os desafios do Game Pass em uma série de tweets.
Respondendo ao criador de Duke Nukem, George Broussard, que questionou a origem do Game Pass, Mahler definiu o serviço como “um pouco como o comunismo”, pois, segundo ele, sistemas assim não oferecem incentivos fortes para que desenvolvedores se esforcem além do básico. Para Mahler, serviços de assinatura vivem ou morrem pela qualidade do conteúdo, que o Xbox não conseguiu entregar de forma consistente. Ele destacou o contraste entre o sucesso de Skyrim e a recepção mais morna de Starfield, da Bethesda.
I mean, the Gamepass strategy could've worked if people would've shown up for it. Problem is: They didn't and the software catalogue was just nowhere near good enough to make people happily pay the subscription every month.
It's the same as with streaming in the film business:…
— thomasmahler (@thomasmahler) June 18, 2026
Mahler explicou que o Game Pass poderia ter funcionado se os jogos presentes no catálogo fossem grandes sucessos que despertassem o interesse do público. Ele comparou o cenário dos games ao das plataformas de streaming de filmes, que prosperam graças a produções de alto nível, como as séries Sopranos, The Wire e Game of Thrones na HBO. No entanto, para jogadores, o fator novidade é essencial, e lançamentos recentes do Xbox não atingiram o padrão esperado.
O CEO ressaltou que os estúdios da Microsoft precisariam criar verdadeiros “eventos culturais” no mundo dos games que todos desejassem jogar, mas, segundo ele, nenhum título recente de primeira linha do Xbox alcançou essa qualidade. Citou o desejo por um “Skyrim no espaço” feito pela Bethesda, semelhante ao que já foi tentado em Starfield, embora este tenha desapontado parte da comunidade e da própria desenvolvedora devido às dificuldades em trabalhar uma nova IP em um cenário diferente.
Outro ponto destacado por Mahler é que o Xbox precisaria compreender profundamente as expectativas dos jogadores e manter relações comerciais que incentivassem desenvolvedores a produzir títulos de grande impacto, em vez de conteúdos medianos entregues em massa. Isso, segundo ele, não ocorreu, levando a um cenário em que o serviço acaba dependente de um conteúdo que não provoca engajamento suficiente para manter ou ampliar a base de assinantes.
Apesar das críticas, é importante destacar que o Game Pass adicionou jogos de qualidade, incluindo títulos first-party importantes como Forza Horizon e Indiana Jones and the Great Circle, além de jogos third-party e até tentativas de incluir franquias de grande porte como Call of Duty. Todavia, essa estratégia enfrenta um problema estrutural: jogos de grande sucesso podem canibalizar vendas premium, enquanto jogos medianos não atraem novos assinantes com a mesma força.

