A terceira temporada de Euphoria voltou à HBO depois de quatro anos de hiato e já acumula polêmicas antes mesmo de chegar ao fim. Desta vez, o alvo das críticas é o arco de Cassie Howard, vivida por Sydney Sweeney, que inicia uma carreira no OnlyFans. A abordagem gerou reação imediata de criadoras de conteúdo reais, que se sentiram ridicularizadas pela forma como a série retrata o trabalho na plataforma.
Na trama, Cassie produz conteúdo vestida com fantasias que incluem orelhas de cachorro, coleira e amarras de pulso, além de uma cena em que ela aparece fantasiada de bebê, com fraldas e chupeta. Quem registra as fotos é Juana, a empregada doméstica da casa, até que Maddy, interpretada por Alexa Demie, assume o papel de sua empresária. Sam Levinson defendeu as escolhas em entrevista ao The Hollywood Reporter, dizendo que o objetivo era encontrar “a outra camada do absurdo” para não ficar preso na fantasia da personagem, quebrando a ilusão com humor irônico.

As criadoras ouvidas pela Variety não enxergaram dessa forma. Sydney Leathers, no OnlyFans desde 2017, apontou um problema concreto: parte do conteúdo mostrado na série simplesmente não seria permitido na plataforma. O chamado “age-play”, que envolve simulação de dinâmicas com personagens infantilizados, está expressamente proibido nos termos de uso do OnlyFans, com risco de desativação de conta. “Operadoras de cartão de crédito têm regras muito rígidas e ficam cada vez mais restritivas”, explicou Leathers, acrescentando que a série passa a impressão de que criadores podem postar qualquer coisa, o que está longe da realidade.
Maitland Ward, atriz conhecida por participações em As Branquelas e O Mundo é dos Jovens antes de migrar para o conteúdo adulto, foi ainda mais direta. Para ela, vestir Cassie como bebê para fazer conteúdo pornográfico “perpetua estereótipos de que trabalhadores sexuais não têm bússola moral e fariam qualquer coisa por dinheiro”, reforçando o estigma, já desgastado, de que trabalho sexual é sinônimo de tráfico e abuso. “Resolveram fazer piada disso. Não estou rindo”, disse ela.

A criadora Alix Lynx reconheceu que a série acertou em um ponto: a cena em que Cassie vai a uma festa de influenciadores para gerar conteúdo viral reflete uma estratégia real de marketing digital. Mas, no geral, a representação erra ao sugerir que basta ser bonita e fazer coisas chocantes para lucrar imediatamente. Na prática, segundo ela, construir uma base de assinantes fiéis exige anos de trabalho constante.
O que une as três criadoras é uma queixa mais ampla e antiga: Hollywood raramente retrata trabalhadores sexuais de forma justa. A série usa Cassie como recurso cômico, e essa escolha, segundo elas, tem um custo real para quem vive disso. “Quando se faz parte de uma comunidade marginalizada, é fácil se entristecer com certos retratos dela”, resumiu Leathers.
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