Gabe Newell passou cerca de cinco meses cantando músicas tradicionais mongóis no escritório da Valve, segundo lembrança de Minh “Gooseman” Le, co criador de Counter Strike. A história foi contada por Le durante uma entrevista ao YouTuber Indie Game Joe, em que ele revisitou os anos em que trabalhou na empresa.
Minh Le e Jess Cliff ganharam destaque em 1999 ao criar um mod de Half Life que acabaria se transformando em Counter Strike. O sucesso do projeto levou Le a trabalhar diretamente com a Valve por vários anos. Nesse período, ele participou de projetos ligados a Day of Defeat: Source e acompanhou de perto o ambiente de desenvolvimento comandado por Gabe Newell.
Ao falar sobre sua chegada à empresa, Le descreveu a experiência como algo incrível, especialmente por ter sido seu primeiro trabalho na indústria de games. Ele também comparou a Valve a uma universidade, mas com a diferença de que os funcionários eram pagos para criar jogos. Segundo o desenvolvedor, o estúdio reunia alguns dos maiores talentos do setor.
A convivência com Newell, porém, também rendeu situações bastante incomuns. Le descreveu o fundador da Valve como uma pessoa excêntrica e curiosa, lembrando que ele ficou fascinado pelo canto difônico mongol. A prática teria se tornado frequente a ponto de Newell cantar pelo escritório durante meses, provocando irritação entre outros funcionários.
O interesse não teria parado na música. De acordo com Le, Newell também começou a colecionar espadas e machados de grandes dimensões antes de se dedicar à fabricação artesanal de facas. Para o co criador de Counter Strike, essas excentricidades ajudavam a definir o ambiente pouco convencional da Valve durante os anos de formação da franquia.
Le deixou a empresa em 2006, quando sentiu que a Valve não demonstrava motivação suficiente para reinventar Counter Strike. Apesar disso, suas lembranças sobre o período continuam positivas. Atualmente, ele trabalha em Alpha Response, um jogo de tiro tático inspirado por experiências como Ready or Not.
A história do canto mongol revela menos sobre uma estratégia de negócios e mais sobre a cultura peculiar que marcou a Valve em seus primeiros anos. Em um estúdio conhecido por dar liberdade aos desenvolvedores, até uma obsessão musical de meses acabou se tornando parte da memória de quem ajudou a construir a empresa.


