O analista Ben Thompson, criador da newsletter Stratechery, afirmou que a Rockstar está cobrando um valor muito baixo por Grand Theft Auto VI, sugerindo que o jogo deveria custar cerca de 200 dólares em vez dos 80 dólares anunciados pela desenvolvedora. Em entrevista ao TBPN, Thompson argumentou que o título representa o auge do trabalho artesanal humano em jogos triple-A, tendo sido desenvolvido majoritariamente antes da popularização das ferramentas de criação de jogos baseadas em IA.
Segundo Thompson, o game é resultado de “anos e anos de sangue, suor e lágrimas”, um esforço tão intenso que chegou a gerar análises nas redes sociais sobre a quantidade de crunch enfrentada pelos funcionários da Rockstar, com usuários do Twitter chegando a contar bitucas de cigarro fora dos escritórios da empresa para estimar a carga de trabalho. Ele classificou o jogo como “o pináculo da artesania triple-A” justamente por ter sido concluído majoritariamente antes da ampla adoção de ferramentas de IA na produção de jogos.
A Rockstar confirmou no mês passado o preço de 80 dólares para a versão padrão de GTA VI, além de uma Edição Ultimate por 100 dólares, encerrando especulações sobre um possível valor ainda mais alto, dado que os custos de desenvolvimento e marketing do jogo são estimados entre 1 bilhão e 2 bilhões de dólares. A maioria dos analistas concordou que a Rockstar optou por manter um preço conservador para maximizar o alcance do jogo entre os jogadores, já que um valor mais alto, como 100 dólares, ainda venderia bem, mas afastaria uma parcela de compradores que poderiam gerar receita futura através de conteúdos adicionais e da eventual nova versão do GTA Online.
Thompson chegou a declarar que se sente “compelido a comprar GTA VI apenas em homenagem à sua existência”, mesmo sem saber se realmente vai jogá-lo, afirmando que pagaria os 200 dólares sugeridos sem hesitar. A fala reflete um sentimento de nostalgia anticipada por parte de alguns analistas, que enxergam o título como um marco histórico da indústria antes de uma possível transição definitiva para produção assistida por inteligência artificial.
É uma visão interessante, ainda que discutível: valorizar um jogo pelo “trabalho humano” empregado nele ignora o quanto esse mesmo crunch intenso, mencionado pelo próprio Thompson, tem sido criticado por trabalhadores da Rockstar que atualmente buscam reconhecimento sindical. Cobrar 200 dólares por esse motivo romantiza um processo de desenvolvimento que, para muita gente dentro do estúdio, provavelmente foi bem menos poético do que a narrativa do analista sugere.


