Bruno Monteiro Aiub, o Monark, acaba de ter seu perfil no X (antigo Twitter) removido — a terceira plataforma a derrubar suas contas em poucos dias, após YouTube e Instagram tomarem a mesma medida de forma independente. Todas as plataformas afirmam que a remoção foi uma decisão interna, sem qualquer ordem judicial envolvida desta vez.
Uma Sequência de Quedas em Cascata
O retorno de Monark às redes sociais, anunciado em 26 de abril com o lançamento do podcast Bruno Aiub Show no YouTube, durou menos de uma semana. A linha do tempo das remoções é a seguinte:
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26 de abril: Monark anuncia seu retorno ao YouTube com novo canal
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Dias seguintes: Instagram remove o perfil do influenciador, também citando política interna
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Maio: X (Twitter) derruba a conta, completando o varredura nas três principais plataformas
Em nenhum dos casos houve menção a ordens judiciais como motivação — as plataformas invocaram suas próprias políticas de uso como fundamento das remoções.
O Que as Plataformas Disseram
O YouTube foi o mais explícito. Em mensagem enviada ao criador e confirmada pelo portal Crusoé, a plataforma justificou a ação com a seguinte nota: “Revisamos o seu conteúdo e descobrimos violações severas ou repetidas às Diretrizes da Comunidade. Por isso, removemos o seu canal do YouTube.” A decisão comunicada em 1º de maio fundamenta-se na política da empresa de vedar a presença de usuários com histórico de infrações reiteradas — independentemente de o canal ser novo.
O Instagram e o X seguiram linha similar, classificando a remoção como decisão interna baseada em suas respectivas políticas de uso, sem detalhamentos adicionais sobre qual conteúdo específico motivou as ações.
A Reação de Monark
Em seu perfil no X — ainda ativo no momento em que questionou o YouTube —, Monark classificou a derrubada do canal como “desproporcional”. O influenciador argumentou que havia retornado às redes sociais com autorização judicial, após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ter levantado as restrições que o mantiveram fora da internet por cerca de três anos. Para ele, as plataformas estariam agindo além do que o histórico justificaria.
O Contexto Jurídico e a Cláusula Perpétua
O caso levanta novamente a questão jurídica já discutida por especialistas: os Termos de Serviço do YouTube — e de outras plataformas — contêm uma cláusula que proíbe de forma perpétua a criação de novos perfis por usuários que já foram banidos. Como discutido anteriormente, o advogado João de Senzi obteve uma decisão judicial que declarou nula exatamente essa cláusula para um cliente, argumentando que ela viola o direito constitucional ao trabalho e o Código de Defesa do Consumidor.
Para Monark, o caminho para permanecer nas plataformas pode depender justamente de uma batalha jurídica nessa frente — já que a via administrativa, ao que tudo indica, está bloqueada.
Um Padrão que se Repete
O que chama atenção neste episódio é a coordenação implícita entre plataformas distintas, todas agindo de forma independente e em sequência. YouTube, Instagram e X chegaram à mesma conclusão em poucos dias, sem qualquer determinação externa — o que sugere que os sistemas automatizados ou as equipes de moderação dessas empresas identificaram o retorno de Monark e aplicaram suas políticas de reincidência de forma quase simultânea.
Para o influenciador, o recado das big techs parece claro: independentemente de autorizações judiciais no Brasil, as plataformas privadas reservam para si o direito de decidir quem pode ou não criar conteúdo em seus ecossistemas — e, no caso de Monark, essa decisão continua sendo a mesma de sempre.


