Steven Spielberg entrou no debate sobre inteligência artificial em Hollywood com uma posição clara: a tecnologia pode ser útil em tarefas de apoio, mas não tem vez nas decisões criativas. O cineasta expressou sua visão durante uma participação no podcast IMO with Michelle Obama & Craig Robinson.
Steven Spielberg gives his thoughts on AI in filmmaking
"I don't believe there is any substitute for the soul. I don't think that's an algorithm that is inventible … don't tell me I don't have the right antagonist in this story, don't tell me how to write my dialogue, don't… pic.twitter.com/0boyI6hiZF
— Culture Crave 🍿 (@CultureCrave) May 27, 2026
“Não acredito que exista qualquer substituto para a alma. Não acho que isso seja um algoritmo que possa ser inventado”, disse o diretor. A declaração veio quando Michelle Obama trouxe o tema da IA na escrita e no cinema, e Spielberg foi direto ao ponto: não quer a tecnologia interferindo nas escolhas que definem um filme.
“Não me diga que eu não tenho o antagonista certo nesta história. Não me diga como escrever meus diálogos. Não me diga para onde a câmera precisa ir. E também não me diga como o set deve ser montado, a menos que a IA seja apenas mais uma ferramenta na grande caixa de ferramentas do diretor de arte”, afirmou. A conclusão foi direta: “Use a IA como ferramenta, mas não a use como a palavra final em qualquer coisa criativa. É aí que eu traço a linha.”

Isso não significa rejeição total à tecnologia. Spielberg reconheceu que a IA pode ser valiosa em áreas como a prospecção de locações, poupando trabalho de toda a equipe, e citou também aplicações médicas e educacionais como exemplos de uso positivo. O que ele recusa é ceder à IA o papel de co-autora criativa, especialmente a cadeira vazia na mesa dos roteiristas.
A fala acontece num momento particularmente carregado para Hollywood. Na mesma semana, a Amazon MGM Studios anunciou o GenAI Creators’ Fund e aprovou três séries animadas inteiramente desenvolvidas com ferramentas de IA generativa, o que reacendeu o debate sobre até onde a tecnologia pode ir na cadeia produtiva do entretenimento.

Spielberg não é o primeiro grande nome a se posicionar: em dezembro do ano passado, Leonardo DiCaprio disse à revista Time que qualquer obra verdadeiramente artística precisa partir de um ser humano, porque a IA, por mais brilhante que pareça, carece de humanidade para se sustentar como arte.
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