Policiais de Miami processam Ben Affleck e Matt Damon por difamação em Dinheiro Suspeito

O sucesso de Dinheiro Suspeito na Netflix trouxe consequências inesperadas para Ben Affleck e Matt Damon fora das telas. Jason Smith e Jonathan Santana, agentes de narcóticos do Departamento do Xerife de Miami-Dade, entraram com um processo judicial contra as produtoras dos atores alegando que o thriller policial os retratou falsamente como policiais corruptos perante o grande público (via EW).

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A ação foi protocolada em um tribunal federal da Flórida e tem como alvos a Artists Equity, estúdio fundado por Affleck e Damon em 2022, e a Falco Productions, LLC criada especificamente para o projeto. Os policiais pedem indenização por danos não especificados, além de punitive damages e reembolso de custas judiciais, com base em acusações de difamação direta, difamação por implicação e sofrimento emocional intencional.

Policiais de Miami processam Ben Affleck e Matt Damon por difamação em Dinheiro Suspeito

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O ponto central do processo é a ligação entre os personagens fictícios e os agentes reais. Smith e Santana não são citados pelo nome em nenhum momento do filme, mas a queixa argumenta que os detalhes utilizados na trama tornam a associação inevitável para quem conhece o caso original. Em junho de 2016, os dois conduziram a maior apreensão em dinheiro vivo da história do Departamento de Polícia de Miami-Dade: mais de US$ 21 milhões encontrados escondidos em baldes laranja atrás de uma parede falsa em uma residência em Miami Lakes. Dinheiro Suspeito reencena uma operação com contornos praticamente idênticos.

O problema, segundo os autores da ação, está no que vem depois. O filme, estrelado por Matt Damon como o tenente Dane Dumars e por Ben Affleck como o sargento J.D. Byrne, acrescenta subtramas completamente inventadas, incluindo esquemas de desvio do dinheiro apreendido, envolvimento com cartéis e assassinatos. Uma das cenas citadas especificamente no processo mostra o personagem de Affleck matando um agente da DEA. Para Smith e Santana, mesmo que o filme abra com o aviso de ter sido “inspirado em eventos reais”, a distância entre o que aconteceu e o que é mostrado na tela é grande o suficiente para configurar difamação.

As consequências já seriam concretas no cotidiano dos dois agentes. Segundo os advogados, familiares, colegas e até promotores passaram a questioná-los após o lançamento do filme, em janeiro de 2026, perguntando se teriam usado o dinheiro apreendido para reformar imóveis, comprar veículos e pagar escolas particulares para os filhos. A queixa interpreta essas perguntas como evidência de que o público está associando os policiais reais à corrupção retratada na ficção.

O processo também revela que os advogados de Smith e Santana enviaram uma notificação extrajudicial às produtoras ainda em dezembro de 2025, antes da estreia, exigindo que o lançamento fosse suspenso. A resposta veio apenas depois que o filme já estava disponível na plataforma, com a alegação de que as preocupações eram infundadas porque nenhum dos policiais era identificado diretamente. Além da indenização, os autores pedem uma retratação pública e a adição de um aviso mais explícito no filme, deixando claro que os eventos retratados não ocorreram de fato. A Netflix, que não figura como ré no processo, recusou comentar. Affleck, Damon e a Artists Equity também não se manifestaram publicamente até o momento.

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João Victor Albuquerque
João Victor Albuquerque
Apaixonado por joguinhos, filmes, animes e séries, mas sempre atrasado com todos eles. Escrevo principalmente sobre animes e tenho a tendência de tentar encaixar Hunter x Hunter ou One Piece em qualquer conversa.