Após 18 anos de espera, Metroid Prime 4: Beyond finalmente chegou, mas o retorno da franquia veio acompanhado de críticas intensas por parte da comunidade, especialmente em relação ao personagem Myles MacKenzie, que guia Samus durante boa parte da campanha com mensagens constantes via rádio. Embora os desenvolvedores tenham tentado suavizar o personagem, muitos fãs consideram sua presença um reflexo de um problema maior: a quebra da essência solitária e exploratória da série.
Segundo entrevista publicada na revista japonesa Famitsu, a equipe da Nintendo explicou que MacKenzie foi criado para ser um engenheiro carismático e bem-intencionado, com traços de covardia e distração para torná-lo menos irritante. Apesar dessa intenção, a reação dos fãs foi majoritariamente negativa, com diversos jogadores desativando completamente o volume das vozes para evitar as falas repetitivas e direcionamentos forçados.
O problema está além do MacKenzie
As reclamações sobre MacKenzie não são isoladas. Desde Metroid Fusion (2002), parte da base de fãs já criticava o excesso de diálogos e explicações. Com Other M, esse elemento foi levado ao extremo, resultando em uma recepção amplamente negativa. Mesmo assim, Metroid Prime 4: Beyond volta a insistir na fórmula: uma experiência guiada, com diálogos constantes e personagens secundários presentes o tempo todo, como Armstrong e Tokabi.
Embora esses coadjuvantes tenham recebido construção narrativa cuidadosa, o maior incômodo é estrutural. A exploração, que sempre foi central na franquia Metroid, dá lugar a uma progressão linear, com pouca liberdade para desvendar o mundo alienígena de forma orgânica. MacKenzie, nesse contexto, simboliza a mudança de filosofia: ao invés do silêncio e da solidão, o jogador recebe instruções a cada passo.
A ambientação continua forte, e os visuais, combates e movimentação agradam. No entanto, a direção excessiva e a constante presença de personagens falantes demonstram uma desconexão com aquilo que sempre definiu Metroid: a solidão silenciosa em um planeta hostil, descoberta após descoberta.

