Nicolas Cage passou décadas resistindo à televisão, mas uma das mais aclamadas séries de todos os tempos mudou tudo isso. O showrunner de Spider-Noir, Oren Uziel, revelou em entrevista ao DiscussingFilm que foi o próprio filho do ator quem apresentou Breaking Bad a ele, e que assistir à série foi o que finalmente o convenceu de que era possível fazer um trabalho expressivo no formato. “Recentemente agradeci a Vince Gilligan por me ajudar a conseguir Nicolas Cage”, brincou Uziel.
‘SPIDER-NOIR’ showrunner Oren Uziel says that Nicolas Cage's son showed him ‘Breaking Bad’ and that convinced him he could do a TV series.
“I recently thanked Vince Gilligan for helping me get Nic Cage.” pic.twitter.com/MhYzR8jg98
— DiscussingFilm (@DiscussingFilm) May 26, 2026
O próprio Cage confirmou e detalhou a experiência em entrevista à Variety publicada na última quarta-feira (27), por ocasião da estreia de Spider-Noir no Prime Video. Antes, segundo ele mesmo, era “totalmente contra fazer televisão”, pois acreditava que o formato não oferecia o espaço necessário para o tipo de trabalho que queria desenvolver diante das câmeras.
Breaking Bad mudou essa percepção de forma bastante concreta. Cage descreveu uma cena específica que o impactou: Bryan Cranston olhando para uma mala por um longo tempo, sem dizer uma palavra. “Eu não conseguia tirar os olhos dele, e tudo o que ele fazia era olhar para uma mala. Foi aí que percebi que você não consegue fazer isso no cinema: você não tem tempo.” A observação captura bem o que o seduziu no formato, a possibilidade de deixar personagens respirarem, acumularem, se transformarem ao longo de horas de narrativa.

A partir daí, Cage começou a enxergar a televisão como um espaço para plantar sementes que o cinema raramente permite colher. “Pensei que talvez, com uma narrativa de oito horas, eu pudesse começar a desenvolver um personagem de maneiras que não tenho o luxo de fazer em um filme. Esse foi o principal atrativo.” Ainda assim, esperou por um projeto que considerasse à altura. Quando Spider-Noir surgiu, com sua estética noir dos anos 1930 e uma abordagem visivelmente cinematográfica, ele viu a oportunidade certa.
Uziel, por sua vez, atribuiu parte do sucesso da negociação ao próprio DNA da série. Ao apresentar o projeto a Cage, ancorou todas as referências criativas no cinema clássico: Pacto de Sangue, Casablanca, A Rapariga do Jornal e Chinatown foram alguns dos títulos citados como inspiração para o tom da série. “É um show muito fílmico”, disse o showrunner. Essa combinação, uma série que parecia um filme e um formato provado por Breaking Bad, foi o que fechou o acordo.

Uma vez embarcado, Cage mergulhou de cabeça. Uziel descreveu o ator como alguém completamente preparado: decorava todos os roteiros antes das leituras de mesa e participava ativamente da construção do personagem. “Moldamos o personagem juntos, foi mesmo um trabalho de equipe”, disse. Cage, por sua vez, admitiu que só ganhou confiança plena no resultado depois de assistir aos oito episódios finalizados. “Eu estava constantemente preocupado que seria demitido, porque estava fazendo essa coisa de canalizar atores antigos e colidir isso com a obra de Stan Lee.”
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