Exclusivos de PS4 e PS5 tiveram desempenho fraco no PC no lançamento

Os números não mentem: a estratégia da Sony de levar seus grandes exclusivos ao PC gerou resultados bem abaixo do esperado, e isso pode explicar a recente decisão da empresa de encerrar os ports de seus principais jogos single-player para a plataforma. Dados estimados pela firma de análise Ampere, publicados pelo The Game Business, revelam as vendas no mês de lançamento de quatro grandes títulos da PlayStation Studios no Steam — e o panorama é preocupante.

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Os Números que Falam por Si

Confira as vendas estimadas no mês de lançamento de cada jogo no PC:

  • Ghost of Tsushima: 710 mil cópias

  • God of War Ragnarök: 300 mil cópias

  • Marvel‘s Spider-Man 2: 260 mil cópias

  • Horizon Forbidden West: 230 mil cópias

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O único título que se saiu razoavelmente bem foi Ghost of Tsushima, que havia chegado ao PC sem ter recebido uma versão para PS5 — o que o tornava uma novidade genuína para jogadores que nunca tiveram acesso ao jogo. Os outros três, porém, são sequências de franquias enormes que já haviam sido lançadas há anos no PlayStation, e os números refletem isso.

O exemplo mais emblemático é God of War Ragnarök: o jogo atingiu 6,9 milhões de jogadores no PS5 e PS4 no seu lançamento em novembro de 2022. Quando chegou ao PC, quase dois anos depois, vendeu apenas 300 mil cópias no primeiro mês — menos de 5% da base que já havia jogado no console. A demora no port claramente esfriou o interesse do público de PC, que ou já havia jogado no console, ou havia simplesmente seguido em frente.

O Dilema Insolúvel da Sony

A situação coloca a Sony em um beco sem saída que a empresa já conhece bem. Todos sabem que o desempenho desses ports poderia ser muito melhor se os jogos chegassem ao PC no mesmo dia do lançamento no PS5 — o chamado modelo day-and-date. A demanda seria maior, o jogo ainda estaria no auge do hype, e a cobertura da mídia beneficiaria ambas as plataformas simultaneamente.

O problema é que esse modelo destruiria o principal argumento de venda do PlayStation como hardware. A Sony está no negócio de vender consoles, e exclusivos são a razão número um pela qual os consumidores compram um PS5 em vez de simplesmente jogar no PC. Abrir mão dessa vantagem competitiva em nome de receita adicional no Steam seria, na visão da empresa, um tiro no próprio pé.

Assim, a Sony ficou presa em uma estratégia híbrida que não agradava ninguém completamente: os ports chegavam tarde demais para capitalizar o hype, e cedo o suficiente para gerar a percepção de que “esperar no PC” era uma estratégia válida — desincentivando a compra do console.

A Decisão de Recuar

Diante desse cenário, a Sony tomou uma decisão que, à luz desses dados, faz sentido: encerrar os ports de seus grandes jogos single-player para PC. Segundo reportagens publicadas em março de 2026, a empresa teria abandonado essa prática para seus títulos principais. A exceção fica por conta de jogos live service — como Helldivers 2, que nasceu multiplataforma — e alguns títulos desenvolvidos por estúdios externos com acordos específicos.

A lógica é simples: se God of War Ragnarök, um dos jogos mais aclamados da geração, gerou apenas 300 mil vendas no PC após quase dois anos de espera, o custo de oportunidade de continuar investindo em ports — que envolvem tempo, recursos de desenvolvimento e suporte técnico — simplesmente não justifica o retorno financeiro.

O Fim de uma Era de Abertura

Durante a gestão de Jim Ryan à frente da PlayStation, a Sony havia adotado uma postura inédita de abertura ao PC, argumentando que isso expandia o alcance da marca sem canibalizar as vendas de console. Os números do período inicial pareciam confirmar essa tese: Horizon Zero Dawn foi um sucesso no Steam em 2020, e God of War (2018) vendeu bem quando chegou ao PC em 2022.

Mas a lei dos rendimentos decrescentes se impôs. À medida que mais jogos chegavam ao PC, a novidade diminuía, e o público de PC que se interessava pelos exclusivos da Sony já havia migrado — ou comprado um PS5. O que sobrou foi uma fatia de mercado pequena demais para justificar a estratégia.

Com a nova liderança sob Hermen Hulst e Hideaki Nishino, a Sony parece ter chegado à conclusão de que o PlayStation precisa defender seu jardim murado. Os exclusivos voltam a ser, de fato, exclusivos — e os números apresentados pela Ampere explicam exatamente o porquê.

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Eric Arraché
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.