A admissão da nova CEO da Xbox, Asha Sharma, de que o Game Pass “ficou caro demais para os jogadores” não foi recebida como um sinal promissor por todos no setor. Shawn Layden, ex-presidente da PlayStation, foi mais direto em sua avaliação, sugerindo que o problema vai além de um ajuste de preço.
“Eles estão tentando muito fazer isso funcionar, apesar de diagnósticos desfavoráveis e um prognóstico sombrio”, escreveu Layden no LinkedIn. “Uma autópsia esclarecedora faria bem para toda a indústria.”
Um modelo com questões estruturais desde o início

O Game Pass foi elogiado em seus primeiros anos como uma resposta ao custo crescente dos jogos, tornando lançamentos mais acessíveis e permitindo que jogadores experimentassem títulos que não comprariam de outra forma. Mas as dúvidas sobre sua sustentabilidade financeira nunca desapareceram completamente.
Raphael Colantonio, co-fundador da Arkane Studios, alertou no passado que o serviço vem prejudicando a indústria há uma década e que não pode coexistir indefinidamente com outros modelos de negócio, tendo que eventualmente “matar todos os outros ou desistir”. Os números dão peso à preocupação: reportagens apontaram que Call of Duty: Black Ops 6 deixou de arrecadar até 300 milhões de dólares por ter estreado no serviço no dia do lançamento. A Microsoft paga cerca de 1 bilhão de dólares anuais para incluir jogos de terceiros no catálogo, além de repasses recorrentes baseados em engajamento dos jogadores.
O memo de Sharma promete “mais flexibilidade, escolha e valor” e reafirma o compromisso com lançamentos no dia um, mas não endereça diretamente as questões estruturais que veteranos da indústria vêm levantando. Michael Douse, chefe de publicação da Larian Studios, resumiu a dúvida que paira: “O que acontece quando todo esse dinheiro acabar?”

