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Entenda, The Last of Us Parte 2 não teria como existir sem AQUELA morte

The Last of Us Parte 2 está entre nós há exatamente uma semana hoje, e muita gente gostou, mas muita gente também detestou por causa de uma morte em específico.

Mas você já parou para pensar que o jogo não teria nenhum motivo para existir não fosse essa morte?

No post de hoje, eu vou discutir um pouco mais a história do jogo.

Não prossiga a menos que você tenha terminado The Last of Us Parte 2, pois eu vou falar de todos os spoilers do jogo abaixo.

Quando The Last of Us Parte 2 foi anunciado, a Naughty Dog havia dado a entender que que morria era Dina (até então apenas conhecida como “namorada da Ellie”) e não Joel.

Para não entregar a morte de Joel, a companhia postou um trailer onde Joel diz que nunca deixaria Ellie “fazer aquilo” sozinha, usando na verdade essa fala tirada de um flashback onde os dois estão juntos.

O motivo disso era óbvio e foi comprovado pelos vazamentos: muitos fãs iriam ficar extremamente chateados com a morte de Joel, mas esta sequência não teria como ser do jeito que foi se ele não tivesse morrido.

Pare para pensar comigo: Ellie fica com Dina uma ou dois noites antes da morte de Joel. Ela até poderia gostar da garota, mas ela estava recém no começo de um relacionamento, por mais que a morte de Dina doesse, o laço dela com Joel era muito mais profundo e complexo.

Joel andou metade do país com ela para levá-la para a base dos Vagalumes pois ela poderia ser a solução para a infecção, para causar uma chacina lá dentro e salvá-la. O motivo daquilo? Depois de se permitir novamente amar outra filha, ele não queria perdê-la, como ele perdeu Sarah logo no começo da pandemia.

Durante o jogo, descobrimos que Ellie havia cortado relações com Joel quando ela descobriu aquilo, e que na noite em que ela ficou com Dina, ela decidiu dar mais uma chance para ele. Essa era uma relação extremamente complexa, pois por um lado, ela o amava e ele era o mais próximo de uma figura paterna que ela tinha, mas por outro, ela não o perdoava por ele ter feito a maior escolha da vida dela por ela, e por ele ter escolhido algo que ela não queria pra si.

Você consegue compreender o peso de tudo isso? Não tem como replicar todo esse peso com uma garota que ela conhecia há alguns meses e que havia trocado uns beijos. Ok, a relação de Ellie e Dina cresce junto com o jogo, mas é uma relação completamente diferente da que ela possuía com Joel.

E isso que nem chegamos em Abby ainda. Apesar de eu também ter detestado o fato de Joel ter morrido, o jogo faz um excelente serviço em mostrar o lado da personagem.

Ela não é uma assassina desalmada como a gente pensa inicialmente, muito pelo contrário. A morte de Joel, principalmente por causa da forma como ele foi morto, deixou severas cicatrizes mentais nela. Tanto que, num ato de puro egoísmo, ela decide salvar Lev e Yara, duas crianças que ela poderia muito bem ter ignorado ou não ter ido tão longe quanto foi caso ela não tivesse matado Joel.

Em The Last of Us Parte 2, temos dois arcos conflitantes, o de Ellie buscando por vingança, e o de Abby buscando por redenção pelo que ela havia feito. Estas histórias obviamente se misturam e muito provavelmente em algum ponto do jogo você vai parar de querer que a Abby morra de forma cruel e passe até a entender o lado dela.

Ellie e Abby muito bem poderiam ser amigas caso o destino não as tivesse colocado em posições antagônicas, e isso é uma conclusão que qualquer um pode tomar.

Talvez a grande questão da história de The Last of Us Parte 2 é que ela necessita reflexão. Não é uma história com um lado bom e um lado ruim, ou seja, preto no branco, é uma história cheia de tons de cinza, de pontos de vista diferentes, e que nós provavelmente estaremos discutindo daqui um bom tempo ainda sem chegar à conclusão de quem tinha razão no final das contas.

Talvez a grande mensagem da história seja a de que a vingança nunca é algo satisfatório. Isso é representado principalmente pela cena final do jogo, com Ellie voltando à casa onde ela e Dina tiveram uma vida feliz juntas.

Ellie chega lá, a casa está vazia, afinal Dina disse que não iria partir em outra vingança com ela. A protagonista então vai até o quarto onde o violão dela está e decide tocar a música que Joel havia ensinado a ela… mas ela não consegue porque lhe faltam os dedos da mão dos acordes do violão. Na tentativa de vingar-se da morte dele, ela não só perdeu a companheira, mas também a habilidade de fazer o que mais a conectava com o pai que ela havia perdido.

Durante a história de The Last of Us, Ellie comenta que o que ela mais tinha medo era de ficar sozinha, e é exatamente isso o que a vingança dela a trouxe. Sem Dina, sem Tommy (que ainda não havia desistido dessa vontade), sem Joel e sem nem ter conseguido levar a cabo o que ela colocou tudo a perder para conseguir.

E nada disso seria possível se a morte fosse a de Dina, afinal de contas, não teríamos o lado da Abby, não teríamos Ellie ficando sozinha (pois Joel muito provavelmente ajudaria ela, como o trailer falso da Naughty Dog sugeriu) e sim, teríamos um mundo muito mais “feliz”, mas uma história que certamente seria bastante inferior em relação à original por não ter dado um passo pra fora da zona de conforto.

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